por | 3 Fev, 2025 | Sociedade

Quando a noite cai, há trabalhadores que «pegam ao serviço» – Parte III

PROFISSÕES NOTURNAS SÃO VITAIS, MAS PASSAM DESPERCEBIDAS

A generalidade da sociedade não se apercebe da existência de profissões, cargos e serviços que funcionam de noite, quando a maioria da população dorme. É o caso do trabalho da veleira ou do guarda rondista, dos piquetes de urgências ou dos seguranças. Ainda há padeiros, que são cada vez menos, já que hoje em dia o pão também se cozinha quase de forma instantânea. São profissões menos visíveis as profissões diurnas, mas nem por isso deixam de ter um papel vital para o funcionamento da sociedade.

Bombeiro de prontidão

O adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Lousada, César Couto, de 36 anos, está muitas vezes de piquete, que é formado por voluntários. Das 20 horas da noite às 08 horas da manhã está sempre uma equipa pronta para acudir às solicitações de emergência.
Algumas noites são sossegadas, mas a maioria são bastante atribuladas. “Durante o ano inteiro o que predomina é a emergência pré hospitalar, na qual temos muitas ocorrências. São raras as noites em que não temos solicitações deste género. Isto porque somos  o único Corpo de bombeiros num concelho que está em crescimento”, aponta o bombeiro.
No verão, o que ocupa mais são os incêndios rurais, “não só na nossa área, bem como auxiliamos os municípios vizinhos e eles a nós”.

Nos 17 anos de serviço destaca como ocorrências mais marcantes “alguns acidentes de viação com várias vítimas e incêndios industriais de grandes proporções”.
Para César Couto, o trabalho noturno causa transtornos e obriga a adaptações na vida das pessoas. “Uma vez que as noites são voluntárias, ou seja, apesar de na minha situação ser profissional da Associação, a seguir ao turno noturno temos de cumprir com as nossas obrigações. No dia seguinte não temos folga. Temos de trabalhar, quer sejam profissionais no Corpo de Bombeiros, quer tenham outra profissão”.

Em relação ao impacto do trabalho no que diz respeito à família e aos amigos “é óbvio que temos muito transtorno, pois nessas noites supostamente estaríamos com eles em vez de estar de plantão”, afirma César Couto, que aproveita o tempo livre sobretudo para “estar com a família e amigos, praticar desporto e viajar de moto”.
E o maior transtorno é a falta de descanso, ou seja, motivos de saúde. Pois “vamos pagar a fatura mais tarde”.

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