por | 21 Mai, 2025 | Finanças, Opinião

EXPORTAÇÕES EM RISCO? A INSTABILIDADE CRIADA COM AS TARIFAS

A eventual imposição de novas tarifas por Donald Trump sobre produtos farmacêuticos e semicondutores volta a lançar incerteza sobre o comércio internacional — e Portugal não é excepção. O presidente norte-americano, conhecido por uma postura proteccionista, afirmou que tarifas elevadas são uma forma de atrair investimento para território norte-americano. Apesar de ainda não ter sido tomada uma decisão definitiva, a simples possibilidade já agita mercados e deixa os exportadores em alerta.

Portugal poderá ser directamente afectado. Os Estados Unidos são o quarto maior destino das exportações nacionais, com destaque para os produtos químicos e farmacêuticos — precisamente os que Trump pretende impor com as possíveis tarifas. Só nos dois primeiros meses deste ano, as exportações portuguesas nesta área quase triplicaram, demonstrando o peso crescente deste sector na balança comercial.

Caso as tarifas avancem, empresas portuguesas poderão ver a sua competitividade reduzida face a concorrentes locais ou de outros mercados com valores de tarifas distintos. O encarecimento dos produtos à entrada nos EUA poderá traduzir-se numa quebra nas vendas, ou até levar algumas empresas a repensar a sua presença no mercado norte-americano. Em contrapartida, algumas poderão considerar a instalação de unidades produtivas nos próprios EUA, uma estratégia mais custosa e de longo prazo.

A relevância da implementação das tarifas, ou mesmo da sua mera ameaça, provoca instabilidade: afectam decisões de investimento, confiança nos mercados, e têm impacto directo em sectores estratégicos. A instabilidade gerada por medidas unilaterais como esta prejudica o planeamento empresarial e o investimento a longo prazo.

Por outro lado, se Trump recuar na implementação das tarifas, o cenário muda de figura. Portugal poderá continuar a reforçar as suas exportações para os EUA, beneficiando de um ambiente de comércio mais aberto e previsível. Tal desfecho garantiria estabilidade às empresas portuguesas, permitindo-lhes consolidar a sua presença num dos mercados mais estratégicos do mundo.

Num tempo em que os ventos proteccionistas voltam a soprar com força, as decisões de Washington terão, uma vez mais, efeitos muito para além das suas fronteiras — e Portugal, fortemente dependente das exportações, terá de estar preparado para ambos os cenários.

Ricardo Luís

Contabilista e Consultor de empresas 

* Escreve mediante o antigo acordo ortográfico

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