Freguesia de São Salvador de Novelas

A Casa Nobre no seu contexto histórico XXVIII

A Estrutura Arquitetónica de Lousada, segundo as Memórias Paroquiais de 1758

Os Efeitos do Terramoto de 1755 em Lousada

Em 1758, uma parte da freguesia de São Salvador de Novelas integrava o território de Lousada. Os dois rios – Sousa e Mesio – marcavam a linha de fronteira com os territórios adjacentes. Lavrada a ressalva histórica, e tendo como factual a narrativa do autor da memória paroquial (pároco João Dias Ribeiro), Novelas alceava-se «em huma ribeira» de onde se avistava a «villa de Arrifana de Sousa», distante «hum coarto de legoa.» Contava nove vizinhos duzentos e cinquenta e nove «pessoaz de mayor.» A metade da freguesia estava sujeita ao juiz ordinário do concelho de Lousada e a outra metade sujeita ao concelho de Penafiel e seu ouvidor. A freguesia de Novelas e o concelho de Lousada usufruíam «do privilégio da Sereníssima Caza do Estado de Bragança.» Apresentava o pároco o «dom abbade do mosteiro de Bustello como donatario.» O memorialista faz ainda uma breve referência ao rio Sousa. Este «paça pello meyo desta freguezia», tendo origem na «freguezia de Santa Eulalia de Margaride e Arcebispado de Braga no meyo de sua lameyra», morrendo no rio Douro abaixo da Senhora do Salto. A atual Igreja do Divino Salvador – a primitiva situava-se próxima do cemitério -, foi edificada com pedra extraída no lugar de Ribada Alta (freguesia de Lodares, concelho de Lousada, benzida e inaugurada a 17 de agosto de 1941, pelo Bispo do Porto, D. António Augusto de Castro Meireles.

Na Memória Paroquial de 1758, o abade de S. Salvador de Novelas, apenas apontou nove fogos.1

Fachada principal
Destaque da imagem de Nossa Senhora de Fátima
Cúpula da torre sineira

A igreja contava com três altares.2 O altar-mor tinha a imagem de S. Salvador, no altar de Nossa Senhora do Rosário estava a imagem de Santo António, enquanto no altar do Menino Deus se achava a imagem de S. Gonçalo.

Nichos e púlpito. Crédito: Património Cultural Direção-Geral do Património Cultural, 2011.
Nave e capela-mor. Crédito: Património Cultural Direção-Geral do Património Cultural, 2011.

Havia duas capelas em Novelas. A capela de Nossa Senhora do Loreto, no lugar de Arcozelo D’ Além, e a capela de Nossa Senhora da Conceição, no lugar de Arcozelo D’ Aquém. A primeira era de Manuel Francisco Leal da Veiga, que a administrava; a segunda pertencia ao licenciado Francisco Barbosa Carneiro e nela se encontrava a imagem de Nossa Senhora da Conceição.3

São Salvador. Em data incerta. Créditos: Joaquim Pinto Mendes e blog. Penafiel, terra nossa.
Nossa Senhora do Rosário, em dia de festa. Créditos: Joaquim Pinto Mendes e blog. Penafiel, terra nossa.

Sobre o rio Sousa foi construída uma ponte de «cantaria de pedra com tres ilhaes pasage por onde passa huma estrada publica para a Villa de Arrifana e para muntas maes partes do Reyno e esta está asituada no meyo desta freguezia.»4

Ponte de Novelas (Rio de Sousa)

Junto a esta ponte trabalhavam dois moinhos com quatro rodas cada um.5

Moinho da ponte de Novelas: pré-restauro. Créditos: Núcleo do Museu Municipal de Penafiel.
Moinho da ponte de Novelas: pós-restauro. Créditos: Núcleo do Museu Municipal de Penafiel.
Moinho da ponte de Novelas: o mecanismo e as diversas peças que compõe o moinho. Créditos: Núcleo do Museu Municipal de Penafiel.

1 – I. A. N. / T. T. – Dicionário Geográfico, 1758. vol. 25, fl. 257.

2 – I. A. N. / T. T. – Dicionário Geográfico, 1758. vol. 25, fl. 257.

3 –  I. A. N. / T. T. – Dicionário Geográfico, 1758. vol. 25, fl. 258.

4 – I. A. N. / T. T. – Dicionário Geográfico, 1758. vol. 25, fl. 258.

5 – «Tem duaz cazaz de muinhos, ao pe da dita ponte, com coatro rodaz, cada caza, dos ditos muinhos, e servem de muer pam, a saber milhaó, milho e senteyo.» I. A. N. / T. T. – Dicionário Geográfico, 1758. vol. 25, fl. 258.

Glossário:

Abade – Na sua aceção original:superior de uma abadia, de um mosteiro.

Donatário – Destinatário da doação de um território para povoar, explorar e administrar.

Juiz Ordinário – Juiz da terra ou simplesmente juiz – era eleito anualmente pelo povo e a quem incumbia a aplicação da Justiça na área jurisdicional da sua competência nas comarcas em que obrigatoriamente teria de residir. No início do século XVII viria a ser o presidente das sessões da câmara municipal, eleito pela mesma pelo período de três anos. Como símbolo de sua autoridade o mesmo possuía um bastão, denominado vara de juiz ordinário.

Légua – O decreto de 2 de maio de 1855, definiu que a «légua itinerária», também conhecida por «légua métrica», era equivalente a 5 000 metros (5 quilômetros).

Memorialista – Padre que redigiu a memória paroquial.

Privilégio – Imunidade, proteção do rei.

Ribada Alta – Margem elevada ou declivosa de um rio

Arquivos:

– IANTT – Instituto dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais.

Nota:

Todas as fotografias são de outubro de 2023 e pertencem ao Arquivo particular de José Carlos Silva. As restantes têm o devido crédito assinalado, na legenda de cada fotografia.

Igreja de Novelas, meados do século XX Crédito: Fotografia Borges. e blog. Penafiel, terra nossa.

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