por | 10 Jul, 2019 | Cultura, Grandes Louzadenses

Vidas em Cena completou uma década de existência

Vidas em Cena surgiu como grupo informal de teatro amador em julho de 2009 e formalizou-se como associação sem fins lucrativos em julho de 2014, com o propósito de fazer teatro de rua e levar os espetáculos até aqueles que não vão ao teatro e, assim, criar públicos novos e contribuir para uma sociedade melhor.

Rute Cunha integrou a Associação em 2015, altura em que começou uma colaboração esporádica, que foi crescendo, até se tornar permanente. Atualmente é presidente da direção, depois de ter presidido a Assembleia no mandato anterior. O Louzadense quis conhecer as suas motivações e a associação. Fique a saber tudo nesta entrevista.

O que a levou a assumir a direção da Associação Vidas em Cena?

Para mim, Vidas em Cena é uma segunda família. Não tinha como recusar o convite que me foi feito e a agradeço a confiança.
Vidas em Cena é um projeto em que acredito, e farei o que estiver ao meu alcance para que os quem integra a associação dela se possa orgulhar.
Caracterize o atual momento da Associação.
Vidas em Cena tem vindo a crescer, desenvolvendo um trabalho muito meretório e reconhecido.
Estamos num ponto de viragem, após termos adquirido o estatuto de associação juvenil, e com as diferentes valências posso considerar, sem presunção, que Vidas em Cena está num dos seus melhores momentos. Permita-me agradecer publicamente a José Carlos Carvalheiras, ex-presidente, que muito fez por Vidas em Cena, bem como ao Luís Falcão e ao Cláudio Pinto, com quem sempre a associação pôde contar. Agradecer também ao nosso jovem grupo de atores e, neste momento em particular, aos pais que inscreveram os seus filhos na 2.ª edição do curso de verão que arranca esta semana.

Quais são os principais objetivos desta nova direção?

Queremos crescer enquanto associação juvenil, dar palco aos jovens talentosos que sabemos existirem em Lousada.
Queremos também desenvolver novas parcerias e criar uma dinâmica mais frequente e diversificada.

Que balanço faz destes dez anos do grupo de teatro Vidas em Cena?

É um balanço positivo, pois estamos a crescer. É um percurso de altos e baixos, de espinhos e flores, de risos e choros, de dramas e comédias, sempre com o propósito de levar vidas à cena.

Como está a associação a nível de meios físicos e humanos?

Estamos no Auditório de Pias, o que deu nova vida à associação e temos neste momento 85 associados.
Estamos de portas abertas a quem a nós se queira juntar e agradecemos a todos quantos generosamente queiram disponibilizar o tempo e auxiliar com o seu talento a associação. Seja como atores, músicos, figurinistas, aderecistas, seja para fazer cenários, fazer bilheteira, ou áreas como o multimédia. Todos são bem-vindos à familía Vidas em Cena.

Quais são as vossas principais atividades?

Teatro contemporâneo, teatro social, animação de eventos e temos também a componente formativa com o curso de verão.
Para si, quais foram os momentos mais importantes deste projeto?
A curta metragem “O Brinquedo”, de Angel Frágua, foi sem dúvida um marco na vida da associação. Mas todas as produções teatrais nos deram muito orgulho, nomeadamente “A Perfídia Promessa”, de Cláudio Pinto e Dom Rodrigo, “Os Cabaçudos”, de Vitor Fernandes, e o drama “O Anjo Negro”, de Capitolina Oliveira.

E as maiores dificuldades?

Viver sem um palco exclusivo durante nove anos foi muito difícil. Agora, temos instalações embora precisem de muitas obras, mas temos algo a que podemos chamar casa. O nosso obrigada à ARCPias.
Sente o apoio da comunidade local e das entidades públicas e privadas?
Sim, uma das coisas que nos apraz registar é que Vidas em Cena tem crédito na praça. Desde Câmara Municipal, à Junta de freguesia, Falcão cabeleireiro, da Padaria de Macieira à Grecogest, das Tintas CIN às Tintas Lacca, da Drogaria Vila Chã à tipografia Avigraf, da Salgado & Neto ao E.Leclerc, Pizzaria Ricardo, Kyos, entre outros, temos podido contar com apoio sempre muito necessário e muitíssimo bem-vindo, pois temos muitas obras urgentes para fazer e projetos para concretizar.

Venceram o concurso da CIM Tâmega e Sousa de Empreendedorismo, com o vosso projeto Teatro Móvel. Em que ponto está esse projeto?

Em 2018, Vidas em Cena conquistou o 1.º prémio do concurso de Empreendedorismo Social da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, na categoria Inovação Social, com o projeto Teatromóvel. Consiste em fazer teatro de intervenção social com uma vertente peagógica e cultural. Destina-se essencialmente a capacitar comunidades desfavorecidas, com o objetivo de alertar a população e as instituições para problemas sociais. Já fizemos uma experiência piloto no bairro Dr Abílio Moreira e esperamos alargar a intervenção a outros bairros locais e regionais.

Existem outros projetos em mente para o futuro além deste?

Sim. Alguns deles passam pelo teatro, outros pela formação e capacitação. A seu tempo e se tudo correr como esperado, haverá novidades certamente.

Quais são os segredos para o sucesso da vossa associação e do vosso projeto?

Vou usar uma frase que creio responder-lhe: Não importa o tamanho do desafio, mas sim a força da união.
PI’Artes – Festival de Artes foi a grande novidade este ano

Realizou-se, de 3 de maio a 28 de junho, o PI’ARTES – FESTIVAL DE ARTES, produzido pela Associação Vidas em Cena. Foram dois meses de intensa programação, nos fins de semana, que cruzaram públicos e diferentes áreas artísticas.
Como surgiu a ideia de criar este Festival?

Vidas em Cena é uma associação jovem, composta por pessoas criativas e dinâmicas e, aliando a sua vontade de fazer mais pela associação ao facto de querermos pôr o auditório de Pias no mapa e precisarmos de criar novos públicos e atrair pessoas que não apenas fãs de teatro, surge o Pi’Artes, um festival que integrou espetáculos de música e de teatro com a colaboração de bandas lousadenses com jovens muito talentosos, grupos de teatro de Meinedo, Felgueiras e Guimarães e dança pelos alunos de danças de salão e de Ballet do ComVida, a quem muito agradecemos.

Que balanço faz desta 1.ª edição?

As parcerias criadas foram muito profícuas, sentimo-nos imbuídos do mesmo espírito e isso traduziu-se em espetáculos de grande qualidade.
Há que melhorar certos aspetos, mas sendo a primeira vez estamos muito satisfeitos.
Passaram pelo Pi’Artes mais de 500 pessoas, o que para nós se traduz um balanço muito positivo.
Quais foram as maiores dificuldades na realização desta iniciativa?
Foi um Festival realizado sem qualquer apoio logístico ou financeiro, isso já diz tudo.
No entanto, o espírito de missão e a generosidade dos nossos convidados foram forças motrizes e conseguimos levar a bom porto a iniciativa.

Qual foi a recetividade em relação ao festival por parte dos outros grupos e também por parte do público?

Como mencionei anteriormente, os grupos que convidamos foram sem dúvida parte fulcral para a organização e sucesso do evento. Estamos gratos por termos contado com a colaboração de pessoas tão especiais, pela generosidade, pela disponibilidade e pela preciosa ajuda no concretizar do Pi’Artes.
Quanto ao público, obviamente gostaríamos de ter tido sempre casa cheia, mas estamos certos de que o Pi’Artes tem já o seu lugar e que doravante as pessoas estarão mais atentas a Vidas em Cena, sabendo que somos mais do que um grupo de teatro amador e que também nós, com o pouco que temos fazemos coisas dignas de registo.

Para si, qual é a importância deste festival para a associação? E para o concelho?

Para a associação, foi um desafio superado. Um teste à nossa resistência e capacidade de inciativa. Foi duro, mas foi gratificante.
Para o concelho, o Pi’Artes traduz um descentralizar e um democratizar do acesso à cultura.

O festival realiza-se num período intenso de atividades no concelho. Essa situação condicionou-o de alguma forma?

Não podemos negar que é dificil “concorrer” com outras iniciativas, mas o mundo do espetaculo é mesmo assim. Estamos certos de que podemos ser uma alternativa e que há lugar para todos. No entanto, uma ação mais concertada seria uma mais-valia para todos os envolvidos e mesmo para o público, que muitas vezes acredito ficar assoberbado.

É uma iniciativa para repetir? E continuará nos mesmos moldes desta primeira edição?

Será uma decisão a tomar em conjunto, no entanto creio que, melhorando aspetos cruciais, com apoio e com boa vontade como a demonstrada pelas entidades parceiras este ano, Pi’Artes terá uma segunda edição e quem sabe tenha vindo para ficar.
Agradecimento especial aos corpos gerentes, jovens e associados de Vidas em Cena, que nunca baixaram os braços.


Vidas em cena


Vidas em Cena surgiu como grupo informal de teatro amador em julho de 2009 e formalizou-se como associação sem fins lucrativos em julho de 2014.
A primeira produção teatral de Vidas em Cena foi a comédia de intervenção social intitulada “Há ouro em Lousada”, ensaiada e estreada no Espaço Artes, em Lousada, por Silvano Magalhães, coincidindo com a expansão de lojas de compra e venda de ouro que a localidade, a região e o país tiveram nos anos que se seguiram à grande cise socioeconómica de 2008. A peça teve 3 repetições ao ar livre.
Entretanto, sucederam-se diversas produções teatrais e uma curta-metragem, “O Brinquedo”, sobre a temática da violência doméstica, um flagelo social na região. A produção estreou em 2012 no Auditório Municipal de Lousada, com realização de Angel Fragua e protagonizada por Sílvia Meireles e Júlio Lemos.
No ano seguinte, 2013, surgiu o drama “O Anjo Negro”, sobre a lenda muito enraizada no Norte de Portugal designada “Correr o Fado”, também no Auditório Municipal de Lousada, com encenação da Professora Capitolina Oliveira.
Em 2015, Vítor Fernandes (da companhia profissional A Jangada) encenou “Dom Rodrigo e os Cabeçudos”, uma comédia sobre lendas e tradições locais, que foi muito aclamada pela crítica local e regional.
Aquele encenador foi o autor do drama biográfico “ISLER”, estreada em 2015 e com duas repetições em 2016, no Auditório Municipal de Lousada. Foi o maior êxito de bilheteira de Vidas em Cena até à data e retratava a história de Hans Isler, o empresário suíço que, na década de 1970, criou a marca Kispo na Fabinter, uma famosa indústria de confeções que existiu em Lousada durante duas décadas e revolucionou a indústria de confeções no concelho e na região.
Em 2017 produziu dois espetáculos: um em palco de auditório intitulado “Caixas”, de Cláudio Pinto e José Carlos Carvalheiras, sobre o drama real do desaparecimento, em 1998, de um jovem de Lousada e muito divulgado pela comunicação social.
Para exibir ao ar livre, encenou “DOM Quixote de la mancha em terras de Lousada”, por Fernando Moreira, José Neto e Luís Falcão. A peça foi exibida em 9 de junho de 2017 no Parque de Merendas da freguesia de Casais, em Lousada. Esta peça fez parte do programa BIOFEST da Câmara Municipal de Lousada, tendo merecido desta entidade uma distinção especial de mérito.
No início de 2017, foi exibida no Auditório Municipal de Lousada a comédia de Jean Tulè “A Loja dos Suicídios”, de Carla Campos e Raquel Magalhães, as quais também fizeram em parceria com o Vidas em Cena a peça infanto-juvenil “O Gobelé Mágico”.
Para inaugurar a nova “casa” de Vidas em Cena, o Auditório de Pias, foi produzida uma nova peça que integra vários jovens NEET (que não estudam nem trabalham): chama-se “Perfídia Promessa” (estreou em 14 de setembro de 2018) e é de Cláudio Pinto. É uma peça de teatro contemporâneo sobre as virtudes e as vicissitudes da portugalidade, as dificuldades de jovens conviverem em meios tradicionais e de idosos conviverem em meios avançados. Embora relativamente recente é a peça com mais exibições, o que retrata bem o seu sucesso.
Em 7 de dezembro de 2018, foi aprovada a candidatura da associação Vidas em Cena Produções ao estatuto de Associação Juvenil, reconhecimento feito pelo Instituto Português da Juventude e do Desporto (IPDJ). Desde essa data, a associação tem o número 2018-AJV-101 no RNAJ – Registo Nacional do Associativismo Juvenil.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Resistência e Liberdade» obteve 3.º Prémio no Concurso «25 de Abril, um projeto de Liberdade»

Alunos e professores do AE Dr. Mário Fonseca, envolvidos no Projeto «Resistência e Liberdade»,...

Mostra coletiva de artistas revela vitalidade da arte lousadense

NA BIBLIOTECA MUNICIPAL E CAIS CULTURAL DE CAÍDE DE REI A diversidade de estilos e técnicas são...

Uma centena de jovens na Final Regional do Xadrez Escolar do Norte na Escola Secundária de Lousada

A Escola Secundária de Lousada acolheu, no dia 10 de maio, a final da modalidade de xadrez da...

Sacrifício, Liberdade e Memória da Revolução dos Cravos

No ano em que se comemora os cinquenta anos da Revolução dos Cravos importa mergulhar no passado...

Iluminar Lousada – Uma Luz Solidária para a Cooperativa Lousavidas

O Iluminar Lousada vai realizar-se no dia 18 de maio, e as velas solidárias estão já estão à...

Pimenta na censura dos outros, na minha liberdade é refresco

No passado dia 25 de Abril celebraram-se os 50 anos sobre a revolução que derrubou o regime...

Vinhos das Caves do Monte projetam Lousada no mundo

Freitas de Balteiro: O embrião de uma tradição Em 1947, nas terras férteis da freguesia de...

Caixa Agrícola rejeita lista de sócios candidatos a eleições: Lista avança com Providência Cautelar

A Caixa de Crédito Agrícola de Terras do Sousa, Ave, Basto e Tâmega (CCAM TSABT) está envolta em...

Um pioneiro da comunicação regional

Rafael Telmo da Silva Ferreira, professor e diretor da Valsousa TV Em setembro faz 25 anos que...

A Casa Nobre No Concelho de Lousada

Tipologias - XII | Capela II A capela podia ser levantada por forma a dar seguimento à fachada da...

Siga-nos nas redes sociais