por | 11 Jun, 2019 | Sociedade

Europeias 2019: as reações dos principais partidos em Lousada

As eleições para o Parlamento Europeu, do passado dia 26, ficaram, mais uma vez, marcadas pela grande abstenção, perto dos 70%, e Lousada não fugiu ao panorama geral. Os resultados no Concelho refletem também a tendência nacional no que diz respeito às percentagens dos partidos.

José Santalha, presidente do PS Lousada, congratulou-se com os resultados do partido: “O PS obteve um excelente resultado nas Eleições Europeias, nomeadamente no concelho de Lousada. Prova disso foi a vitória em 21 freguesias (de acordo com a anterior organização administrativa), o que veio ajudar a reforçar o resultado nacional do PS”.

Um resultado que o líder socialista considera justo, “perante uma campanha eleitoral em que os adversários mais diretos resolveram atacar o PS, esquecendo-se de centrar o debate no que é essencial, ou seja, nas questões europeias”.

Resultado do PS é “um bom sinal” – José Santalha, líder do PS Lousada

José Santalha – Presidente PS Lousada

Antecipando já as próximas eleições legislativas, José Santalha não esquece que cada eleição tem os seus intervenientes e as suas particularidades, mas considera que “este é um bom sinal”, acrescentando, no entanto, que “não quer dizer que signifique uma vitória por estes números, mas, confiando naquilo que o PS tem feito enquanto governo, devolvendo rendimentos, diminuindo o desemprego, crescendo economicamente e mantendo o défice em níveis históricos, associado a uma imagem de boas contas, será certamente um fator essencial para a população ponderar e dar confiança eleitoral a António Costa”, sublinha.

O presidente da concelhia socialista referiu ainda que “esta vitória traduz que Portugal rejeitou opções extremistas, preferindo quem defende a integração europeia, a sua união e a solidariedade entre os povos”.
Sobre a abstenção, diz que, “infelizmente era algo esperado, mas há que enquadrar outro dado. De 2014 para 2019, a abstenção aumentou residualmente em Lousada, mas em contrapartida tínhamos mais 743 eleitores, o que efetivamente acabou por acontecer em grande parte do país”. Apesar de tudo, indica o caminho para a combater: “Julgo que todos os partidos devem mudar a sua forma de estar relativamente à campanha eleitoral. Devem centrar-se no que é essencial e não podemos continuar a cada ato eleitoral dizer o mesmo de sempre relativamente à abstenção”.
O PSD não fugiu aos maus resultados globais em Lousada, tendo vencido apenas em quatro freguesias no concelho, de acordo com o velho mapa administrativo, ficando-se pelos 26,54%, contra os 40,28%. O Bloco de Esquerda acompanhou os resultados nacionais, com 7,49% dos votos. Seguiu-se o CDS-PP, com 4,14%.

Simão Ribeiro, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Lousada, acredita que o PSD vale mais do que os números resultantes do escrutínio dos votos e reconhece que os resultados estão aquém das expectativas.

“António Costa nacionalizou as eleições” – Simão Ribeiro, líder do PSD Lousada

Simão Ribeiro – presidente PSD Lousada

As razões deste resultado, o líder da Concelhia encontra-as na “estratégia adotada, que não foi a mais adequada”, e na nacionalização das eleições realizada por António Costa. “Os restantes partidos seguiram-lhe o caminho”, afirma.

Decisiva para os resultados foi, no entender de Simão Ribeiro a questão dos professores e a forma como foi conduzida por António Costa, que se mostrou “habilidoso, passando a mensagem de que o PSD era um partido irresponsável. Apesar da excelência do cabeça de lista social-democrata, Paulo Rangel, a campanha por este protagonizada não conseguiu passar incólume à questão.

Relativamente à abstenção, o líder social-democrata referiu que o afastamento da população relativamente à Europa política foi uma das causas e concorda com José Santalha, ao dizer que “o facto de, na campanha, se falar pouco dos temas relacionados com a Europa ajuda a explicar a alta abstenção.

Sem a abordagem dos temas europeus, restaram as questões nacionais mais negativas, com os partidos a assacarem responsabilidades à União Europeia nesses âmbitos. “Esquecem-se de valorizar as políticas mais conseguidas e que afetam a vida doe todos os portugueses”, frisou.
O líder local acredita que nas legislativas não se repetirá o cenário, o que, aliás, tem sido demonstrado no passado, não existindo paralelismo entre os dois atos eleitorais.

Falar de José Sócrates foi um erro – António Mendes, CDS-PP Lousada

António Mendes, líder do CDS-PP Lousada, considera que a elevada abstenção penalizou mais os maiores partidos e requer uma análise cuidadosa dos dados, tal como o contexto político em que se realizaram as eleições, “nomeadamente a situação económica favorável que este Governo encontrou depois do esforço enorme que os portugueses fizeram durante o Governo PSD/CDS-PP para salvar o país da bancarrota, o que permitiu a este Governo fazer umas “flores” e dar benesses por cima da mesa (no imediato) e, simultaneamente, tirar por baixo da mesma (no curto e médio prazo): iludir os eleitores”.

António Mendes – Presidente CDS Lousada

O presidente da concelhia centrista alinha com os seus congéneres lousadenses e diz que “a elevada abstenção resulta de pouco ou nada se ter falado da importância da Europa e do impacto das decisões europeias no quotidiano dos portugueses e no futuro de Portugal”.

E aponta do dedo ao seu partido: “No caso do candidato do CDS-PP, veja-se o erro que foi ter focado o discurso à volta dos erros da governação de José Sócrates. Esse tema, para além de ultrapassado, não tinha nada a ver com a temática Europa, não motiva, não promove a ida às urnas. Não tirou ilações de outros atos eleitorais, onde a agressividade, o dizer mal e os ataques pessoais foram contraproducentes”, refere.
Recomenda a “pedagogia” para reduzir a abstenção: a “transmissão de conhecimentos sobre as políticas europeias e sua importância não passa apenas pelos políticos mas também e, sobretudo, pelas escolas”.
António Mendes não nega o mau resultado do CDS-PP face àqueles que eram os objetivos que a Concelhia Política Nacional definiu. “Todavia, se os compararmos com as eleições de 2014, verificamos que o PSD e o CDS juntos (coligação em 2014) nestas eleições tiveram mais 0.4% que que nas eleições anteriores”, salienta.
O líder centrista lançou também um olhar sobre os outros partidos: “A CDU apresenta uma descida brutal, sem grandes justificações, atendendo à tradicional fidelidade do seu eleitorado e uma enorme subida do PAN. O resultado do BE não me espanta, pois vem no seguimento do resultado das últimas legislativas, onde obtive 10.19% (551 mil votos) e mostra que conseguiu fixar e motivar para irem às urnas o seu eleitorado”.

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