O concelho de Lousada foi um dos focos de uma das maiores investigações criminais de fraude fiscal e branqueamento de capitais da história recente da União Europeia. A designada Operação “Hermes”, coordenada pela Procuradoria Europeia (EPPO) e executada pela Polícia Judiciária (PJ), realizou buscas cirúrgicas em todo o país, nomeadamente na região do Vale do Sousa, visando habitações particulares e sedes de empresas locais.
A megaoperação, desencadeada a nível global, mobilizou em Portugal mais de 700 inspetores da PJ, além de operacionais da Autoridade Tributária e da GNR. O balanço provisório em território nacional cifra-se em 39 detidos e na execução de quase 300 mandados de busca, divididos entre residências e complexos empresariais.
De acordo com fontes ligadas à investigação, o foco das diligências em Lousada prende-se com o desmantelamento de redes de “falsos comerciantes” (missing traders). Estas entidades eram alegadamente utilizadas para alimentar um complexo esquema de “carrossel de IVA”, focado na comercialização em grande escala de telemóveis, equipamentos eletrónicos e subprodutos digitais.
O esquema transnacional, que operava em simultâneo em oito países europeus, terá lesado os cofres do Estado português num valor superior a 150 milhões de euros.
Apesar do forte aparato policial que se fez sentir em diferentes pontos do concelho, a PJ e a Procuradoria Europeia mantêm um estrito segredo de justiça relativamente à identidade dos suspeitos e aos nomes das sociedades comerciais visadas em Lousada.
Ainda assim, sabe-se que a operação resultou, a nível geral, no arresto preventivo de 26 imóveis, 80 viaturas (muitas das quais de alta gama) e participações em 18 sociedades, além do congelamento de contas bancárias. O objetivo das buscas na região passou essencialmente pela apreensão de material informático, contabilidade paralela e prova documental que sustente o circuito financeiro ilícito.
Os detidos na operação começam a ser presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal para o primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação. As autoridades não põem de parte a realização de novas diligências na região do Vale do Sousa nos próximos dias.












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