por | 21 Out, 2023 | Desporto, Sociedade

Celso Moura tem mais de 100 corridas disputadas

APESAR DE TER UMA FORTE INCAPACIDADE FÍSICA

Foi em Meinedo que Celso Moura se estreou em 1993, nas corridas de automóveis com apenas 17 anos, ao volante de um Ford Escort. Desde então, o gosto pelo desporto automóvel foi crescendo e é hoje a principal atividade extra profissional deste empresário, que já disputou 108 corridas em modalidades automobilísticas. É um feito digno de registo, tanto mais que se trata de um piloto que tem uma forte incapacidade física, resultado de um acidente de moto na adolescência.

Influenciado pela “febre” automobilística que o Clube Automóvel de Lousada desenvolveu no final da década de 1980 e início de 1990, Celso de Jesus Sousa Moura, de 45 anos, apaixonou-se fortemente pelas corridas, tal como quase toda a sua geração de amigos e conhecidos. Não foi uma paixão apenas de espectador, pois tornou-se num dos pilotos de proa do automobilismo lousadense da sua geração e é seguramente um dos que tem mais participações em corridas.

A primeira prova “a sério”, ou seja, a contar para competições nacionais, aconteceu em 1998, no Rali de Murça, prova que também por isso tem um especial significado para Celso Moura.

No total já disputou 108 provas de desporto automóvel, 56 das quais em ralis, 13 presenças em corridas de autocross e 27 em provas de ralicross. Parte dos êxitos que conquistou foram obtidos nesta modalidade, nomeadamente a Taça Nacional de Ralicross, em 2005, e foi vice-campeão em 2006 e 2013. Teve ainda sete participações em provas de resistência de ralicross, onde obteve um pódio (3.º lugar). É também digna de registo a presença, em 12 ocasiões, no campeonato de super especiais.

Atualmente está a disputar o segundo escalão da competição nacional de ralis, que se chama Campeonato Start Norte. “Por vários motivos, podia estar a correr melhor, mas ainda faltam duas provas”, diz o piloto, que espera participar nas corridas de Viana (10 e 11 de novembro) e de Vila Nova de Cerveira (1 e 2 de dezembro).

Falhou a primeira prova por motivos de saúde e desistiu no Rali de Famalicão, com problemas mecânicos. Quando podia ter vencido a prova de Fafe (Rali de Montelongo), há quinze dias, um problema na caixa de velocidades atirou-o para oitavo lugar. Ainda assim, Celso Moura e o co-piloto Carlos Nunes, fizeram um brilharete na prova fafense ao liderar a classificação durante quase todas as etapas.

Créditos VEDDA_Celso Mora

Com um Peugeot 205 Maxi, de duas rodas motrizes, o piloto lousadense até consegue superar pilotos com veículos mais capazes, inclusive alguns com quatro rodas motrizes. Aliás, o seu currículo é demonstrativo de um nível considerável para alguém que se dedica à modalidade de forma amadora e quase por passatempo.

“Se tivesse mais apoios eu gostava de experimentar a primeira divisão do campeonato nacional de ralis”, afirma o piloto, que por enquanto se dá por contente com os apoios do Município de Lousada e da Junta de Meinedo, assim como de vários amigos e aficionados do desporto automóvel.

SUPERAÇÃO DOS LIMITES FÍSICOS

Por entre as provas do campeonato, o piloto lousadense vai disputando corridas extra campeonato, como foi o caso, em Julho deste ano, do Rallye Além Mar Santa Maria, nos Açores, onde foi 8.º classificado entre 60 participantes. Também é de destacar a presença no Penafiel Racinf Fest – Rally Taça Joaquim Santos, onde Celso Moura e Carlos Nunes fizeram um importante 10.º lugar na geral.

“São provas que permitem treinar em modo de competição e evoluir, porque só praticando se evolui”, afirma Celso Moura, que recentemente participou em mais uma prova fora do campeonato, o Vizela Racing Festival Adruzílio Lopes. Por causa de um problema mecânico teve um mau resultado nas duas primeiras etapas, mas nas restantes superou toda a concorrência.
Embora Celso Moura não faça questão de “andar por aí a divulgar este assunto”, a verdade é que tem uma incapacidade física acentuada e há certos movimentos que não consegue fazer com um braço e uma perna.

“Em jovem, tive um acidente de motorizada bastante feio, mesmo grave, tendo sido operado várias vezes e o mais importante disso foi que escapei com vida, apesar de ficar com uma grande percentagem de incapacidade”, afirma o piloto lousadense. Ainda assim, faz por levar “uma vida sem pensar muito nisso e superar alguma limitação é sempre um desafio extra que me dá gosto”, conclui.

Celso Moura

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