por | 8 Out, 2025 | Autárquicas 2025, Opinião

A CDU-Lousada, exige o reforço do apoio público, garantindo respostas universais e acessíveis, que respeitem os direitos de quem trabalhou uma vida inteira em prol do país e do desenvolvimento local. O Concelho de Lousada é considerado um dos mais jovens do país, mas a população residente continua a viver com sérias dificuldades devido à falta de serviços públicos essenciais ao funcionamento de uma sociedade democrática e desenvolvida. A ausência de respostas sociais adequadas – sobretudo nas áreas da saúde, do apoio aos idosos, aos deficientes e às crianças – constitui um problema grave que exige soluções urgentes. O direito à saúde, o apoio dificientes, aos idosos e às crianças são direitos fundamentais, e não privilégios.

Lousada não dispõe de Hospital público, e muitas freguesias continuam sem posto de saúde. Milhares de residentes são obrigados a percorrer longas distâncias para aceder a cuidados básicos, enfrentando muitas vezes horas de espera no Hospital de Penafiel ou de Amarante. O problema agrava-se com a falta de uma rede de transportes públicos eficaz, que obriga muitos utentes a depender do carro próprio ou da solidariedade de vizinhos e amigos.

O encerramento do SAP – Serviço de Atendimento Permanente – foi um golpe duro para os utentes desse serviço. Desde então, muitos são forçados a percorrer cerca de 25 km para chegar ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, apenas para uma simples consulta ou exame. É, por isso, urgente reativar o SAP em Lousada, aberto 24 horas por dia, garantindo maior proximidade a quem dele precisa.

Quanto ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Lousada, apesar de ter acordos com o SNS – Serviço Nacional de Saúde – e de dispor de blocos operatórios, consultas externas e meios complementares de diagnóstico, não está verdadeiramente ao serviço das populações de Lousada. A falta de recursos humanos e materiais, frequentemente denunciada pelos profissionais, limita a sua capacidade de resposta. Quem ali se desloca, se não for através do SNS, sabe que tem de suportar as despesas, tal como acontece em qualquer outro Hospital privado.

Paralelamente, assiste-se à abertura e ao crescimento de prestadores de saúde privados, como os Hospitais CUF e Lusíadas, o que agrava ainda mais as desigualdades no acesso à saúde. O acesso aos Hospitais privados não está ao alcance da esmagadora maioria dos Lousadenses,

Alguns doentes, em situação de maior fragilidade, não encontram vagas na UCC – Unidade de Cuidados Continuados – de Lousada, nem instituições de apoio aos dificientes, sendo encaminhados para os Concelhos vizinhos ou mesmo a centenas de quilómetros da sua residência. A falta de respostas por parte do Governo e da autarquia obriga algumas famílias a colocarem os seus familiares em casas particulares, dos chamados “cuidadores informais”, muitas vezes sem qualquer formação, pagando mensalmente milhares de euros pelo internamento, em casas particulares, ou nas unidades de cuidados continuados.

Também não existem lares de idosos, em número suficiente, para acolher os muitos dos idosos do Concelho, estando dependentes dos familiares, alguns dos quais têm de abandonar os empregos, ou deixados ao abandono em suas casas.

No apoio à infância, a falta de vagas em creches obriga muitos pais a recorrer a Concelhos vizinhos ou a depender da ajuda dos avós. Esta falha grave resulta da inércia dos sucessivos executivos municipais, que não garantiram respostas adequadas às necessidades das famílias.

Esta é uma realidade que não pode continuar a ser ignorada. A população de Lousada tem direito a serviços públicos de qualidade, sobretudo nas áreas da saúde e do apoio aos idosos e às crianças. O Estado deve assumir as suas responsabilidades e colocar os interesses das pessoas acima dos interesses privados.

Alguns, eventualmente os mais poderosos, poderão defender o recurso ao setor privado da saúde. No entanto, a prestação desses serviços não pode ser encarada como um negócio. As baixas reformas e as fragilidades económicas das famílias impedem o acesso aos Hospitais Privados por parte de muitos concidadãos. A sobrecarga recai, assim, sobre quem menos condições tem para a suportar. Trata-se de um problema grave e de uma verdadeira injustiça social, que atinge inúmeras famílias de Lousada.

A CDU considera urgente: A construção de um Hospital Público; Uma Unidade de Cuidados Continuados com capacidade adequada às reais necessidades da população; A criação de novos lares de idosos e creches para as crianças em várias freguesias do Concelho bem como um centro de acolhimento para os deficientes; O reforço do apoio público, garantindo respostas universais e acessíveis, que respeitem os direitos de quem trabalhou uma vida inteira em prol do país e do desenvolvimento local.

A CDU exige mais respeito pelos idosos e pelas suas famílias, defendendo que o envelhecimento deve ser acompanhado com dignidade, justiça e solidariedade.

Alberto Ribeiro Torres

Candidato da CDU à Câmara Municipal de Lousada

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