por | 28 Jun, 2025 | Educação

Jovens (ainda) procuram Medicina e Engenharia para o seu futuro profissional – Parte I

OPÇÕES VOCACIONAIS: O ESTRANGEIRO CONTINUA A SER UM DESTINO MAIS ATRATIVO

O aproximar do final do ano letivo é uma etapa importante para os alunos que encerram os estudos secundários. O futuro surge diante de cada um com propostas de vária ordem. Há quem tenha a decisão tomada há muito, outros permanecem indecisos até à última. Para ajudar os alunos a tomarem opções, o Agrupamento de Escolas de Lousada realiza várias iniciativas, como foi ocaso das «Rotas para o Futuro». As opções de uma carreira militar estiveram presentes e tem cada vez mais interessados ou curiosos. Mas as vias clássicas da Medicina e das Engenharias continuam a cativar grande parte dos jovens. Mas os tempos são de mudança e também neste campo há novidades.

A coordenadora do Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento de Escolas de Lousada – AEL, Carolina Carvalheiras refere que “ao longo das suas edições, esta iniciativa das «Rotas para o Futuro» tem-se afirmado como uma referência no âmbito da orientação vocacional, promovendo processos de construção da identidade vocacional, a exploração de opções formativas e profissionais, e o desenvolvimento de competências essenciais para a gestão da carreira. O evento tem como objetivo apoiar os alunos na elaboração de projetos de vida pessoais e profissionais coerentes com os seus interesses, valores, competências e aspirações, estimulando uma reflexão ativa e uma tomada de decisão fundamentada, adaptada ao seu percurso e às exigências do mercado de trabalho”.

A iniciativa integrou diversas ações, destacando-se uma mostra com a presença de instituições de ensino superior, públicas e privadas, entidades militares com oferta formativa específica, uma escola de aviação e uma organização dedicada à promoção de experiências educativas internacionais. Além disso, aquela especialista escolar sublinha que “foi dinamizada uma palestra dirigida aos alunos do 12.º ano, com a participação de antigos alunos que partilharam os seus testemunhos sobre os respetivos percursos académicos, profissionais e vocacionais. Este momento visou estimular processos de autorreflexão sobre o self vocacional, promovendo uma maior clareza na identificação de interesses, valores, competências e aspirações, proporcionando uma visão mais concreta sobre as opções formativas e profissionais disponíveis, na transição para o ensino superior ou o mercado de trabalho”.

Os jovens que se encontram nos últimos anos do ensino obrigatório ponderam cada vez mais sobre o seu futuro e naquele evento foi notória alguma avidez de informação que procuravam nos respetivos postos das entidades presentes. “Em balanço, considero que esta edição foi um sucesso, tanto pela adesão das entidades como pela interação positiva com os alunos, que demonstraram um elevado interesse e envolvimento nas atividades”, afirma Carolina Carvalheiras. Esta psicóloga acredita que a mostra vocacional «Rotas para o Futuro» continua “a desempenhar um papel fundamental no apoio à construção de projetos de vida sólidos e fundamentados, e que a continuidade desta iniciativa é crucial para o desenvolvimento vocacional dos nossos alunos, contribuindo para o seu sucesso escolar, profissional e bem-estar”.

Empregabilidade é fator determinante

Acerca da evolução ou mudança que tem havido na procura de saídas profissionais e académicas nos jovens da Escola secundária de Lousada, aquela técnica escolar entende que “a análise interna e os dados institucionais da Escola Secundária de Lousada têm permitido reconhecer, ao longo do tempo, tendências consistentes nas preferências académicas e profissionais dos nossos alunos. Entre os alunos dos cursos científico-humanísticos, continuam a destacar-se áreas como a Engenharia, a Gestão, o Direito, o Marketing, as Relações Internacionais e a Saúde, com especial incidência em Medicina, Enfermagem e Fisioterapia”. Estas escolhas refletem, em muitos casos, “um equilíbrio entre os interesses pessoais dos jovens, o reconhecimento social das profissões e a perceção de estabilidade e empregabilidade” que estas áreas parecem oferecer.

Por outro lado, entre os alunos do ensino profissional, “é visível uma crescente aposta no prosseguimento de estudos, sobretudo em instituições de ensino superior politécnico”. As áreas mais procuradas incluem Informática, Saúde, Multimédia e Comunicação, “domínios que conjugam forte componente prática e tecnológica”. O mercado de trabalho em constante evolução a isso motiva, certamente.

Emigração de jovens altamente qualificados

Quanto aos alunos provenientes do ensino profissional, “verifica-se uma crescente valorização do prosseguimento de estudos, especialmente em áreas como Informática, Saúde, Multimédia e Comunicação. Esta tendência é corroborada por relatórios da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), que indicam um aumento significativo na transição de diplomados do ensino profissional para o ensino superior, nomeadamente através dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais”.

A emigração de jovem licenciados é uma realidade muito presente em certas ciências avançadas ou ramos técnicos muito valorizados no estrangeiro. A especialista daquele  grupamento de Escolas de Lousada diz acerca disso que “a emigração de jovens licenciados tem vindo a afirmar-se como uma realidade cada vez mais visível no panorama nacional, refletindo não apenas dinâmicas do mercado de trabalho global, mas também constrangimentos persistentes no contexto nacional. Em muitos casos, trata-se de uma escolha ponderada, motivada pela procura de melhores condições laborais, perspetivas de progressão na carreira, contextos profissionais mais desafiantes e pelo desejo de ver reconhecidas competências que nem sempre encontram espaço de valorização no país”.

Este movimento migratório, predominantemente protagonizado por jovens altamente qualificados, “pode ser interpretado tanto como um sinal da sua capacidade de adaptação e mobilidade, como também como um alerta para a urgência de repensar políticas nacionais de retenção de talento”. O desafio para o país, mais do que travar a saída, “é criar condições para que este movimento se inscreva numa lógica de mobilidade circular, onde partir não signifique cortar laços, mas sim enriquecer percursos que, idealmente, se mantenham conectados com o país de origem”.

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