Em tempos, Luís Montenegro disse: «A vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor.» Em Lousada, ouvindo o executivo, parece que vivemos numa versão local da mesma ideia: o concelho está cada vez melhor. Os lousadenses é que, pelos vistos, ainda não deram por isso.
Por isso, pergunto-vos diretamente: em que é que a vossa vida melhorou?
Conseguem pagar as despesas com menos dificuldade? Os vossos filhos encontram cá emprego à altura da formação que fizeram? Perdem menos tempo nas deslocações? Os apoios chegam quando precisam deles? As crianças têm melhores condições para aprender? Ou a melhoria continua, sobretudo, no ecrã do telemóvel, nas publicações da Câmara?
Há sempre um evento, uma distinção, uma conferência, uma fotografia. Lousada é apresentada como exemplo atrás de exemplo. Mas quem chega ao fim do mês a contar os euros tem o direito de perguntar: exemplo de quê, se o dinheiro continua a não chegar?
Em 2023, o índice de poder de compra por habitante de Lousada era de 74,72, quando a média nacional era 100. Entre 2021 e 2023, passou de 74,56 para 74,72. A distância ao país quase não mudou. A satisfação do executivo parece não ter limites.
Digam-me: o que mudou um festival de sabores na vossa vida? Além de um momento de convívio, que certamente tem valor, o que ficou depois de desmontadas as bancas? Que oportunidades nasceram? Que rendimento ficou no concelho?
E uma conferência internacional? Que investimento trouxe? Que empregos ajudou a criar? Como contribuiu para melhorar o vosso poder de compra? Estas perguntas deviam ser respondidas por quem gasta o vosso dinheiro. Com resultados, não com mais fotografias.
Agora pensem nos vossos filhos. De que lhes serve um prémio na educação se continuam a chegar a casa a queixar-se do calor na sala? Que conforto lhes dá uma distinção quando passam frio no inverno ou estudam num edifício a precisar de intervenção? Um diploma na parede da Câmara não arrefece uma sala de aula.
Pensem também nos jovens que viram crescer. Estudaram, esforçaram-se, qualificaram-se. Quantos conseguem construir aqui o seu futuro? Quantos precisam de sair diariamente, ou de sair de vez, para encontrar as oportunidades que lhes faltam à porta de casa?
E quem depende de transportes pouco ajustados à sua vida? Quem espera por uma decisão municipal? Quem precisa de uma bolsa ou de um apoio e encontra pela frente formulários, documentos e meses de espera?
Para essas pessoas, o progresso tem um significado muito concreto: chegar a horas, receber a tempo, ganhar melhor, conseguir ficar.
É por elas que devemos exigir outras prioridades: emprego qualificado e melhores rendimentos; escolas e acessos com condições; serviços que resolvam problemas dentro de prazos conhecidos.
O dinheiro municipal sai do vosso trabalho. A obrigação de quem o gere é demonstrar como esse dinheiro melhora a vossa vida. Não basta anunciar quanto se gastou. É preciso responder pelo que se conseguiu.
Lousada merece ter motivos para celebrar. E os lousadenses merecem senti-los no bolso, na escola dos filhos e nas oportunidades que encontram.
Porque, se Lousada está assim tão melhor, a melhoria tem de chegar à vossa vida. Não pode ficar na página da Câmara.
HUGO FERREIRA – Iniciativa Liberal Lousada













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