No dia 31 de outubro, a iniciativa Habit(arte) culminou com a inauguração de uma instalação artística assinada pelo artista Bordalo II, que decorreu no Parque Urbano Dr. Mário Fonseca, em Lousada. A instalação, que tem como tema central “Cornélia”, um icónico escaravelho (Lucanus cervus) ameaçado, faz parte da coleção Big Trash Animals do reconhecido artista português.
Bordalo II, nome artístico de Artur Bordalo, amplamente reconhecido pelo seu trabalho inovador que transforma resíduos em arte, trouxe ao parque uma obra “que desafia o público a repensar o impacto dos seus hábitos de consumo”, explica fonte autárquica.
Esta série de obras utiliza plásticos e outros materiais descartados que pretende alertar para a urgência de modificar comportamentos consumistas e proteger os ‘habitats’.
De forma irónica, Bordalo II emprega os mesmos materiais responsáveis pela destruição dos ecossistemas, criando arte que é simultaneamente estética e educativa.
Em declarações à parte do evento, o responsável pelo projeto explicou que o artista deve ser sempre livre e de fazer “aquilo que sente, pois não deve existir uma obrigação social ou política”.

“No entanto, acho que isso acrescenta. Tento sempre dizer alguma coisa com aquilo que faço, não fazer algo que seja meramente bonito ou estético. Se temos voz e capacidade de comunicar, devemos fazê-lo, criticar, provocar, criar discussão, alargar horizontes, fazer pensar. Acho que isso acrescenta sempre alguma coisa à arte”, explicou Artur Bordalo.
A cerimónia de inauguração, realizada às 15h00, foi aberta ao público e convidou todos a participarem numa profunda reflexão sobre a relação entre arte, desperdício e conservação da natureza. A obra não só capta a atenção pela sua beleza, mas também pelo forte apelo à ação em defesa do planeta.
O evento também foi uma celebração do Dia Mundial do Habitat, integrando-se na iniciativa Habit(arte), da Câmara de Lousada, que visa promover o diálogo entre arte e ecologia.
Ao O Louzadense, o vereador Manuel Nunes, da Câmara de Lousada, destacou que este tipo de trabalho é marcante para os territórios onde está instalado.
“A Cornélia passa a integrar um roteiro, que vai ser amplamente divulgado, e não tenho dúvida nenhuma que passará a ser um ponto-chave, de encontro, que acaba por ser um marco geográfico do território”, concluiu.














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