por | 20 Jun, 2023 | Grandes Louzadenses

Januário Costa: O Empresário e o Motard

“O fator chave para o sucesso é, sem dúvida,  empregar muito trabalho e dedicação em todos os momentos”

Januário Costa, de 51 anos, é o grande louzadense desta edição. Após o matrimónio mudou-se para Paços de Ferreira, porém, brevemente tenciona regressar à sua verdadeira origem que tanto estima: Figueiras. Empresário de duas empresas do setor do mobiliário, fundador do Clube Motard de Figueiras, são alguns dos temas abordados. Conheça mais sobre este cidadão. 

“Resido em Freamunde, mas irei regressar a Figueiras em breve”, principia. A sua infância foi toda passada na sua freguesia e, de acordo com o próprio, foi bastante normal, fora a sua paixão por motos em vez de bolas. Jogar à bola nunca foi algo que apreciasse, visto que sempre preferiu as motos. Neste sentido, envolveu-se na criação de uma associação que será ao longo da entrevista mencionada. 

O lousadense tem uma irmã mais nova 1 ano e meio e, desde crianças, que a união e proximidade fazem parte desta ligação familiar. Naturalmente, os seus primeiros anos de vida foram passados com esta.

Aos 6 anos de idade, entrou na Escola Primária de Figueiras onde foi bastante feliz. Após esta passagem, frequentou a Escola Preparatória de Paços de Ferreira derivado a ser a instituição mais próxima da sua residência. O seu percurso escolar terminou no 9º ano de escolaridade, sendo que a principal razão para não prosseguir os estudos foi o facto de o seu pai ter uma empresa. 

Questionado se a sua decisão seria diferente se não houvesse um negócio na família, de imediato, refere que é impossível responder com precisão. “Eu tinha em casa um caminho que sempre gostei e convivi de perto, logo fui criando a ideia de segui-lo. Contudo, se o meu pai não tivesse este negócio, acredito que ingressaria na universidade pois era um bom aluno”, explica. 

Em nenhum momento teve algum receio ou hesitação pelo caminho que estava a escolher, na medida em que possui uma personalidade vincada e convicta. Todavia, aufere da consciência os momentos bons e menos bons da vida em que o pensamento tende a cair mais para o negativo do que para o positivo. 

Posto isto, aos 17 anos ingressou no mundo dos negócios ao lado do seu progenitor e não tem dúvidas que cresceu bastante na fábrica de móveis com a ajuda deste. Uma ajuda que, infelizmente, não prevalece pois o seu pai faleceu quando o lousadense tinha 27 anos. 

“Na altura do falecimento do meu pai, sem dúvida, que já estava a quase 100% à frente da empresa e prossegui com o negócio pois a minha irmã tinha seguido outro caminho”, declara. O lousadense assumiu o comando e, desde então, trabalhou para crescer gradualmente. 

Corria o ano de 2008 quando decidiu abrir outro negócio de raiz que acaba por ser um seguimento do negócio do progenitor, na medida em que é também no setor mobiliário. A sede das duas empresas situa-se em Figueiras, porém, a produção varia: a fábrica de móveis produz em Freamunde e a fábrica de estofos produz em Figueiras. 

Januário confidencia que o seu verdadeiro fascínio passa pela indústria em si, ou seja, pela parte da produção. Sendo assim, não é muito apaixonado pela comercialização do produto. 

“Trabalhar nesta área é preciso gostar-se, como em qualquer outra”, declara. Para mais, o empresário acredita que a juventude não se encontra virada para este setor pois existe falta de mão de obra que é colmatada com indivíduos imigrantes. Apesar das condições de trabalho serem melhores, os jovens não se veem dentro de uma fábrica todo o dia. 

Uma forma de suprir este problema, segundo o próprio, é haver mais cursos técnicos/profissionais direcionados para a área do mobiliário para que os adolescentes ganhem interesse. Todavia, muitas vezes, quem já frequenta os existentes apenas pretende concluir a escolaridade obrigatória e não dar continuidade. 

“O fator chave para o sucesso é, sem dúvida,  empregar muito trabalho e dedicação em todos os momentos”. As duas empresas do lousadense albergam 33 funcionários. 

Conforme referido no início, o lousadense possui uma paixão por motos. Um grupo de amigos tinha a ideia de constituir algo ligado ao motociclismo e, neste sentido, fundaram o Clube Motard de Figueiras em janeiro de 2002. Januário é o sócio fundador nº1 e, além disto, foi o presidente durante os primeiros 5 anos, mas por motivos profissionais foi obrigado a abandonar o cargo. 

O tempo não lhe permitiu dar continuidade na direção, porém, este jamais invalidou que continuasse a auxiliar naquilo que fosse possível e a participar nos demais eventos. “Há pouco tempo o clube fez uma sede e tudo o que pertencia à minha área ajudei”, conta. O empresário não almeja voltar a ser presidente porque o clube tem à frente um grupo incrível que está a cumprir na plenitude todas as tarefas. 

Contudo, pretende fazer algo mais pela freguesia na base da ação social. “Gosto de ajudar quem mais necessita e a minha ideia baseia-se em criar algo para as pessoas da terceira idade”, afirma. Esta é uma ideia que pretende vir a concretizar daqui há alguns anos. 

À parte desta fundação, não pertenceu a mais nenhuma associação. Na opinião do lousadense a parte cívica é um dever dos cidadãos que acabam por distrair-se e aliviar a carga ao fazer parte de algo, ou seja, ajudar a sociedade é uma adenda para ajudar-nos a nós próprios.

O empresário nos poucos tempos livres que possui não dispensa: de passar tempo de qualidade com a família, de confraternizar no Clube Motard de Figueiras, de assistir a desporto motorizado. Hoje em dia, apenas vê, derivado a um acidente grave que sofreu há 5 anos de moto que o feriu bastante a nível físico e psicológico. “Ainda não estou preparado”, confidencia. 

Januário é casado há 20 anos e do matrimónio resultou uma menina que já tem 17 anos. “Não fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim” é, indubitavelmente, a frase que emprega em todos os momentos da sua vida. 

Concluindo, Januário Costa aborda a sua origem: “a terra onde nasci, Figueiras, representa tudo para mim”. No entanto, não deixa de enaltecer toda a evolução e crescimento que Lousada tem sofrido.

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