Pedro Moreira: 12 anos de entrega à freguesia que o viu nascer

É um filho da terra e é na terra que pretende ficar. Nasceu em Meinedo, em 1968, terra que o viu nascer, crescer e viver até hoje. Depois de tudo o que Meinedo lhe proporcionou, Carlos Pedro Teixeira Moreira quis dar mais de si, sendo presidente da Junta de Freguesia, juiz da cruz e realizar a festa em Honra de Santo Tirso.

Humilde e amigo do amigo são os principais adjetivos que definem Pedro Moreira. É pai de três filhos, acredita ser um “coração de manteiga” e pensa mais nos outros do que em si próprio. “Não sei se será bom ou mau, mas, felizmente, tenho este dom, sou mesmo amigo do amigo e, no geral, defino-me um homem de povo”, revela Pedro Moreira.

Em Meinedo frequentou o Ensino Primário e a catequese, entre muitos outros movimentos associativos. Não esconde o orgulho e a paixão que tem pela freguesia e é lá que pretende ficar. “Sou natural e cresci em Meinedo e conto ficar por cá muitos anos”, orgulha-se.

Com apenas 20 anos, lançou-se no mundo do empreendedorismo e abriu o seu próprio negócio. “Desde muito novo que frequentava a arte de eletricista, até que fiz o 2.º ciclo, atual 6.º ano, que na altura era obrigatório, e fui trabalhar com os meus antigos patrões, que já éramos amigos e enquanto andei na escola sempre que podia ia com eles. Estive lá até fazer 20 anos”, recorda.

Em 1989, um acidente mudou-lhe a vida e o que seria uma brincadeira transformou-se na “Pedo Moreira & C.ª Lda”, que se mantém até hoje.

“Entretanto tirei carta, comprei o meu carro e tive um acidente, previa-se que ia ficar com um problema numa perna. Pedi à minha entidade patronal para me ceder o seguro de saúde, mas nesse dia tinha tirado o dia para fazer ‘biscates’. Por força maior, aqueles clientes já me conheciam e iam-me chamando para ver uma avaria. Até que fui convidado para fazer a Cooperativa, e, nessa altura, estabeleci-me”, afirma.

“Todos nós temos objetivos e ilusões, mas não estava nos meus horizontes estabelecer-me.”

Começou sozinho, mais tarde com um ajudante, até crescer para 70 funcionários. Hoje, são cerca de 40, mas pretendem “manter este patamar” e o sucesso da empresa. “Todos nós temos objetivos e ilusões, mas não estava nos meus horizontes estabelecer-me. Poderia vir a estar com o tempo, mas não tinha ninguém no mundo dos negócios na família. Acredito que há males que vêm por bem e o acidente foi um despertar para me lançar para o negócio”, conta.

“Nunca tive horário para sair e não ganhava mais por isso.”

“Foi a força dos clientes do meu antigo patrão, que me procuraram. Sempre fui um funcionário dedicado, nunca tinha horas para sair das obras, era uma pessoa que se o meu patrão não me fosse buscar eu estava sempre a trabalhar. Tudo isto passava uma imagem para cliente final muito boa. Nunca tive horário para sair e não ganhava mais por isso”, reforça.

Vontade de fazer mais pela freguesia

Pedro Moreira sempre demonstrou vontade de fazer três coisas na vida: fazer uma festa grande na freguesia, ser juiz da cruz e candidatar-se a presidente da Junta de Freguesia. “Se ia correr bem ou não, não sabia, mas isso tinha de o fazer, porque estava em dívida comigo mesmo. A minha vida estava a correr bem, já tinha atingido um bom patamar e senti-me na obrigação de ajudar e dar algo de mim a quem me ajudou e viu crescer”, revela.

“Fiz a Festa em Honra de Santo Tirso, em 2008, foi muito boa e segurei a festa durante cinco anos. Em 2009, candidatei-me a presidente de Junta, apesar de já ser convidado desde 1989. Na altura, pedi ao atual presidente para pavimentar este caminho que era terra e era uma luta de há muitos anos, que de um lado é Meinedo do outro é Caíde. Aí, pôs-me na lista dele e foi a partir daí que ficou o bichinho”, confessa o autarca.

“Consegui dar a volta por cima, pagamos tudo a toda a gente, fizemos algumas obras, não as que queríamos, mas felizmente a população está contente.”

Assim, em 2009 assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Meinedo. “Estou contente, a população deu-me uma alegria muito grande e era um sonho. Não é fácil, herdei uma dívida muito grande. Consegui dar a volta por cima, pagamos tudo a toda a gente, fizemos algumas obras, não as que queríamos, mas felizmente a população está contente”, reflete.

Para se estar na vida política, acredita, “tem de se ter um dom próprio, porque não é fácil. Para além das dificuldades, também apanhei a crise em 2009, uma crise muito dura, apanhamos muitas insolvências e a minha própria empresa sofreu com isso. Dediquei-me à Junta, apanhei muitas crises e perdi muito em cinco anos”.

Nessa altura, pensou em alargar os seus horizontes e procurar melhores condições de vida fora de Portugal. “Abri uma empresa em Moçambique e na viagem ainda fui muito entusiasmado, não conhecia a realidade do país, e até gostei, mas, ou abdicava da empresa num lado ou no outro. No regresso, decidi apostar em Lisboa. Começamos a apostar nesse mercado”, lembra.

“Já tenho meu filho a trabalhar comigo e, para além da sua formação, está a tirar vários cursos para ter um conhecimento global do que é uma empresa e tal como dizia o meu avô e o meu pai: ‘o saber não ocupa lugar’ e quanto mais aprenderem mais ficam a saber. Espero que seja uma grande ajuda, porque também não queria trabalhar até muito velhinho”, confessa o empresário.

Marcas deixadas na freguesia

Prestes a terminar o terceiro e último mandato, o balanço que faz da sua presidência é positivo. “A minha passagem por Meinedo deixou muito a ganhar à população. É evidente que o orçamento de uma junta é muito pequeno, não podemos prometer o mar e a terra, porque não temos capacidade, mas deixei uma marca importante”, acredita.

“O orçamento de uma junta é muito pequeno, não podemos prometer o mar e a terra, porque não temos capacidade, mas deixei uma marca importante.”

Entre as várias conquistas, destaca o regresso da farmácia na freguesia, “conseguimos trazer de volta a farmácia e num tempo em que as farmácias estavam de luto e a maior parte estava a fechar, prometi que Meinedo voltaria a ter farmácia e Centro de Saúde, foi uma luta, mas consegui”.

“Temos, ainda, o areinho e uma zona de lazer, um sítio junto ao rio Sousa. Prometi um espaço para as pessoas caminharem e praticarem desporto e vou concluí-lo até ao fim do mandato, com o equipamento de ginásio ao ar livre, casas de banho. Tudo isto num terreno que ofereci à freguesia. Abrimos muitas ruas, cobrimos a freguesia com água e saneamento e já temos as ruas praticamente todas iluminadas”, refere o atual presidente da Junta de Freguesia.

Atualmente, acredita que Meinedo “está bem rodeada em termos de acessibilidades, temos a felicidade de Meinedo ser atravessada pela via-férrea e ter bons acessos. Já não vai ser no meu mandato, mas Meinedo vai ter uma área irreconhecível. Desenvolveu-se muita coisa e se me perguntassem haveria muito mais para desenvolver”.

Vida associativa

Com uma vida ligada aos movimentos associativos, patrocinou e apoiou diversos movimentos, não só no concelho, como em toda a região. “Fui presidente do Meinedo, fiz parte do Caíde de Rei, dirijo a Associação ‘A Grande Janela’, uma associação criada por mim, que neste momento está parada devido à pandemia”, conta.

“Quando me candidatei, prometi que iria fazer muitas coisas, mas iria fazer pela associação, porque a Junta de Freguesia tem um orçamento e não passa disso.”

“Quando me candidatei, prometi que iria fazer muitas coisas, mas iria fazer pela associação, porque a Junta de Freguesia tem um orçamento e não passa disso”, refere, explicando que, assim, decidiu criar a associação para fazer face às necessidades da freguesia.

O objetivo é “fazer atividades do Dia da Mulher, Dia da Criança, levar os alunos do 4.º ano a Lisboa no final do ano, um passeio por ano para os idosos e para irmos à praia”. Para além disso, “fiz parte do Romariz e patrocinei muitas coletividades da freguesia.  Faço BTT com um grupo de amigos, jogo futebol de salão e de ir à caça”.

“E vou continuar a fazer isso, independentemente do resto. Não quero seguir mais a vida política, vou dedicar-me mais à minha família e viver mais a vida, continuando a ter o coração que tenho e ajudar quem me ajudou a ser o que sou hoje”, determina.

Questionado sobre o que lhe falta fazer, não hesita: “ir à lua”, brinca. “Quero ver crescer os meus filhos, desejava ter netos e ter a oportunidade de os ver crescer. Sinto-me um homem realizado. Ambição política não tenho nenhuma e empresarial espero manter a empresa viva”, termina.

Questionado sobre o que lhe falta fazer, não hesita: “ir à lua”, brinca. “Quero ver crescer os meus filhos, desejava ter netos e ter a oportunidade de os ver crescer. Sinto-me um homem realizado. Ambição política não tenho nenhuma e empresarial espero manter a empresa viva”, termina.

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