por | 10 Set, 2026 | Cultura

JULIANA COSTA, UMA ARTISTA QUE SE REVELA FORA DE LOUSADA

Das raízes em Figueiras à afirmação na arte texturizada

Natural de Figueiras, no concelho de Lousada, Juliana Costa é um exemplo de como as raízes podem continuar a moldar um percurso, mesmo quando a vida segue novos caminhos. Atualmente reside em Vila Nova de Gaia, mas faz questão de sublinhar que a ligação à terra onde nasceu permanece inalterada. A família continua a viver em Figueiras e é precisamente esse vínculo que faz com que regresse frequentemente ao concelho, mantendo uma relação próxima com os lugares, as pessoas e as memórias que marcaram a sua infância.

“Lousada faz parte da minha identidade”, afirma. É nesta terra que cresceu, estudou e construiu as primeiras referências que hoje, de forma mais ou menos consciente, também se refletem na sua sensibilidade artística. Apesar da mudança de residência, continua a visitar regularmente Figueiras, seja para estar com a família, rever amigos de longa data ou simplesmente sentir a tranquilidade e a familiaridade que apenas as origens conseguem proporcionar.

Embora a arte faça hoje parte integrante da sua vida, este percurso começou de forma relativamente recente. Desde cedo revelou interesse pela criatividade, pela pintura e pelos trabalhos manuais, mas foi apenas em 2020 que decidiu explorar esse talento de uma forma mais consistente e estruturada. O período acabou por representar um ponto de viragem, permitindo-lhe descobrir uma linguagem artística onde encontrou liberdade para expressar emoções, experiências e inspirações pessoais.

“A arte tornou-se uma forma de transformar sentimentos em algo visual e permanente”, explica. Mais do que criar peças decorativas, Juliana procura desenvolver obras que transmitam sensações, despertem interpretações e estabeleçam uma ligação com quem as observa. Cada criação nasce de um processo de reflexão e experimentação, onde a componente emocional assume um papel tão importante como a técnica.

A artista encontrou na arte texturizada o espaço ideal para desenvolver a sua identidade criativa. Trata-se de uma expressão artística contemporânea que privilegia o relevo, o volume e a exploração da matéria, permitindo criar superfícies com profundidade e movimento. É precisamente essa possibilidade de trabalhar diferentes materiais e construir composições tridimensionais que mais a fascina.

Ao recorrer a massas específicas e outros elementos que conferem textura às obras, Juliana cria peças onde a luz, as sombras e os relevos assumem um protagonismo especial. O resultado são trabalhos que convidam não apenas à contemplação visual, mas também à curiosidade pela sua estrutura e pela forma como cada detalhe foi construído.

“O desafio de moldar a matéria e dar-lhe uma nova expressão é aquilo que mais me motiva”, refere. Cada obra representa um equilíbrio entre técnica, sensibilidade e espontaneidade, num processo criativo que nunca é exatamente igual de peça para peça.

O seu estilo caracteriza-se por uma abordagem assumidamente minimalista. Longe do excesso de elementos, prefere apostar na simplicidade das linhas, das formas e das texturas, permitindo que cada composição comunique através da sua própria linguagem visual.

Além das coleções de autor, Juliana Costa desenvolve igualmente trabalhos personalizados. Cada projeto nasce de um diálogo com o cliente, procurando compreender os seus gostos, o ambiente onde a obra será integrada e a atmosfera que pretende criar. Esta componente personalizada permite-lhe produzir peças verdadeiramente exclusivas, concebidas para se adaptarem à personalidade de cada espaço sem perderem a identidade artística que caracteriza o seu trabalho.

A constante procura por novas soluções e materiais faz igualmente parte do seu processo criativo. A experimentação assume um papel fundamental na evolução do seu percurso, permitindo-lhe aperfeiçoar técnicas e explorar diferentes possibilidades dentro da arte texturizada.

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira aconteceu em março de 2025, quando realizou a sua primeira exposição individual no Hotel Seven O Five, no Porto. A mostra representou um importante passo na afirmação do seu percurso artístico e constituiu uma oportunidade para apresentar ao público uma seleção das obras que melhor refletem a sua linguagem criativa.

A exposição permitiu dar maior visibilidade ao seu trabalho e proporcionou um contacto direto com visitantes interessados em conhecer a arte texturizada e compreender o processo criativo por detrás de cada peça. Para Juliana, foi também um momento de confirmação de que o caminho iniciado alguns anos antes fazia sentido e merecia continuar a ser desenvolvido.

Desde então, tem vindo a expandir o seu portefólio, dedicando-se à criação de novas coleções e à concretização de projetos personalizados. O objetivo passa por continuar a evoluir artisticamente, explorando novas abordagens sem perder a essência que define o seu trabalho.

O futuro passa por continuar a criar, experimentar e dar forma a novas ideias. Com um percurso ainda em construção, mas já marcado por importantes conquistas, Juliana Costa pretende continuar a afirmar-se na arte texturizada, levando a sua visão criativa a novos públicos e demonstrando que a arte pode ser uma poderosa forma de comunicação, capaz de transformar emoções, histórias e experiências em obras que permanecem no tempo.

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