Profundamente marcada pela emoção, pelo realismo e pela intensidade do olhar humano, as pinturas a óleo de Sandra Monteiro cativam os apreciadores de arte. Nesta entrevista ao jornal O LOUZADENSE, a professora conta a sua faceta de pintora e explica o seu estilo artístico.
A pintora Sandra Monteiro nasceu em Paris, cidade das artes, por execelência, mas foi em Lustosa, no concelho de Lousada, que cresceu e construiu a sua identidade pessoal e artística. Desde cedo desenvolveu uma forte ligação às Artes Visuais, especialmente à pintura, uma paixão que acabaria por moldar toda a sua vida.
Licenciada em Educação Visual, transformou a vocação em profissão e dedica-se também ao ensino, lecionando no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, no Porto, onde procura inspirar crianças e jovens. Paralelamente, continua a aprofundar o seu percurso artístico, explorando novas formas de comunicar através da pintura.
“O gosto pela pintura está cá desde sempre… desde que aprendi a entender-me”, afirma Sandra Monteiro, reconhecendo a influência dos grandes pintores realistas na construção da sua linguagem artística. O Realismo continua, aliás, a estar profundamente presente no seu trabalho, embora muitas vezes quebrado por pinceladas espessas e emotivas, que acrescentam profundidade, intensidade e vida às suas obras.
Com um olhar atento ao detalhe e uma técnica rigorosa, a artista procura retratar sentimentos humanos, sobretudo através da expressão corporal e facial. “É o que mais gosto de pintar”, admite, explicando que encontra no corpo e no olhar uma forma de comunicação mais verdadeira e completa do que as próprias palavras.
A sua técnica de eleição é, sem dúvida, a pintura a óleo. A riqueza das cores, a textura e a profundidade proporcionadas pelo óleo criam, segundo a artista, o cenário perfeito para expressar a sua visão artística e emocional.
A primeira obra vendida continua viva na sua memória. “Foi há cerca de dez anos. Era uma pintura de um céu”, recorda. Na altura, Sandra Monteiro sentia-se particularmente fascinada pelas nuvens ao entardecer, tema que explorava frequentemente nas suas telas.
Hoje, porém, o foco do seu trabalho centra-se sobretudo na emoção humana. É precisamente essa dimensão emocional que dá nome e identidade à exposição “Sentir’ES”, descrita pela própria como “um apelo à emoção, com total ausência de palavras”.
“O olhar, a expressão facial e corporal comunicam por si só. Aquilo que se diz no silêncio, com o brilho do olhar, é mais verdadeiro, é mais sentido, é mais completo”, sublinha.
Recentemente expôs as suas obras em Penafiel. Mais do que uma exposição convencional, “Sentir’ES” pretendeu ser “uma experiência de encontro entre a obra e quem a observa”, afirma a autora.
Além da pintura e do ensino, Sandra Monteiro continua empenhada em expandir o seu repertório artístico, procurando constantemente novas formas de explorar a criatividade e a emoção. Embora admita estar atualmente a estudar novas técnicas e abordagens, acredita que o núcleo da sua obra permanecerá ligado à verdade emocional.
“Pinto o que sinto. De momento sinto o mundo desta forma… Procuro a verdade e encontro-a na emoção”, afirma.
Quanto ao futuro, não fala em rupturas, mas antes em evolução. “Continuidade? Sim… digamos que novas formas de abordar a Emoção”, conclui.
Para Sandra Monteiro, a arte é muito mais do que uma profissão. É uma forma de vida, uma linguagem silenciosa através da qual continua, tela após tela, a dialogar com o mundo.
«CONFIANÇA»
A obra do cartaz da exposição realizada na Galeria São Martinho, em Penafiel, tem as características mais marcantes de Sandra Monteiro. A pintura centra-se na emoção humana, sobretudo na confiança e na vulnerabilidade. A figura feminina vendada sugere entrega, ocultação ou confiança. “É uma obra sobre a capacidade de entrega a todos os níveis”, explica a pintora.
Os lábios vermelhos destacam-se da paleta escura e sóbria, trazendo contraste e intensidade emocional. A iluminação dramática evidencia os contornos do rosto, as dobras do tecido e o relevo do suor que também podem ser lágrimas, aumentando a carga expressiva da composição. O drama ou a narrativa dramática está muito presente na obra desta artista.
A inconfundível técnica a óleo de Sandra é visível nas pinceladas texturadas, especialmente no cabelo e no tecido, dando dinamismo e autenticidade à obra. Apesar do forte realismo anatómico, o objetivo não é apenas reproduzir a imagem, mas transmitir emoção de forma crua e direta.














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