por | 4 Fev, 2025 | Sociedade

Quando a noite cai, há trabalhadores que «pegam ao serviço» – Parte IV

PROFISSÕES NOTURNAS SÃO VITAIS, MAS PASSAM DESPERCEBIDAS

A generalidade da sociedade não se apercebe da existência de profissões, cargos e serviços que funcionam de noite, quando a maioria da população dorme. É o caso do trabalho da veleira ou do guarda rondista, dos piquetes de urgências ou dos seguranças. Ainda há padeiros, que são cada vez menos, já que hoje em dia o pão também se cozinha quase de forma instantânea. São profissões menos visíveis as profissões diurnas, mas nem por isso deixam de ter um papel vital para o funcionamento da sociedade.

Modernidade acabou com turnos da EDP

Aos 14 anos, Adriano Fernandes entrou para a EDP como aprendiz de eletricista e ali se mantém, há 40 anos. Já não existem piquetes noturnos daquela entidade para acorrer a emergências relacionadas com eletricidade.

“Há alguns anos fazíamos turnos que iam da meia noite às oito horas da manhã, e não tínhamos descanso, aquilo era terrível, mas  o trabalho noturno acabou” e justifica que “agora há muito menos avarias”, além de que “a empresa contrata firmas privadas para fazer os serviços de urgência”, acrescenta Adriano Fernandes.

Quando entrou para aquela distribuidora de eletricidade “Lousada tinha muitas avarias e praticamente não tínhamos sossego, mas a modernização das infraestruturas foi acontecendo e hoje em dia o funcionamento é tranquilo, é dos melhores concelhos da região, ao contrário de outros concelhos como Baião e Celorico de Basto, por exemplo, onde ainda há bastantes anomalias”.

No tempo dos piquetes à noite, Adriano viveu “algumas situações complicadas”. Recorda-se dum episódio macabro ocorrido há cerca de 15 anos em Rio de Moinhos: “fomos chamados para uma ocorrência num posto de transformação, que é uma instalação onde se procede a transformação da energia elétrica de média tensão para baixa tensão, que alimenta a rede de distribuição de baixa tensão”, nomeadamente para as habitações.
Quando chegaram ao local, Adriano e o restante piquete de serviço depararam-se com uma situação macabra: “estavam dois homens mortos por eletrocussão. Veio a saber-se que estavam a tentar furtar cobre e sofreram uma descarga elétrica fulminante”.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Vera Silva e Ana Sousa ultrapassam com êxito desafio do Hybrid Day em Beja 

Num ambiente com temperatura nos 38°, as atletas lousadenses Vera Silva e Ana Sousa lançam-se no...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES ________________ A UVA — Entre a terra, o trabalho e a memória

A uva, o cacho, a vide, a videira, a ramada, o bardo, o esteio, a vindima, o vinho, o bagaço, a...

Casa do Rio: quando preservar o passado é também preparar o futuro

Há datas que ficam na memória de uma casa. Na Casa do Rio, em Torno, Lousada, a de 22 de agosto de...

Cool Dance levou dança e emoção ao Euro RX em Lousada

O grupo de dança Cool Dance, a convite do Clube Automóvel de Lousada (CAL), marcou presença no...

Chega setembro, regressam as aulas e, com elas, algumas das memórias de infância e juventude desse...

NOVOS BOMBOS EM LOUSADA (1)

Os Magnetenses: a tradição que ganha nova força Um novo grupo de bombos nasceu em Meinedo com 20...

O ESCUDO INVISÍVEL NO CIRCUITO INTERNACIONAL DE LOUSADA

ED4 levou a segurança no desporto automóvel ao patamar mundial Vamos falar de uma equipa que não...

Edifício da Adega nasceu há 70 anos

OBRA CUSTOU “DOIS MIL CONTOS” Assinalam-se este mês 70 anos do início de um dos projetos mais...

Grande Entrevista a LUÍS MARINHO (CAL)

“Não procuro ficar na história, procuro continuar a fazer mais e melhor” Aos 38 anos,...

JULIANA COSTA, UMA ARTISTA QUE SE REVELA FORA DE LOUSADA

Das raízes em Figueiras à afirmação na arte texturizada Natural de Figueiras, no concelho de...

Siga-nos nas redes sociais