O jornal O Louzadense noticiou, no principio deste mês, o encerramento da fábrica de calçado Knowbest, situada no concelho de Lousada. A empresa fechou portas no início de outubro, deixando cerca de 60 trabalhadores no desemprego. Este encerramento junta-se a uma série de falências recentes no concelho, entre as quais se destaca a fábrica têxtil Costa Curta, que empregava 113 trabalhadores, maioritariamente mulheres.
No final de 2024, encerraram também as empresas de confeções Leuman (90 trabalhadores), Golf (89), Salgado & Neto (350) e Felcartel (95), todas sediadas em Lousada, somando mais de 600 despedimentos em apenas alguns meses.
O mais chocante, porém, é a total ausência de diálogo por parte das administrações. No caso da Knowbest, segundo relatam várias trabalhadoras, a empresa limitou-se a enviar uma única mensagem no início de outubro e, desde então, não pagou os salários em atraso nem entregou as declarações de despedimento – documentos essenciais para iniciar os processos junto da Segurança Social e aceder ao subsídio de desemprego ou a outros apoios sociais.
Alguns destes empresários, que beneficiaram de apoios do Estado e de fundos europeus para reabilitar as suas empresas e garantir os postos de trabalho, exibem frequentemente sinais de riqueza pessoal, circulando pela vila de Lousada em carros de luxo, enquanto ignoram a dura realidade dos seus ex-funcionários. De um momento para o outro, estas famílias ficaram sem meios de subsistência e sem qualquer alternativa apresentada pelos seus antigos empregadores.
Ao longo dos anos, os sucessivos governos têm sido generosos no apoio às empresas. Porém, esquecem-se demasiadas vezes de quem é, na verdade, a força produtiva: os trabalhadores. Em Lousada, o mercado laboral caracteriza-se pela precariedade e pelos baixos salários, agravando as dificuldades no cumprimento de compromissos financeiros essenciais, como o pagamento da habitação e outras despesas básicas.
Apesar de ser um dos concelhos mais jovens do país, Lousada é também um dos mais pobres da região. Os salários praticados ficam aquém das necessidades reais, prejudicando a qualidade de vida dos cidadãos e fragilizando a economia local. Cada novo encerramento aprofunda um ciclo de precariedade que parece não ter fim.
A CDU-Lousada não pode deixar de condenar a atitude irresponsável de alguns empresários do concelho e reafirma a sua total solidariedade com todos os trabalhadores empurrados para o desemprego. Mantemo-nos disponíveis para apoiar a luta por melhores condições laborais e por soluções que respondam às dificuldades destes trabalhadores e das suas famílias.
Apelamos ainda aos responsáveis da autarquia que assumam uma posição firme e contribuam para resolver esta grave situação. É urgente promover o diálogo, apoiar os trabalhadores e implementar políticas públicas que criem emprego e valorizem os direitos laborais.
Alberto Torres
Ex-Candidato da CDU à Câmara Municipal de Lousada













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