por | 29 Abr, 2024 | Política, Sociedade

Quem quer o feriado a 13 de Maio?

DATA DE FUNDAÇÃO DA VILA DE LOUSADA

Na última sessão da Assembleia Municipal, foi questionada a possibilidade de se retomar a fixação do feriado municipal no dia 13 de Maio, “como se fazia antigamente”. Dessa forma voltava-se a celebrar a fundação da Vila de Lousada, que foi criada naquele dia, em 1842, por decreto régio da rainha D. Maria II, dando provimento a um requerimento da localidade que então se chamava Torrão. Mas, em 1955, o feriado foi alocado à segunda-feira da Festa Grande em Honra do Senhor dos Aflitos. Não se sabe com que intuito. Eventualmente para prolongar os festejos. Sobre a reversão dessa mudança, fomos auscultar algumas pessoas.

Por deliberação da Câmara Municipal de Lousada de 14 de Junho de 1911, presidida por Porfírio Coelho da Fonseca Magalhães, de Sousela, o feriado de Lousada foi fixado no dia 13 de Maio, por ser a data comemorativa da elevação do lugar do Torrão à categoria de “Vila de Lousada”. Esse estatuto tinha sido adquirido em 1842, através de uma portaria do Ministério do Reino de D. Maria II. A monarca deu provimento a uma petição elaborada dois anos antes por um grupo de proprietários locais que intercedeu junto da Câmara Municipal de Louzada para avançar com tal pedido.

No ano de 1955, o Executivo da Câmara Municipal de Lousada, presidido por Henrique de Castro Pereira Leite, deliberou que o feriado municipal fosse comemorado na segunda-feira da Festa Grande. Desde então, a festa do Senhor dos Aflitos passou a ser celebrada em três dias, quando até então se faziam no último fim-de-semana de Julho.
Retomar a data original e assim enfatizar e comemorar tão importante marco histórico para Lousada, foi a justificação aventada. Será isso possível, sem desenraizar o dia extra da Festa Grande? Outra questão se levanta: que efeméride se celebra na data do atual feriado? Para lançar o debate e a reflexão em torno desta temática, fomos ouvir algumas individualidades locais.

Para o historiador Cristiano Cardoso, “talvez a questão possa merecer debate público, embora considere que atualmente não haverá o ambiente sociopolítico favorável, dada a impopularidade de uma eventual mudança”. O estudioso lousadense reconhece a importância da data antiga pois “13 de maio foi o feriado municipal definido em função da carta régia de elevação da povoação do Torrão ao título de vila, com a designação de Vila de Lousada”. Contudo, lança também nova possibilidade para debate: “E por que não a data da restauração do concelho? Ou da carta de foral?”.

Seja como for, para Cristiano Cardoso “estaríamos sempre no plano das medidas simbólicas, quando em Lousada faz tanta falta debater questões estruturais que deveriam deter a atenção dos políticos”.

Também o professor Pedro Magalhães, afirma-se “consciente da importância histórica que o 13 de maio tem para Lousada” e considera que “não terá sido por acaso que essa data, após as determinações do Governo Provisório da I República, em junho de 1911, se tenha tornado no primeiro feriado municipal de Lousada”. Contudo, “a escolha do feriado (…) na segunda-feira das Festas Grandes está já enraizado e faz já parte da identidade lousadense”. Aquele docente de história e investigador conclui que “apesar da importância histórica do 13 de maio, não vejo razão para se retomar o feriado com referência a esta data, apesar de reconhecer que cada geração tem o direito de repensar estes assuntos, que, nos dias de hoje, devem obter um amplo consenso”.

No âmbito da Assembleia Municipal, onde o assunto foi levantado, quisemos ouvir as duas bancadas. Do lado do PS, Eduarda Ferreira surge na mesma linha de pensamento anterior: “em resposta à questão sobre se o Feriado Municipal deve ser alterado para 13 de maio, anulando a tradicional Segunda Feira das Festas Grandes, acho que deve existir uma reflexão mais cuidada, porque sem menosprezar tal dia, o facto é que desde há quase 70 anos que vivenciamos o feriado do concelho em plenas Festas Grandes, pelo que há uma tradição que se enraizou na nossa população e cuja expectativa não podemos trair, trazendo até prejuízo para as próprias celebrações festivas”. A deputada socialista crê que “não sendo viável a fixação de dois feriados municipais, creio que será muito difícil que esta alteração seja aceite pelos Lousadenses”.

Para Pedro Amaral, da coligação PSD/CDS, “é um tema interessante e que não deve ser descartado à priori sem uma reflexão sobre os interesses em contraponto entre a atual data e aquela que é proposta”.

Confessando-se conservador moderado e orgulhoso Lousadense, entende que “o valor da nossa história local, designadamente a elevação a Vila, é algo que devemos conhecer, reconhecer e estimular como marca identitária daquilo que nos une como Lousadenses.

Apesar disso, não podemos esquecer a importância social da data que atualmente compõe o Feriado Municipal, muito ligado também ao bairrismo e identidade local como sejam as Festas Grandes do Concelho”.

Independentemente disso, Pedro Amaral releva que “a classe política (na qual também me incluo) deve, sob pena de viver fechada em si mesma, estar atenta aos sinais que vão sendo transmitidos pela sociedade civil, refletindo sobre eles com maturidade e humildade, sobretudo quando falamos de fatores históricos como aquele que aqui se encontram em contraponto”.

Noticia do JL 18 Junho 1911_feriado municipal

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