por | 2 Fev, 2025 | Sociedade

Quando a noite cai, há trabalhadores que «pegam ao serviço» – Parte II

PROFISSÕES NOTURNAS SÃO VITAIS, MAS PASSAM DESPERCEBIDAS

A generalidade da sociedade não se apercebe da existência de profissões, cargos e serviços que funcionam de noite, quando a maioria da população dorme. É o caso do trabalho da veleira ou do guarda rondista, dos piquetes de urgências ou dos seguranças. Ainda há padeiros, que são cada vez menos, já que hoje em dia o pão também se cozinha quase de forma instantânea. São profissões menos visíveis as profissões diurnas, mas nem por isso deixam de ter um papel vital para o funcionamento da sociedade.

Velar por idosos no lar

Um pouco mais adiante, no Lar de Idosos, Paula Silva, residente na freguesia de Casais e com 50 anos de idade, é também ela uma trabalhadora noturna, mais concretamente veleira.
Começou como auxiliar no Lar Lúcia Lousada, no horário de dia, depois de ter trabalhado vários anos na indústria de confeções.
“As tarefas que realizo como veleira, como o próprio nome indica, significa velar pelos outros, cuidar” e esclarece que auxilia os utentes na sua higiene pessoal, dar alguma alimentação (ceia), com a medicação de cada idoso. Igualmente muito importante no trabalho de uma veleira é a tarefa de mudar o posicionamento na cama dos utentes ao longo da noite.

“Durante o nosso turno, se o utente necessitar de ajuda, nós ajudamos da melhor forma possível, como por exemplo levar à casa de banho”, afirma Paula Silva.
Está com o horário das 21 até às 9 horas da manhã. Explica que trabalha em dias alternados, ou seja, numa noite trabalha uma equipa e na outra entra uma nova equipa.
Diz que gosta do trabalho que tem. “Desde que me propuseram este horário, sempre me adaptei facilmente e com agrado”, diz.
Nem tudo são rosas. Os espinhos sentem-se neste trabalho. “Já me aconteceu algumas vezes chegar ao trabalho e um determinado utente ter falecido. É uma situação difícil, pois afeiçoamos-nos ao idoso e ao chegar lá e saber que ele faleceu, é um momento triste, pois ao longo do tempo, estabelecemos uma relação de afeto e de carinho aos idosos tão grande, que começamos a considerarmos todos como uma família”, confessa Paula Silva.
Diz que não tem preferidos e que vê “todos de igual forma e tento sempre dar o melhor de mim; fui percebendo que este trabalho é muito mais que uma veleira, onde tento dar sempre a maior felicidade e bem estar a todos os idosos, para que eles possam ter um final de vida digno e como realmente merecem”. Por isso, diz que “este trabalho, à medida que os anos vão passando, vai-se tornando cada vez mais gratificante, pois é com esta ligação humana que estabelecemos, que considero a nossa maior conquista”.

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