“Não procuro ficar na história, procuro continuar a fazer mais e melhor”
Aos 38 anos, sapador-bombeiro de profissão e presidente do Clube Automóvel de Lousada (CAL) desde 2019, Luís Marinho conhece praticamente todas as áreas da organização de provas. Ligado ao clube desde 2011, passou pela cronometragem, secretariado e direção, antes de assumir a vice-presidência e, depois, a presidência. Em entrevista ao O Louzadense, fala sobre a última etapa do EuroRX, a estreia do novo paddock, o futuro do Circuito Internacional de Lousada e o trabalho de uma equipa que envolve cerca de 150 pessoas em cada fim de semana de corridas.
A prova de Lousada, em setembro, será a última etapa do Campeonato da Europa de Ralicross e poderá ficar marcada pela decisão dos títulos europeus de várias categorias. Para Luís Marinho, essa circunstância confere uma importância especial ao evento. “Para o Clube Automóvel de Lousada será especial receber a última prova do Campeonato da Europa de Ralicross, ainda mais numa altura em que poderão ser decididos os títulos europeus de várias categorias.”
“Sabemos que esta prova tem um impacto importante na economia local, no turismo e na divulgação do concelho. Por isso, não é apenas importante para o CAL, mas também para Lousada e para toda a região.” A organização será, contudo, mais exigente, com verificações na quinta-feira, provas na sexta-feira e quatro dias de trabalho. A realização de uma prova noturna obriga ainda a reforçar significativamente a iluminação. “Será necessário reforçar bastante a iluminação, com quase o dobro dos pontos de luz utilizados em outubro, além de muitas outras questões importantes para garantir que tudo decorre em segurança e com a qualidade necessária.” A responsabilidade, garante, está assumida: “Temos consciência da responsabilidade e estamos a trabalhar para corresponder às exigências de uma prova desta dimensão.”
Sendo a derradeira ronda do campeonato e estando vários títulos ainda por decidir, o presidente do CAL acredita que haverá maior atenção mediática e mais público. “O facto de ser a última prova do campeonato e de haver vários títulos ainda por decidir poderá contribuir para uma maior atenção por parte da comunicação social e para um aumento da afluência de público.” A presença de pilotos lousadenses e portugueses em competição será outro fator de interesse. “Esperamos, por isso, um fim de semana com muito público e acreditamos que estão reunidas as condições para superar os números alcançados em 2025.”
A prova noturna é outra das grandes expectativas. O clube já teve essa experiência em outubro de 2025, com uma resposta muito positiva. “Tivemos a oportunidade de realizar uma prova neste formato, que teve uma resposta muito positiva por parte do público e dos pilotos.” Essa experiência permitiu identificar aspetos a melhorar e, segundo Luís Marinho, o CAL está agora mais preparado. “Estamos agora mais preparados e a trabalhar para garantir melhores condições de segurança e funcionamento, tanto para os pilotos como para o público.” O objetivo é simples: “Esperamos uma noite com boas corridas, uma grande festa e um ambiente diferente do habitual.”
Quanto à possibilidade de contar com pilotos de grande projeção internacional, à semelhança de Sébastien Loeb na prova francesa deste mês, o clube está a trabalhar nesse sentido. “Estamos a trabalhar com a FIA nesse sentido.” A presença de grandes nomes depende, contudo, da disponibilidade e dos calendários dos pilotos. “Contar com um piloto como Sébastien Loeb seria muito positivo para a divulgação da prova.” Ainda assim, Luís Marinho destaca a qualidade do atual campeonato: “O atual grupo de pilotos tem proporcionado corridas muito disputadas, com vários vencedores ao longo do campeonato, pelo que estão reunidas todas as condições para termos uma excelente prova.”
Novo paddock num circuito em evolução
A estreia do novo paddock será outro dos momentos marcantes desta edição. Para o presidente do CAL “o paddock é uma parte essencial de qualquer circuito, com uma importância semelhante à própria pista.” É ali que as equipas instalam os carros, trabalham, fazem refeições, descansam e convivem com familiares e fãs. “Por isso, é fundamental garantir-lhes as melhores condições possíveis.”
O novo paddock “estará operacional e cumprirá as exigências da FIA”. A obra inclui preparação e pavimentação do terreno, drenagem, redes de eletricidade, água e saneamento, estruturas permanentes, casas de banho, chuveiros e fibra ótica. “Esta infraestrutura permitirá melhorar as condições de trabalho das equipas e dos pilotos, receber melhor o público e reduzir, no futuro, os custos com o aluguer de equipamentos temporários.” É, por isso, “um investimento importante para o circuito e para a realização de outras provas nos próximos anos”.
A evolução do Circuito Internacional de Lousada tem sido constante desde o início de 2025. “O circuito está em constante evolução. Esta transformação começou no início de 2025 e, estando agora a meio de 2026, é muito positivo ver o trabalho já realizado e as provas que foi possível organizar neste período.” Luís Marinho sublinha que se trata de uma obra do Município de Lousada e que a prioridade passa agora pela conclusão do paddock e pela criação de infraestruturas permanentes que permitam reduzir os custos de organização.
Quanto ao que poderá vir depois, prefere prudência. “Qualquer investimento futuro, para além da pista e do paddock, terá de ser bem estudado, tendo em conta a sua utilidade, os custos e a sustentabilidade.” Ao clube cabe identificar as necessidades do desporto automóvel e transmiti-las ao Município. “Depois, compete ao Município avaliar as prioridades e gerir os recursos disponíveis.”
Com vários anos dedicados ao CAL, Luís Marinho é questionado sobre se sente que já faz parte da história do desporto automóvel. A resposta é marcada pela humildade. “Há muitas pessoas ligadas ao trabalho realizado até agora e tenho muito orgulho no que conseguimos alcançar. Se isso me liga à história do desporto automóvel, não sei, nem é essa a minha preocupação.” O objetivo, garante, nunca foi o reconhecimento pessoal. “Não trabalho à procura de reconhecimento pessoal, mas sim para fazer mais e melhor pelo Clube Automóvel de Lousada e pelo desporto automóvel.”
Numa organização desta dimensão, destaca, ninguém trabalha sozinho. “Numa organização desta dimensão, ninguém consegue fazer nada sozinho.” Em cada fim de semana de corridas trabalham, em média, cerca de 150 pessoas, distribuídas por aproximadamente 15 áreas. “Todas são importantes. Podemos ter um bom planeamento, mas é fundamental que cada pessoa assuma a sua função com responsabilidade e dê o seu melhor.” Uma falha numa área pode comprometer o trabalho de todas as outras.
A experiência também ensinou que há sempre espaço para melhorar. “A perfeição não existe e estamos sempre a aprender. Também cometemos erros, mas trabalhamos para os evitar e para melhorar em cada prova.” Luís Marinho deixa, por isso, um agradecimento à direção do clube, ao Município de Lousada e, sobretudo, aos voluntários. “Os resultados alcançados são fruto do trabalho conjunto de todas estas pessoas e entidades.”
A sua filosofia para o futuro passa pela inovação. “Não procuro ficar na história. Procuro continuar a fazer mais e melhor.” E acrescenta: “Defendo que devemos ser diferentes, procurar novas soluções e avançar com novas ideias. Se não o fizermos, outros o farão, e queremos continuar a estar na frente.”
Apesar da experiência acumulada, Luís Marinho não prevê, pelo meno para já, assumir responsabilidades noutro organismo nacional ou internacional. “Neste momento, os meus planos passam por organizar as duas provas que ainda faltam no contrato com a FIA, as provas do Campeonato de Portugal de Ralicross e as 6 Horas de Ralicross, que é uma prova de que gosto particularmente.”













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