O percurso artístico de António Afonso começou a ganhar forma ainda no ensino secundário, na Escola Secundária de Lousada, onde iniciou os estudos em desenho e artes visuais. Foi nesse contexto que teve um primeiro contacto mais estruturado com as artes plásticas, começando a desenvolver não só a sensibilidade artística, mas também a técnica que viria a marcar o seu trabalho. Ao longo desse período, foi aluno de vários professores que desempenharam um papel determinante na sua formação, motivando-o no desenvolvimento do seu percurso artístico.
Formado na Secundária de Lousada e atualmente a cursar na Faculdade de Belas Artes (Porto), o Lousadense António Afonso esteve recentemente em plano de destaque internacional. Foi agalardoado na XV Bienal de Pintura do Eixo Atlântico, com o Prémio Jovens Talentos Luso-Galaicos.
António Afonso sempre esteve próximo das artes. “Desde que me lembro, tenho uma afeição pelas artes”, afirma, recordando que, durante a infância, passava longos períodos a desenhar e a pintar. Ainda criança, dedicava-se intensamente à criação artística, explorando formas, cores e texturas. Essa curiosidade foi complementada pela oportunidade de experimentar diferentes materiais, algo que considera essencial para o desenvolvimento do seu gosto e da sua prática artística.
A decisão de seguir um percurso académico nesta área surgiu de forma clara e sem grandes hesitações. “Foi uma decisão relativamente fácil. Eu não tive dúvidas de que este era o caminho que queria seguir”, explica. Ainda antes de ingressar no ensino secundário, já se sentia seguro quanto ao futuro que pretendia construir, sendo a entrada na Faculdade de Belas Artes um dos seus principais objectivos. O ingresso no curso de Artes Plásticas permitiu-lhe o desenvolvimento conceptual, estético e formal que procurava, bem como a partilha de experiências com professores e artistas que provinham do mesmo percurso, tornando essa possibilidade mais concreta e tangível.

Atualmente, António Afonso define como principal objectivo a continuidade e o aprofundamento da sua prática artística. “O meu objectivo principal é continuar a desenvolver a minha prática artística”, afirma, sublinhando a vontade de aprofundar o domínio da pintura, sem deixar de explorar e implementar aspectos de outras áreas artísticas. Neste momento, encontra-se a produzir o seu projecto final de curso, etapa que assume particular importância no seu percurso académico e criativo.
No que diz respeito a influências artísticas, o jovem artista reconhece a dificuldade em afirmar um estilo único. “Afirmar um estilo específico é um pouco complicado”, admite, explicando que aprecia artistas inseridos em épocas e estéticas muito diferentes. No passado, aponta John Singer Sargent e Will St. John como as suas principais referências. Actualmente, os artistas que mais tem investigado e acompanhado são Andrew Wyeth, Luís Melo e Louise Giovanelli, cujos universos visuais e abordagens continuam a despertar o seu interesse.
Entre as obras que produziu até hoje, há uma que assume especial relevância no seu percurso. “A produção que mais me marcou até hoje foi a pintura ‘As cicatrizes não me impedem de repetir’”, revela. Trata-se de uma tela de grandes dimensões, com 180 por 160 centímetros, pintada integralmente a óleo, que considera particularmente significativa no seu desenvolvimento enquanto artista.
O reconhecimento do seu trabalho chegou recentemente com a atribuição de um prémio ibérico, distinção que recebeu com grande satisfação. “Foi extremamente gratificante receber este prémio, e sinto-me extremamente agradecido à Bienal do Eixo Atlântico por me ter concedido esta oportunidade”, afirma. Este reconhecimento já se traduz em novas oportunidades, estando prevista, em breve, a inauguração do Prémio Artes Plásticas – Henrique Silva, exposição na qual uma das suas obras passará a integrar a colecção apresentada ao público.
Relativamente à obra distinguida no âmbito deste concurso, António Afonso explica que esta segue a mesma narrativa que tem vindo a explorar no seu trabalho recente. “A criação de espaços que equilibram o fictício e o real”, descreve, referindo-se a locais familiares que abrigam devaneios e situações ambíguas. Através dessas composições, procura enfatizar um discurso entre o familiar e o estranho, convidando o observador a uma leitura sensível e introspectiva da sua pintura.













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