A noção de empreendedorismo jovem começa na procura de novas oportunidades com recurso à criatividade e à inovação. Começar um negócio do zero envolve um conjunto de desafios, muitas vezes difíceis de ultrapassar. Em Portugal, já existem alguns apoios ao empreendedorismo jovem, mas ainda exige investigação e planeamento. A maior dificuldade é conseguir o investimento inicial e ultrapassar as burocracias legais.
Nasceram no ambiente digital e conhecem as últimas tendências. As Gerações Z (até 24 anos) e Y (entre os 25 e 34), as que têm mais estudos, empreendem cada vez mais cedo. Mas não basta ter uma boa ideia. Entrar no mundo do empreendedorismo exige investigação e planeamento, no entanto, não faz com que estas gerações se acomodem depois do lançamento do negócio.
Rita Fernandes, de 25 anos, Paulo Ferreira e Nelson Silva, ambos de 26 anos, são um grupo de amigos e compõem a equipa MI.MOO. A ideia não é de agora, uma vez que sempre tiveram o objetivo de criar um projeto em conjunto, mas acabou por ser lançado durante a pandemia. “É algo que já temos vindo a falar e a trabalhar há um ano. Foi um processo bastante longo e bem pensado”, refere Nelson Silva,
O processo da escolha do nome “é engraçado, mas também demorado”. O seu objetivo era transmitir às pessoas uma “sensação familiar, para sentirem conforto, mas ao mesmo tempo carinho com aquilo que têm vestido”. Após várias ideias e sensações que os fizessem sentir acarinhados, “como sopa da mãe”, comenta Paulo, chegaram à palavra mimo.
No entanto, como a base da MI.MOO “é realçar a diferença entre as pessoas, separamos esta palavra, metendo mais um O, para causar o desequilíbrio na palavra”, explica o jovem. Por isso, esta marca é não binária, “tentamos criar esta diferença através do nome da nossa marca”, explica Rita Fernandes, acrescentando: “o ponto foi uma questão de estética, mas como a palavra também é escrita em braile, achamos que tudo o que tinha pontos iria acabar por complementar”.
“Tentamos criar esta diferença através do nome da nossa marca.” – Equipa MI.MOO
A marca tem registado dois logótipos, um é a MI.MOO, com a sua escrita a braile, o outro é a sopa de letras: “este logo, para já é a única palavra cruzada que existe, todos os nossos clientes recebem igual. Cada letra e cada palavra desta sopa de letras têm um significado”, explana Paulo. A equipa agradece ainda a ajuda crucial de José Marques, um deficiente visual, que testou o logótipo escrito em braile.
O espírito desta equipa passa por criarem coisas novas e diferentes. Esta marca é adaptada para doentes com deficiência visual, para já a primeira que existe no país. “Juntamos a nossa parte social, à parte de moda”, explana Paulo.

“É também uma marca ecológica, todo o material usado é 100% reciclado, é sustentável, é tudo a favor do ambiente e, mais do que nunca, é importante pensarmos desta maneira”, completa Rita Fernandes.
Um projeto 100% português, desde o embalamento até aos seus parceiros. Neste momento, têm dois parceiros: “um mais relacionado com a parte comercial, e outro com a parte da produção, que com a sua experiência nos ajudaram. Primeiro tivemos de criar um conceito e fechar uma ideia, apresentando-as ao mercado”, afirma Paulo.
Apesar de terem ajuda de pessoas com experiências, os amigos admitem que “nós erramos, ainda estamos na nossa primeira coleção e já sabemos de coisas que não devemos fazer”.
As dificuldades vão aparecendo, principalmente durante a pandemia. “É uma dificuldade transversal a todos os negócios, mas quando se trata de uma equipa jovem, a estrear-se neste mundo dos negócios, cada um teve de entrar bem consigo mesmo para trazer o bem para a equipa. Quando um de nós não se sente bem, a equipa tenta ajudar”, afirmam.
A procura de informação associada a esta deficiência nem sempre foi fácil. “Mesmo com a internet, que é um mundo completamente global, é difícil encontrar esta informação”, comentam.
A produção foi uma adversidade para o grupo, tendo mesmo de deixar por terra algumas ideias pensadas. “Nenhum de nós tinha experiência nesta área. Eram dificuldades que não podíamos evitar, porque nunca tínhamos passado por isto”, afirma Nelson.
Apesar de todas as dificuldades, a equipa em nenhum momento pensou em desistir, “o ponto fulcral é acreditar naquilo que vamos vender. Quando se acredita no produto, nunca se pensa em desistir”, refere Rita Fernandes.
O público-alvo desta marca é maioritariamente as pessoas com deficiência visual, “o nosso principal objetivo é que um dia uma pessoa com deficiência visual possa acordar, ir ao armário e, ao tocar na sua roupa, possa perceber o sentimento que está a transmitir com a sua indumentária”, salientam. O grupo afirma que “comprar uma t-shirt MI.MOO, é comprar uma experiência, um conceito”.
Um dos sonhos deste projeto não passa por uma loja, mas sim “ver em Lousada alguma iniciativa a promover esta causa e a MI.MOO estar lá numa bancada”, complementam. Outro grande sonho do grupo é que a marca dure para sempre, “termos novos produtos e um dia mais tarde termos uma fábrica que produza só para nós, ver a MI.MOO não só em Portugal, mas também distribuída por todo mundo”, finaliza Nelson.
Amor pelas corridas e fotografia tornou-se num projeto profissional
Miguel Matias, de 22 anos, descobriu a sua paixão pela fotografia muito cedo. Começou por fotografar eventos de motorizadas como um hobby, mas rapidamente se tornou em algo mais. “Realizadas as fotos, havia aquele sentimento de necessidade de as mostrar ao público e aos adeptos da modalidade”, afirma o fotógrafo. Com a ajuda e ideia do seu irmão, decide então criar a “Photography MM team”, dando início a esta aventura, em 2012.
Este projeto passa por registar outra das suas paixões, “momentos de todo o tipo de desporto motorizado”, explana Miguel, juntando assim dois dos seus grandes fascínios.

Mas para que tudo fosse possível, Miguel contou com duas grandes ajudas. A sua família e os seus amigos, sem eles, admite que não seria possível e está muito grato por todo apoio que tem recebido ao longo destes anos.
“Realizadas as fotos, havia aquele sentimento de necessidade de as mostrar ao público e aos adeptos da modalidade.” – Miguel Matias
No entanto, as dificuldades acontecem naturalmente. A que mais sentiu foi a de “atingir o reconhecimento desejado. No início é sempre difícil, porque é preciso ganhar a confiança das pessoas que nos seguem”, acrescenta.
Mas desistir nunca esteve nas suas opções “quando iniciamos este projeto foi com base numa grande paixão pelo desporto motorizado, por isso, as dificuldades nunca foram um obstáculo ou uma dor de cabeça, o que fez com que nunca tivéssemos posto em hipótese abandonar o projeto.”, admite.
O fotógrafo deseja continuar a desfrutar de grandes momentos e emoções que este projeto lhe tem trazido. “Quando fazemos as coisas por gosto o trabalho sai melhor e os resultados acabam por evidenciar o sucesso. É neste caminho que queremos continuar”, finaliza.
Da paixão de um emprego à criação de um negócio
Sara Pereira é mais uma jovem empreendedora lousadense, que abriu o seu negócio na área da estética e beleza.
Esta ideia surgiu depois de a jovem passar por empresas deste ramo e a “paixão pela área despertou-me o interesse de ter o meu próprio negócio”, afirma a empreendedora. Na altura, Sara já geria os seus clientes e organizava a sua agenda, achando assim “que era altura de arriscar”, completa.
Este projeto começa por “proporcionar um serviço de excelência que permita às pessoas melhorar a autoestima, bem-estar físico e psicológico”, comenta a jovem.
“Paixão pela área despertou-me o interesse de ter o meu próprio negócio.” – Sara Pereira
Sara acabou por arriscar tudo para criar o seu próprio “cantinho”. No entanto, inicialmente, não começou o seu negócio num espaço físico. Sem ajudas e apenas com as suas poupanças, a empreendedora dá asas ao seu objetivo.
“Numa fase inicial não tinha espaço físico, precisava apenas da máquina e de um transporte para me deslocar aos clientes.”, explica. Mas o seu sonho passava por ter um espaço próprio, onde pudesse proporcionar conforto aos seus clientes e a outros profissionais que ainda estão em início de carreira.

“A ideia de criar um espaço físico veio depois, quando na pandemia decidi alugar um espaço e assim criar o meu ‘cantinho’, com o objetivo de, não só praticar a minha área, mas ainda permitir a outros profissionais que exerçam as suas áreas.”, conta.
Com a pandemia, a jovem sentiu o atraso do seu negócio, “porque sendo a área da estética é contacto direto com as pessoas, não tinha qualquer forma de exercer. Foi aí que iniciei as obras da loja”, testemunha.
Apesar da pandemia e de todos os atrasos que sentiu no seu negócio, garante que desistir nunca esteve nos seus planos, “mas tive momentos de insegurança, penso que é normal, principalmente pelos tempos que vivemos”.
Neste espaço podem encontrar não só a depilação a laser, mas também “usufruir de outras valências. Procuramos ajudar a ultrapassar as adversidades dos tempos que vivemos”, finaliza a empreendedora.
No futuro, tenciona expandir o seu negócio e criar mais oportunidades de emprego.












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