Hodiernamente, a importância das redes sociais deixou de ser discutida, para se apresentar como um facto assente de divulgação, promoção e dinamização de ideias, atividades, pensamentos… A globalização conectou o mundo de uma forma avassaladora, contudo, esta não substituiu a “vontade”. Que é muito diferente de ter apenas “boa vontade”.
No passado dia 17 de abril, estava eu, em pleno momento de lazer, conectado com as redes sociais – este artigo não existiria se eu estivesse a ler um livro – quando a minha viagem digital no facebook para numa publicação do Sr. Vereador do Urbanismo e Ordenamento do Território, Nélson Oliveira. Essa mesma publicação aparece como um anúncio pago – e não estou a questionar o que o Sr. Vereador faça com o dinheiro privado que lhe é pago pelo exercício das suas funções – de promoção, com o título: “Lousada Coworking: o teu novo espaço de trabalho e a custos reduzidos”.
Naturalmente, que merece alguma censura, pelo menos, do ponto de vista político, que a obra de um Vereador esteja dependente do que pode despender economicamente para a promover, e não do seu trabalho de campo: aquele que exige criatividade, impõe horas extras, obriga a realizar diversas e complexas reuniões e telefonemas, implica conversações, negociações.
Já o lavrei anteriormente, e volto a repisar, a medida é extremamente louvável, Lousada é um dos concelhos mais jovens do país, pode e deve reter o talento e não incentivar a sua exportação a custo zero, e até, quem sabe, se tornar numa bolha de concentração do talento nacional. Há espaço, há tempo e há futuro para isso.
Mesmo que tardia, a medida chegou. E deve ser este o ponto de partida. Contudo, não basta criar um espaço físico, não basta isolar o mesmo de burocracias e pagar para o promover. Sr Vereador, mui respeitosamente, é “poucochinho.”
A grandeza e as potencialidades desta ideia não se bastam com um anúncio, que pode chegar a muitos, mas não necessariamente os impele a levantar da cadeira e vir. A concretização deste projeto passa, em grande medida, por envolver empresários e empreendedores, escolas profissionais, Universidades e Politécnicos, para, desta forma, prestar à comunidade jovem a mentoria de que precisam no início, sempre atemorizado, das suas carreiras profissionais, permitindo-lhes sentir o incentivo necessário para transformarem as suas ideias em projetos, proporcionando oportunidades para testá-las.
Os valores monetários despendidos neste anúncio não mostram esforço ou trabalho, pois certo estou de que o espaço vai continuar vazio, como sempre esteve.
Não quero acreditar que o critério de promoção desta medida seja tão aleatório e que se baste por um anúncio num facebook. Algo precisa de ser explicado abertamente, sem pudor, o executivo liderado pelo Dr. Pedro Machado está vazio de ideias, a oposição está falecida (Paz à sua Alma!), não existe estímulo para fazer mais… do que um anúncio!
Modestamente, Sr. Vereador, e restante executivo local, partilho convosco, para vosso entusiasmo, a partilha que recebi de um CEO de uma start-up sedeada no Fundão. Esta partilha ocorre num meet-up, onde com vários empreendedores estávamos a partilhar a existência (ou não) de apoios locais ao empreendedorismo, quando o jovem CEO nos enaltece os apoios que tem recebido do Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Sr. Paulo Fernandes. Este jovem teve acesso a um programa de incubação e aceleração de empresas criado pelo Município, e o próprio Presidente da Câmara acompanha-o na sua trajetória ao ponto de recorrer aos seus contactos para que essa start-up pudesse testar o seu produto em várias empresas locais e nacionais. E isto não é propaganda política! É vontade, meus senhores!
Enquanto que o Sr. Vereador Nélson Oliveira demonstrou boa vontade, há imensos casos de sucesso em todo o país, como o caso do Fundão, que fica pertinho da Serra da Estrela, que pegou na cereja e tornou-a marca registada e transformou-se numa das cidades mais evoluídas tecnologicamente (com mais engenheiros informáticos por metro quadrado em Portugal). Isto é vontade!
E, seguramente, reside aqui a pedra de toque da atuação daqueles que assumem funções que prosseguem o interesse público: é urgente haver vontade, porque é isto que cria diferença no futuro. Porque, no fundo, a boa vontade, é ficar-se pelo like no mural do facebook. Abril trouxe vontade! Sr. Vereador, que lhe comece a faltar boa vontade. Porque essa não orgulha a Democracia. Só a vontade constrói pontes para as próximas gerações.
Pedro Mariano
Blog vamosjuntos.pt













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