Susana Ribeiro, emigrante em Lyon (França): “Tenho saudades de ouvir falar português”

Foi em Novembro de 2015 que Susana Ribeiro decidiu emigrar. A cidade de Lyon (França) foi o destino e deixou tudo e todos para trás. “Até o namorado, Carlos Manuel, que é o meu marido. Ele viu que eu estava determinada, que não ia voltar para Portugal, então veio ter comigo, em Agosto de 2016 e cá estamos”, conta a jovem lousadense, que está encantada com aquela grande cidade francesa.


“Eu tinha trabalho fixo, em Portugal, como vendedora de artigos de desporto, já exercia essa função no comércio há mais de 4 anos, mas não me sentia realizada a nível profissional, senti-me esgotada e explorada pelos horários e exigências do trabalho e não tinha a devida recompensa a nível salarial; nessa altura tentei conciliar o mestrado de educação visual e tecnológica no ensino básico, na Escola Superior de Educação, com o trabalho, mas a empresa não me facilitou em nada e nem usei o estatuto trabalhador estudante, pois só conseguia ir às aulas de 15 em 15 dias porque trabalhava sempre uma semana de manhã e outra de tarde, de Segunda a Domingo, com uma folga semanal”, explica.

“A falta de hipóteses no ramo da minha Licenciatura desmotivou-me, e a nível pessoal também sentia que minha vida monótona, sem evolução, sentia-me desiludida com tudo em geral e optei mesmo por desistir de tudo e de Portugal, pois mesmo que mudasse de trabalho, só tinha vagas na área do comércio em Lousada ou nos arredores talvez até conseguisse que fosse um pouco mais bem paga, mas não era o que queria fazer para o resto da minha vida”, confessa Susana Ribeiro. “Essa crise da minha vida fez-me reavaliar tudo e tive a oportunidade de emigrar, pois o meu irmão estava a viver em Lyon nessa altura, onde fui recebida e orientada nos primeiros tempos. Emigrar foi para mim ter uma hipótese de escolher algo mais, foi uma forma de eu ter esperança e acreditar em dias melhores”, declara esta lousadense.

Descreve a cidade de Lyon como “uma cidade bonita, que oferece uma vida cultural moderna”, além de que “é muito acessível pelos transportes públicos aqui funcionam bem tanto em autocarro como comboio e metro, ou também pudemos alugar bicicletas ou trotinetas, pois estão ao dispor pela cidade”.

Aquela cidade francesa “tem muitos habitantes de todos os países, é possível encontrar aqui pessoas de todo o mundo, com histórias e realidades bem diferentes da Europa. A cidade tem ao dispor bons restaurantes, cafés, museus, bairros históricos, sítios para praticar desporto e muitos jardins com vários parques para as crianças poderem brincar. No coração de Lyon temos um grande jardim, o Tete d’Or, onde pudemos sair um pouco do ritmo da cidade e respirar o verde da natureza perto dos animais, pois esse parque tem o jardim botânico e o zoológico”, descreve entusiasmada. E prossegue a caracterização de Lyon referindo que “tem uma beleza arquitetónica antiga, da época medieval a que chamamos zona do velha de Lyon e depois temos parte nova construída com arquitetura moderna. Pelo centro da cidade passam dois rios, o Shone e o Rhone, que se juntam aqui em Lyon, onde chamam de confluence. Há muitos pontos turísticos para visitar, um dos principais é A catedral da Fourvriere, que fica numa colina onde é possível ter uma vista panorâmica de quase toda a cidade de Lyon”.

Apesar de todas as vantagens de viver ali, Susana Ribeiro fala de saudades: “sinto falta dos meus familiares mais próximos e de alguns amigos que deixei em Portugal, mas como tudo na vida com o tempo perdemos certos contactos e deixamos de estar presentes e de fazer e de sentir falta. Também sinto falta do nosso mar, do nosso sol , da terra onde cresci, assim como de algumas comidas nossas que só aí conseguimos comer e sentir o verdadeiro sabor de Portugal”. E acrescenta que por vezes tem saudades do simples facto de ouvir pessoas a falar português.

Emigrantes que mostram uma realidade falsa

A adaptação ao novo país foi facilitada pela presença de familiares que a apoiaram nos primeiros tempos: “Quando cheguei a Lyon tive que me adaptar e o meu primeiro bloqueio foi a língua. Eu não dominava o francês, nem o inglês, nem o espanhol. Apesar de eu ser jovem, línguas não era a meu forte. Além disso, tive que me adaptar aos horários agressivos, acordar às 5h da manhã para trabalhar às 6h, acho que ainda hoje sofro com estes horários, não é de todo o que eu amo. No início tive que começar por trabalhos que eu pudesse executar sem precisar de falar muito, então comecei por fazer limpezas numa creche onde fiquei 3 anos a tempo parcial e conciliava com mais limpezas em algumas casas particulares”.

Entretanto aconteceu uma mudança importante: “Fui mãe pela primeira vez. Após isso, tirei um breve curso de francês e fiz um curso de 9 meses em bijuteria e joalharia, para conseguir entrar no ramo criativo, porque sempre foi esse o meu plano, conseguir algo no dentro da área de artes para me sentir mais realizada. Mas mesmo aqui com uma licenciatura de artes plásticas tirada em Portugal e válida na União Europeia, em Lyon eles não ligam muito a isso e priorizam as formações feitas cá”. Mas Susana insistiu e conseguiu trabalho “no ramo criativo, após a formação que fiz em Lyon, a fazer pintura sintética, com resinas pintava por exemplo as medalhas da polícia nacional de toda França. É um trabalho raro em Lyon, onde só existe esta empresa onde fazem pinturas sobre o metal”.

“Trabalhei três anos na fábrica que faz medalhas, troféus e brindes, mas este ano resolvi sair da empresa, para ampliar os meus conhecimentos no ramo da joalharia e trabalhar com ouro e ter outra perspetiva de como é trabalhar com metais preciosos ampliar meu conhecimento Neste momento estou dedicada também ao meu pequeno negócio onde faço bijuteria de fantasia com recursos básicos com a marca Subijouxcolore e divulgo no Facebook e Instagram e tenho as minhas peças em Lousada, expostas para venda na loja Dama Store”, relata Susana Ribeiro.

Voltar definitivamente a Lousada está nos seus planos. “Sim, eu acho que um dia eu volto para Portugal. Não vim para cá com um prazo ou um tempo definido. Enquanto sentir que aqui é a minha casa, eu vou me deixar estar, enquanto eu sentir que vou tendo oportunidades eu vou estando cá. Não vou dizer que tudo tem sido fácil, não é verdade, temos que procurar aquilo que queremos e tirar proveito do meio onde estamos para crescer e vivermos da melhor forma, com qualidade de vida”, justifica.

Tocando num assunto muitas vezes ignorado ou silenciado, Susana Ribeiro afirma com franqueza e espontaneidade que “viver Franca não foi tudo como eu imaginava, pois achava que ia ganhar muito e no fim a gente ganha mais, mas também tem despesas. Só no aluguer da casa vai quase um ordenado. Em Portugal vê-se certos emigrantes que chegam com carrões e gastam bastante nas férias, mas muitas vezes passam uma realidade que nem sempre é verdadeira”.

Em jeito de conclusão, a nossa entrevistada afirma que “viver em Lyon deu-me uma perspetiva da Europa que eu não tinha e fez-me evoluir pessoal e profissionalmente e continuo ainda a querer aprender mais. Para já valeu a pena pela experiência e pelo que me fez crescer. A vida não é cor de rosa, mas eu que insisto em colorir os meus dias”.

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