por | 24 Nov, 2023 | Sociedade, Uncategorized

Tenham medo, muito medo, da Dark Web

A PROFUNDEZA OBSCURA DA INTERNET

Cada vez mais a Internet é um mundo de oportunidades conhecidas e maravilhas por descobrir. Mas os perigos também são maiores. Com tantas facilidades e benefícios que a rede virtual proporciona, nem sempre lembramos os riscos aos quais estamos expostos, como páginas falsas, diferentes tipos de vírus, vazamento de informações, pessoas mal intencionadas, e-mails maliciosos, roubo de dados e de identidade, entre outros. Isso ocorre na superfície da Internet (Surface Web) que conseguimos acessar livremente e que por si já nos expõe a tantos riscos. Mas, os outros níveis ou camadas, podem ser ainda mais perigosos. 

Para nos falar disto abordamos o engenheiro de software, Vítor Pacheco. Este afirma que “tanto o nível profundo da Internet (Deep web) quanto o mais obscuro (Dark Web) correspondem à área da Internet que não pode ser acedida diretamente através dos meios comuns como o browser ou os motores de pesquisa mais conhecidos como o Google ou o Bing”. Explica que “a conexão em ambos é feita por via do software Tor, que permite o acesso a sites e fóruns diferentes daqueles que estamos acostumados a acessar”.

Usando a analogia com um icebergue, Vítor Pacheco diz que “a Internet que usamos regularmente no dia a dia está na superfície, enquanto a Deep Web corresponde à maior parte, que está afundada na água e nela se enquadra a Dark Web, ainda mais profunda”.

Estima-se que a Deep Web representa cerca de 90% de toda a Internet, o que por outro lado significa que, a parte que a população mundial em massa usa, ou seja a superfície da Internet, corresponde a apenas 10%.

Mas então como é que estamos em contacto com esta parte mais misteriosa ou escondida da Internet? A isso responde Vítor Pacheco: “Quando uma pessoa acede à sua conta pessoal da sua loja preferida de roupa, quando troca mensagens através das variadas plataformas das redes sociais ou quando acede ao seu banco para consulta de extrato, tudo isto está na Deep Web. O que acontece é que todas estas páginas estão desenhadas para que não sejam disponibilizadas nos resultados de pesquisas, mas que podem ser acedidas após a confirmação da sua identidade (através de um login)”.

Falemos agora da Dark Web, que é uma área dentro da própria Deep Web e caracteriza-se por ser um mundo livre ou de libertinagem, conforme os casos, no qual se pode deparar-se e vivenciar o bem ou o mal. “É um território sem qualquer tipo de controlo, censura ou proibição, e como tal, os riscos são em maior número. Quem procura este meio, regra geral tem como objetivo permanecer anónimo, ficar longe das habituais ferramentas da Internet que rastreiam todas as nossas ações”, refere o especialista.

Cuidados a ter na Dark Web

O problema é que, diante disso, aquele ditado popular que diz que “a curiosidade matou o gato” faz todo sentido. “Esse pedaço oculto da Internet é realmente perigoso, uma vez que tem características que o tornam num sítio perfeito para crimes e práticas ilegais, que vão desde fraudes, pedofilia, comércio ilegal, venda de drogas e outras substâncias ilícitas, mas nela também é possível encontrar vídeos de tortura e até, imagine-se, contratar assassinos profissionais e até tráfico de seres humanos”.

Apesar do anonimato, “a polícia e as diversas entidades de segurança mundiais mantêm uma monitorização constante no sentido de encontrar falhas que permitam levar ao desmantelamento de redes criminosas e identificação de indivíduos. Há casos conhecidos em que isso ocorreu”, lembra o nosso entrevistado. Este sublinha que “o conceito simplificado que transmito aqui contrasta com a dificuldade de aceder a este mundo. O acesso requer ferramentas especializadas para esse fim e boas práticas recomendam o uso de VPNs, (rede privada virtual, do inglês virtual private network, é uma rede de comunicações privada construída sobre uma rede de comunicações pública)”. Diz também que “é recomendável a não utilização dos seus dispositivos pessoais”.

Por último, “mas não menos importante”, Vítor Pacheco alerta para o facto de que “o que inicialmente começa por ser uma simples visita por curiosidade pode ter como resultado o ataque à sua integridade com consequências irreversíveis. Um passo em falso pode fazer de si um alvo. Não tenho como objetivo assustar, no entanto é importante sensibilizar para os perigos que existem. A liberdade é algo bom quando usufruída com responsabilidade e consciência”.

Vitor Pacheco (engenheiro de software)

Imagem de capa @unsplash | Jefferson Santos

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