Educação inclusiva: uma educação de todos e para todos
Nunca se falou tanto de incluir todos os alunos na educação de forma igualitária, mas, ao longo dos tempos, o termo Educação Especial foi sendo conotado com uma simbologia negativa. Para combater as desigualdades, o Agrupamento de Escolas de Lousada tem uma equipa multidisciplinar que permite integrar e capacitar estes alunos ao seu próprio ritmo. 

O Agrupamento de Escolas de Lousada tem ao dispor dos seus alunos uma equipa multidisciplinar que permite o acesso ao currículo de acordo com as suas competências e ao ritmo de cada um. A educação inclusiva é uma educação para todos que pretende “incluir todos os alunos em todas as atividades, na participação, colaboração, em tudo o que seja possível na comunidade escolar”, explica Madalena Melo, coordenadora da Educação Especial. 

Madalena Melo, coordenadora da Educação Especial

“Incluir todos os alunos em todas as atividades, na participação, colaboração, em tudo o que seja possível na comunidade escolar.” – Madalena Melo 

Uma das características deste modelo é a organização por níveis de intervenção. Estes níveis variam em termos do tipo, intensidade e frequência das intervenções e são determinados em função da resposta dos alunos. O primeiro nível são as medidas universais, seguem-se as medidas seletivas e o terceiro nível são as medidas adicionais. 

Os alunos que fazem parte integrante das medidas adicionais não assistem a todas as aulas do currículo. “Podem ter aprendizagens substitutivas e não vão a todas as disciplinas da turma. Só se tiverem um perfil de funcionalidade muito elevado, esses acompanham a turma com os conteúdos, mas são alterados os objetivos”, confirma. 

Porém, “pertencem sempre a um grupo de turma, não estão num grupo à parte. Apenas não estão inscritos nas disciplinas todas. Participam nas atividades juntamente com a turma ou nas disciplinas dependendo das suas competências”, acrescenta Alberta Machado, terapeuta da fala. 

Planos de trabalho são decididos em equipa 

A equipa multidisciplinar é composta por duas professoras, duas terapeutas da fala, duas terapeutas ocupacionais e uma fisioterapeuta, estando divididas em função do número de alunos na sala. 

“Temos duas unidades em funcionamento. Estamos a trabalhar em colaboração com a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) no sentido de podermos abrir uma unidade no Ensino Secundário, uma vez que, neste momento, vamos ter um conjunto de alunos que vão passar do terceiro ciclo para o Ensino Secundário. É uma mais-valia o facto de termos aqui uma equipa larga e com várias valências, mas não é menos importante a articulação que temos feito com entidades externas, que nos permitem termos um conjunto de atividades extra para os nossos alunos poderem usufruir dessas valências”, refere Filipe Silva, diretor do Agrupamento de Escolas de Lousada. 

Enquanto as escolas estiveram fechadas devido à pandemia de covid-19, a unidade continuou aberta “para dar apoio a estes alunos que tanto precisam e, muitas vezes, em casa, os pais fazem um trabalho excelente, mas a mais-valia que tiveram foi termos a escola aberta para os apoiarmos, quer com os alunos que vieram para o ensino presencial, como aqueles que ficaram em casa, as famílias não ficaram sozinhas”, confirma o diretor. 

Todos os planos de trabalho são decididos em equipa e em colaboração com profissionais de saúde. “Dentro da equipa escolar articulamos no sentido de definir o plano de intervenção de acordo com o que pretendemos que o aluno atinja e o patamar em que ele está. Tentamos articular com as equipas de saúde, via centro de saúde, ou através dos pais, que nos transmitem essa informação através dos serviços mais centrais”, refere Alberta Machado

Filipe Silva, diretor do Agrupamento de Escolas de Lousada

“Quando falamos de escola inclusiva não falamos só destes alunos. Uma das partes da escola inclusiva são estas Unidades de Educação Especial, mas temos outras valências.” – Filipe Silva 

“Temos um outro serviço, o serviço de psicologia e orientação, que também tem um papel preponderante. Quando falamos de escola inclusiva não falamos só destes alunos. Uma das partes da escola inclusiva são estas Unidades de Educação Especial, mas temos outras valências e qualquer aluno com qualquer dificuldade, por mais simples que seja, esse aluno faz parte da escola inclusiva”, acrescenta o diretor do agrupamento. 

Os benefícios da Educação Inclusiva 

Para Rodrigo, nome fictício, que frequenta a unidade há quatro anos, a integração foi “um pouco difícil”, explana a coordenadora Madalena, devido ao estigma que ainda existe sobre estes modelos.

Ivone Nogueira, encarregada de educação

“Ele melhorou em tudo: no falar, no andar, na autonomia, no comportamento.” – Ivone Nogueira 

“No princípio, o meu marido tinha medo de pôr aqui o nosso filho. Hoje já não quer tirar. Foi o melhor para ele”, conta a mãe e encarregada de educação Ivone Nogueira. “Ele melhorou em tudo: no falar, no andar, na autonomia, no comportamento. Quando ele veio para a unidade foi muito complicado. Hoje tem um comportamento exemplar. Andou numa escola onde teve uma má experiência, onde não era compreendido. Agora está bem”, orgulha-se. 

A função desta unidade é ajudar também os pais, não só os alunos. “Esta articulação entre a escola e a família tem que ser muito forte. É uma aprendizagem para todos. É com esta articulação que os alunos sabem até onde podem ir. Podem ter dificuldades em muitas coisas, mas têm a sua inteligência e têm perceção do que estão a fazer”, lembra Filipe Silva.  

Alberta Machado, terapeuta da fala

“Há um grande caminho que ainda falta fazer, que é a passagem para a vida adulta e empregabilidade.” – Alberta Machado 

Os desafios na educação inclusiva ainda são diversos: “o percurso ainda vai a meio, ainda há muito a fazer. Primeiro, a estabilidade que deve existir neste tipo de ensino. Depois, mesmo em termos internos de escola ainda há muito a limar”, reflete o diretor. 

“Há um grande caminho que ainda falta fazer, que é a passagem para a vida adulta e empregabilidade. Sabemos que existem alguns alunos que pelas suas limitações físicas e cognitivas será mesmo muito difícil, mas existem outros que poderiam aprender e nem sempre o mercado é muito recetivo, porque, claro, num trabalho é suposto gerir dinheiro e criar rendimento e nem sempre é fácil. A passagem para a vida adulta nem sempre é mais tranquila, mas tentamos batalhar nesse sentido”, termina a terapeuta da fala. 

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