por | 14 Abr, 2020 | Grandes Louzadenses, Sociedade

Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e União da Misericórdias Portuguesas querem doentes com Covid-19 fora dos lares

Lares não conseguem dar resposta a situações de doença aguda

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) e a União da Misericórdias Portuguesas (UMP), em comunicado dirigido à imprensa, manifestaram a sua preocupação com a situação dos doentes residentes em lares, que caracterizam como dramática, pela falta de cuidados básicos de saúde. Em causa está um despacho governamental, seguido da Orientação da DGS 09-2020, que “veio agora claramente impor aos lares a vigilância e tratamento de doentes com infeção COVID-19, sem definir a cobertura necessária de médicos enfermeiros e o fornecimento de EPI”, lamentam. Lembram, ainda, que O COVID-19 regista elevada mortalidade na população frágil e idosa e que, noutros “países europeus, se assistiu a cenários de extrema gravidade nos idosos em lar tendo esta população chegado a representar 30% da mortalidade diária”.

Segundo estas entidades, a decisão de manter doentes com Covid-19 nas instituições, sem antecipadamente ser garantida a cobertura relativa aos cuidados de saúde, evidencia “tristes espetáculos de   descoordenação”. Apesar de tudo, as mesmas entidades garantem que têm “conseguido manter a maioria dos Lares livres de COVID e vamos continuar esse esforço”. 

Esforço para continuar a manter lares sem doentes Covid-19

O esforço encetado para continuar a manter os lares livres de doentes Covid-19 irá continuar, com a constituição de um gabinete técnico, composto por profissionais qualificados para apoio às Misericórdias, que será alargado à CNIS. “Os Lares não são, pois, unidades de saúde e não têm como missão nem possuem condições, quer em termos de infraestruturas, quer em termos de recursos técnicos e humanos para darem acompanhamento na situação de doença aguda, não sendo, pois, compreensível nem aceitável que o Estado queira deixar os doentes com Covid-19 nos lares, retirando os utentes que não estão infetados”, defendem. Acrescentam que “um doente com infeção COVID-19 necessita de cuidados de saúde, com vigilância diária por médicos e enfermeiros. Precisará muito provavelmente de controlo sintomático em fim de vida por doença aguda e rapidamente progressiva. Suporte que os lares não podem dar sem o apoio complementar da saúde”.

Acrescentam que, à falta de cuidados de saúde, acresce o risco de “disseminação interna da doença em estruturas que não têm condições físicas (espaços de isolamento), equipamentos de proteção individual (EPI) e profissionais de saúde adequadamente treinados para prevenir o contágio”.

À espera de tomada de posição do Governo

Apesar do esforço, a CNIS e a UMP, reconhecem que os dirigentes e trabalhadores dos lares se sentem impotentes e abandonados por parte do Governo. Garantem, no entanto, que não baixarão os braços e que muitos profissionais estão mesmo a viver nas instituições, longe das famílias, para, com espírito de missão, cuidarem dos utentes. Mas não têm competências para prestar cuidados de saúde em situações de doença aguda.

Asseguram, ainda, que será produzido um boletim informativo bissemanal sobre a situação dos lares, com o objetivo de “contribuir para manter o País informado”.

A CNIS e a UMP manifestam vontade de encetar um “diálogo construtivo com as entidades prestadoras de saúde”, para “garantir os cuidados de saúde aos idosos e deficientes residentes em Lar”, afirmam.  Diálogo que não tem sido possível, segundo as mesmas entidades, devido ao “silêncio do Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSS) sobre a questão central de articulação com o Ministério da Saúde”.  Tendo em conta que os lares são tutelados pelo MTSS, dizem aguardar uma tomada de posição deste ministério “sobre o seu papel neste esforço de coordenação que estamos a propor”.  

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