por | 6 Jul, 2025 | Grandes Louzadenses

“Segredo para uma vida feliz: sorrir, amar e servir os outros”

MARIA IRENE DA SILVA MONTEIRO, 89 ANOS

É carinhosamente tratada por «Menina Irene» e destaca-se na sociedade pela ajuda aos outros, facto que a levou por exemplo a fundar um agrupamento de escuteiros e grupos de voluntariado. É uma missionária com um infindável número de missões. A principal, por ser a que lhe ocupa mais tempo é o voluntariado. Aos 89 anos ainda conduz o seu automóvel com a mestria de sempre, facto que constitui uma das muitas marcas da sua jovialidade. Também domina as redes sociais e as novas tecnologias com bastante desembaraço. Sobre o segredo para uma vida feliz, Maria Irene diz que são três fatores: “sorrir, amar e servir os outros”.

A fé religiosa, o ensino escolar e a solidariedade são características bem patentes na vida de Maria Irene da Silva Monteiro, que nasceu em Santa Eulália de Barrosas, em 1936, e vive na vila de Lousada há 46 anos. Nasceu e cresceu no seio de uma família plena de vocação religiosa e de princípios solidários.

Na casa dos seus avós havia um quarto para acolher os peregrinos de Santiago de Compostela, São Bento da Porta Aberta e São Bento das Peras. Vinha gente de muito longe e sempre sentiram ali, no Lugar da Mó, um refúgio e um aconchego para a sua peregrinação. “Foi nesse espírito solidário que a minha família viveu sempre”, revela Maria Irene Monteiro.

Ensinar foi desde muito cedo o seu objetivo. Pelo ensino ajudava os outros a serem «mais evoluídos e capazes para a vida”, por isso “escolhi ser regente escolar”, recorda esta conhecida lousadense.

Deu aulas durante dois anos letivos nas freguesias de Grilo e de Sande, respetivamente de Baião e Marco de Canaveses. Foram poucos, mas anos suficientes para deixar essa fase bem presente na sua vida.

“No próximo sábado vai-se realizar um convívio de antigos alunos, que me está a deixar cheia de alegria, pois é de uma turma muito antiga, de 1965, e este tipo de reunião mostra que a semente da gratidão e da saudade germinaram bem e isso dá-me muita satisfação”, afirma.

Certo dia teve que deixar as aulas e retirou-se da vida docente, para tratar de dois tios que necessitaram de cuidados: “o meu tio António, em Vila Caíz, que também era meu padrinho de batismo, e o meu tio Joaquim, em Cristelos, Lousada, ambos padres diocesanos”. Nessa função esteve 25 anos em Vila Caiz, Amarante e depois estabeleceu-se em Lousada.

Em todas as localidades por onde passou deixou bem vincada atividade em prol das respetivas paróquias, que lhe guardam grande estima e consideração.

Além de catequista, leitora, auxiliar paroquial, teve inúmeras funções: “trabalhei como ministra extraordinária da comunhão, levava a comunhão aos doentes e ajudei a reestruturar a Conferência de São Vicente Paulo, na freguesia de Silvares”. Até então, os Vicentinos tinham uma atividade esporádica e pouco organizada, passando então a ter um papel mais preponderante na sociedade lousadense.

Maria Irene rejubilou com as Jornadas Mundiais da Juventude.

PAIXÃO PELO ESCUTISMO

Ainda na qualidade de ativista paroquial, acompanhou muitos grupos até ao Crisma e depois até ao casamento. Houve uns anos que os jovens faziam o Crisma e depois continuavam com catequeses mais adultas de preparação para o matrimónio. Por falar disso, nunca lhe aconteceu casar “pois o meu casamento foi com a comunidade, dedicando-lhe atenção, ensino e apoio”, salienta Maria Irene.

A dada altura “no tempo do Sr. Padre Emílio, tive a ideia de fundar Escuteiros”. Os valores do Escutismo, as normas e a valia que representam para a vida pessoal e para com os outros, motivou Maria Irene a implementar essa ideia. “Com a ajuda da chefe Conceição, que na altura era de Macieira, fundamos o Agrupamento 1253 de Escuteiros de Silvares”, recorda.

Os escuteiros vieram a tornar-se na sua grande paixão: “Gosto de todas as áreas em que me envolvo na sociedade, mas os Escuteiros são a menina dos meus olhos”, revela Maria Irene. Tem uma devoção tão grande pelo escutismo que já disse que “quando morrer vistam-me de escuteira”.

Maria Irene – Dirigente no Agrupamento de Escuteiros 1253 Silvares – Lousada.

VOLUNTARIADO NOS HOSPITAIS

O voluntariado hospitalar é uma das muitas vertentes da solidariedade de Maria Irene, que foi uma das pioneiras da Liga dos Amigos do Padre Américo, no antigo hospital de Penafiel, onde deixou de fazer voluntariado para formar uma equipa idêntica no serviço de Cuidados Continuados, na Santa Casa da Misericórdia de Lousada.

“Antes disso eu já ia fazer companhia aos idosos, ia visitar os doentes ao hospital, mas não era organizado e, por isso, é que tivemos necessidade de, nos cuidados continuados, criar esse voluntariado, porque vêm doentes de muito longe, às vezes sem visitas de família“.

“O voluntariado nos hospitais é muito importante. Só um aperto demão e um olhar já é muito para o doente, o sentir que alguém está ao lado”, acrescenta Maria Irene.

Curiosamente, quando a entrevistamos na Loja Social da Santa Casa da Miserirórdia de Lousada (SCML), um homem, que se identificou sem abrigo, entrou em busca de vestuário, pois tinha vindo de Mirandela para estar mais perto da mãe, que se encontra internada no Hospital de Lousada. E além de vestuário levou também calçado e um grane sorriso no rosto.
A Loja Social da SCML funciona nos fundos do antigo Lar Residencial desta entidade de solidariedade e é uma nova vertente do voluntariado de Maria Irene Monteiro. A propósito da Santa Casa, esta nossa entrevistada não deixa passar uma “importante referência na minha vida, a dona Lúcia Lousada, que foi quem me convidou para fazer parte dos dirigentes da Santa Casa”, funções que Maria Irene ainda desempenha, na qualidade de vogal do Conselho Fiscal, depois de outros cargos nos últimos quarenta anos.

SORRIR, AMAR E SERVIR

Na paróquia de Lousada foi contemporânea de três padres: António Sousa, António Emílio e Paulo Godinho. “Tenho de todos eles referências de excelentes pessoas, cada uma à sua maneira, cada um no seu devido tempo e contexto social próprio, mas todos eles tiveram grande dedicação a Lousada, que beneficiou muito com cada um, não apenas a nível religioso, mas também a nível social”, refere Maria Irene. Acerca do futuro do voluntariado, dos agrupamentos paroquiais e afins, esta lousadense está confiante. É uma mulher de fé, pois claro, e como tal acredita que as paróquias vão subsistir na solidariedade, que a seu ver está ligada à felicidade. Para ser feliz “basta sorrir, amar e servir os outros”.

Maria Irene num dos seus momentos de partilha e amizade.

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