por | 21 Jun, 2023 | Cultura, Toponímia Louzadense

Rua Palmira Meireles

Palmira Olímpia da Silva Melo nasceu a 24 de Outubro de 1884, na freguesia de São Dinis, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real. Seu pai era funcionário administrativo num colégio vilarealense e desde muito cedo a menina Palmira, que haveria de ser Meireles, por casamento em Louzada, despontou para as artes e para as ciências educativas com um potencial imenso.

A versatilidade era uma característica do seu talento, pois dominava diversas áreas artísticas. Foi uma pianista de eleição e autora de escritos formidáveis. Era também apaixonada pelas artes em geral. Foi das primeiras mulheres a frequentar assiduamente a masculinizada Assembleia Recreativa e Cultural Louzadense de meados do século XX. Eram tempos de ditadura masculina, não só ali como nas outras instituições e na sociedade em geral.

Parece que ainda existe o piano no salão daquela entidade centenária. Nele interpretou obras de Chopin, Schubert e outros clássicos, perfumando o salão com música de encantar.

Com inolvidável mestria ensinou muitos Louzadenses nas lides musicais, nomeadamente através do Colégio Louzadense e mais tarde no Colégio Eça de Queirós. Essa histórica instituição da cultura e educação Louzadense foi inaugurada por si em parceria com o seu marido, Dr. António Leite Pereira de Meireles. Este médico, natural da freguesia de Lodares, casou em segundas núpcias com Palmira Melo, que haveria de ser para a história como Palmira Meireles.

Com esta designação ficou famosa, de tal forma que, com inteira justiça, faz parte da toponímia da Vila de Louzada: a Rua Palmira Meireles atravessa o lugar do Tojeiro, desde a Praça do Pelourinho até à Rua da Estrada da Bota.

É da sua autoria uma das mais aclamadas obras teatrais nesta localidade, chamada Pardais d’ Avenida, peça levada à cena pela primeira vez em 1947, ano de outro grande êxito, Louzada na Ribalta da autoria de António Augusto de Castro Gorgel.

Palmira Meireles compôs, encenou e musicou outras peças de teatro de revista, entre as quais O Senhor Comendador, igualmente com estrondoso êxito. O sucesso era tamanho que o grupo por ela liderada e composto por muitos alunos do Colégio fazia verdadeiras digressões pela região, nomeadamente em paróquias e colégios dos concelhos vizinhos.

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