por | 6 Jun, 2022 | + Literacia, Educação

+ literacia: Vamos falar sobre Tabus?

Mas afinal o que é um Tabu?

Antes de falarmos abertamente sobre este assunto, devemos conhecer o seu significado e o motivo de ser tão importante.

Bom, de acordo com o dicionário seria algo proibido ou impróprio de ser abordado por motivos religiosos, culturais e/ ou sociais e até acho que esta definição se encaixa bem no significado da palavra, mas mesmo assim continua a traduzir uma visão muito superficial. 

Muitas vezes, se determinados assuntos fossem esclarecidos e abordados de forma coerente e acessível, isso pouparia as pessoas de cometerem erros devido à desinformação e à vergonha de falar sobre eles.

E que assuntos são esses de que se evita falar?

Ora, vejamos, são vários: como a orientação sexual e a identidade de género, o sexo, o aborto, o suicídio, os problemas psicológicos, etc. São assuntos que são muitas vezes encarados como repugnantes, vergonhosos e impróprios. Mas vamos falar um pouco mais acerca deles e de como influenciam a vida das pessoas.

Orientação sexual e identidade de género

As pessoas tendem a confundir sexo com género e “Deus me livre” se alguém as contrariar, porque são capazes das reações mais inesperadas. Mas como ninguém me pode agredir virtualmente, vou esclarecer as diferenças entre estes dois aspetos: o sexo está relacionado com elementos do corpo, nomeadamente a genitália, aparelho reprodutor, etc. Ou seja, há a genitália feminina (vulva/vagina) e a masculina (pénis). Também existe as pessoas intersexuais que têm sexos ambíguos ou nenhum. Já o género tem a ver com a construção social do sexo biológico.

Agora que já está tudo um pouco esclarecido, vou usar mais uma vez o exemplo dos pais. Quem nunca ouviu “Isso é coisa de menino(a)” ou “Sê mais masculino/feminina”. Este tipo de frases são consideradas normais, mas por vezes são ditas em circunstâncias inadequadas, porque o ser humano quer instaurar um rótulo de normalidade, e um exemplo puro disso é a sexualidade. 

Desde pequenos que somos ensinados que os meninos devem gostar de meninas e as meninas devem gostar de menino. Ou seja, este padrão é assim considerado o normal e evita-se falar sobre os homossexuais, porque “isso” é considerado estranho, nojento, etc., e as pessoas que evitam falar disso utilizam sempre a mesma desculpa: “Ele é muito novo para saber qual é a sua orientação sexual”, sendo que preparam os filhos desde pequenos para só gostarem do sexo oposto.

Sexo 

Acho que toda a gente já ouviu os pais a dizer “Namorar só depois dos vinte” ou até mesmo “Não quero namoradinhos cá em casa”, mas quase ninguém falou abertamente com os pais sobre os seus relacionamentos, as suas dúvidas e questionamentos, muitas vezes por causa da vergonha, mas também porque nunca tiveram liberdade para falar sobre este assunto. E, só para esclarecer, convém lembrar que a censura sexual não vai evitar a gestação precoce ou a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, ensinar adolescentes, e não só, sobre métodos contracetivos e ensiná-los a respeitar o seu corpo e o dos outros é muito mais eficaz do que proibir.

Associado a este assunto temos o aborto, a masturbação, principalmente a feminina, o orgasmo, a gravidez precoce e o prazer. Assuntos que mais uma vez não são discutidos, não são conhecidos, porém são de extrema importância e toda a gente devia conversar sobre eles e ter mais informação.

Suicídio e problemas psicológicos

E chegamos a uma parte bastante delicada… Há muitas pessoas que desenvolvem problemas psicológicos e mais uma vez os pais dizem “É só uma fase” ou “É falta de porrada”. No entanto, cada vez mais estes problemas psicológicos (que não foram devidamente tratados) podem tornar-se num problema ainda maior: o suicídio. Mas agora, que pouco ou nada há a fazer, são os pais que choram e que se arrependem, porque não perceberam que os filhos pediram ajuda mas não os ouviram.

Os pais são sempre culpados?

Não, não me interpretem mal, não são só os pais, mas também a pressão social, os amigos, os familiares e tantos outros aspetos que influenciam nisto. Eu apenas dei o exemplo dos pais, porque normalmente são eles que nos educam e eles também erram, mas até para isso há um limite, dado que há erros que são incorrigíveis.

“No meu tempo não era assim…”. Se pensam que antigamente não se falava de assuntos assim, só vos digo que todas as ideias novas um dia já foram modernas até deixarem de o ser e ninguém deve julgar o outro por não saber, mas sim por não querer saber.

Maria Sofia Mota, 9.º ano
Agrupamento de escolas de Lousada Oeste

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