PARA PERPETUAR A MEMÓRIA E A ESPERANÇA
Na terça-feira da semana passada, foi colocada na fachada do prédio da família, na rua Visconde de Alentém, uma escultura em aço corten com a imagem do malogrado Rui Pedro Mendonça. Foi uma ideia que partiu do pai, Manuel Mendonça, e da mãe, Filomena Teixeira, que contou ao Louzadense que “a escultura é uma das formas de perpetuar o nome do Rui Pedro e do caso do seu desaparecimento, para que nunca caia no esquecimento, para que todos, sobretudo os que o amam, nunca esqueçam o seu desaparecimento”.
Conhecida pela sua resiliência neste caso, a popular e carinhosamente conhecida por Meninha, a mãe do jovem desaparecido insiste que não perdeu a esperança num regresso do seu filho.
Desde o desaparecimento de Rui Pedro esteve colocado um cartaz alusivo a isso, na montra do talho (Mendonça) da família, no rés-do-chão do prédio. Aconteceu que, recentemente com a venda do negócio a outras pessoas, tiveram que retirar o cartaz, que era uma forma de manter viva a chama da memória e da esperança. Assim, a colocação de uma esfinge em aço na fachada do prédio foi a solução encontrada pela família.
O escultor chama-se Ricardo Crista e é de Setúbal e além do aço trabalha também com azulejo. Não é um desconhecido em Lousada, nem em Penafiel, localidades onde tem obras de arte neste tipo de técnica e de material.
O artista referiu que em meados de Julho deste ano recebeu “um telefonema de um senhor, que identificou-se como pai do Rui Pedro Mendonça, e a minha memória foi instantânea no reconhecimento de quem se tratava”. Explicou que “o Sr. Manuel de longe procurou-me, pois queria perpetuar uma memória, um cartaz. Cartaz esse que estava no seu estabelecimento familiar, um talho, desde o primeiro dia do acontecimento”.
Além da peça que está na via pública, existe uma réplica que o escultor ofereceu para o interior da casa da família Mendonça: “o material é o mesmo, no entanto o da casa da família resolvi pintar e colocar uma base de cimento polido. O processo é manual na parte do desenho e estrutura, posteriormente uso a tecnologia para corrigir pequenas imperfeições e posteriormente corto a peça a laser”, explicou o autor a O Louzadense.
Há dois anos o escultor setubalense fez para as paróquias de Silvares, Pias, Cristelos e Boim as esculturas dos santos padroeiros São Miguel, São Lourenço, São Vicente e Santo André , respetivamente das Paróquias de Silvares, Pias, Boim e Cristelos.
É costume Ricardo Crista elaborar peças de arte em aço para a Escritaria, em Penafiel, com esculturas de cada convidado desse evento anual dedicado à literatura. Já fez esculturas de José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Manuel Alegre, entre outros.
















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