São a primeira empresa com máscaras certificadas em Lousada
Sandra Ribeiro tem 34 anos e reside Macieira. Atualmente é proprietária de uma empresa de confeção têxtil, que começou com o pai e o irmão há 29 anos, a Irmãos Jota, Lda.
A confeção de camisas e blusas dava trabalho a 40 funcionários, até que a pandemia veio desestabilizar a vida da empresa, verificando-se uma redução drástica do volume de trabalho. A solução foi aderir ao layoff e fechar temporariamente a empresa.
Mas a paragem havia de durar apenas 5 dias, pois a confeção de máscaras foi a tábua de salvação. “Comecei a fazer máscaras a feitio. Depois lembrei-me de certificar uma máscara”, explica.
Processo de certificação difícil
Mas Sandra sabia que a comercialização das máscaras não iria ser um processo fácil. “Os principais problemas eram conseguir comunicar com a empresa responsável. Queríamos saber o que tínhamos de fazer e ninguém nos dizia. Ao fim de três semanas é que consegui ter uma resposta”, conta.
Sem uma resposta, Sandra enfrentava a indefinição quanto ao futuro, chegando ao desespero, tantos eram os entraves à certificação. A comunicação social veio dar uma ajuda. “Depois de um artigo que saiu no Facebook de um lousadense, Manuel Pinho e da reportagem da Sandra Felgueiras, foi «tudo a eito»”, diz.
Depois do programa na televisão, seguiu-se a certificação no dia seguinte. “Ajudou muito, pois estava muita coisa escondida. Não facilitavam a vida às empresas em nada e dava a entender que havia um lobby para este tipo de
produto”, refere.
Dadas as dificuldades do processo, poder-se-á pensar que as exigências na certificação eram muitas. Mas não! Sandra explica que as exigências apenas eram ao nível das medidas: “Estivemos muitas vezes em Famalicão de propósito para saber e só nos diziam que estava no laboratório”.
No dia 24 de abril, obteve finalmente a certificação. Um email recebidodava conta do código atribuído pelo CITEVE, que atestava a aprovação da máscara produzida. “Fui das primeiras a ter aquele tipo de certificação e a partir daí começaram a surgir muitas empresas com máscaras certificadas”, afirma.
A Irmãos Jota foi a primeira empresa lousadense com máscaras certificadas e a primeira encomenda foi para a autarquia e para as freguesias do concelho. O presidente da Junta Fausto Oliveira foi um dos que ajudou no processo: “Fausto Oliveira ajudou imenso no processo de certificação. Foram muitas horas perdidas, muitas horas ao telefone, pois ninguém nos
atendia para explicar nada”.
A certificação impediu, assim, o encerramento da empresa e salvaguardou os postos de trabalho. Sandra acabou até por ter de entregar trabalho a outras fábricas. “Acabei por ter muita procura e acabei por ocupar a minha fábrica, dando trabalho para mais cinco fábricas”, conta.
Esta situação implicou algum investimento a nível de aquisição de máquinas, adaptação a nível informático e adaptação às vendas online. A empresa produz duas máscaras: uma aprovada para vinte e cinco lavagens, outra aprovada para vinte lavagens, com um tecido à frente para bordar. Também é produzido o tamanho infantil.
Máscaras importadas da China prejudicam produção nacional
Atualmente, a fábrica já está a laborar normalmente em camisas e blusas, até porque o mercado está saturado de máscaras. No entanto, as encomendas deste produto vão chegando, pelo que continua a ser produzido nesta unidade fabril.
“O estado está a importar máscaras quando eu tenho máscaras nível dois, tipo um, que podem ser vendidas nas farmácias, dentistas, cabeleireiros… O estado está a importar da China, o que prejudica todo este setor. Só se preocuparam com a produção do têxtil portuguesa quando não havia possibilidade de importar máscaras”, lamenta.
Sandra acredita que o Estado compra mais barato, mas deixa a dúvida: “Quem é que as certifica? Quem garante que pode ir para a boca das pessoas. A mim exigem tudo, com os elásticos, esterilizadas, o filtro específico… No fundo, sentimo-nos abandonados mais uma vez, pois fiz o investimento e, neste momento, vejo o estado a virar-me as costas”. Estas circunstâncias causam alguma apreensão em relação ao futuro.












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