Patrícia Silva é natural de Nogueira e está em Genebra há oito anos. Na origem da decisão em mudar de país estiveram questões laborais, já que em Portugal se afigurava difícil conseguir emprego. Então, decidiu procurar uma oportunidade na Suíça. “Não podia andar toda a vida dependente dos meus pais, precisava de ter a minha independência”, explica. Cá em Portugal, inicialmente, trabalhou na empresa do pai, mas a crise obrigou-o a fechar portas.
A saída de Lousada foi um desafio que teve de enfrentar. Para isso, contou com a ajuda de um casal amigo. Ainda assim, o primeiro ano não foi fácil, pois sentia muita falta da família: “Tinha muitas saudades, mas não demonstrava a ninguém. Chorava, mas escondia-me”, conta. O apoio do casal amigo e a conversa diária com a família ajudou-a a ultrapassar esse período.
A Lousada, regressa normalmente duas vezes por ano, uma no verão, outra no inverno, alturas em que goza férias. Este ano foi diferente, pois a pandemia não a deixou vir a Portugal.
Em Genebra, segundo nos conta, as autoridades reagiram de “forma séria e responsável”, mas a sua atenção estava centrada em Lousada. “Acho que Lousada está de parabéns pelas medidas que tomaram. Aqui demoraram muito tempo a perceber a gravidade da situação. Nós íamos à rua e parecia que estava tudo normal”, compara, acrescentando que na Suíça se prioriza mais a economia. “Não vi tanta coisa a parar. Se parou, foi a entidade patronal que assim o decidiu e não foi imposto pelo governo, mas foi tudo mais tardio”, refere. Uma medida há muito usual em Portugal, o uso de máscara nos supermercados e transportes públicos, só há três semanas se tornou obrigatório na Suíça. “Não houve um confinamento tão acentuado como aconteceu aqui ao lado em França. Mas está controlado”, diz.
O seu maior receio era que a família ficasse infetada: “Pensava muito na minha família, nos meus pais e mesmo tias minhas que sei que têm problemas de saúde, são doentes de risco. Graças a Deus, até agora tudo correu bem”, conta.
Saudades da simpatia dos lousadenses
Há oito anos em Genebra, Patrícia tem uma visão muito consistente da sociedade que a acolheu e compara-a com aquela que teve de deixar para trás: “A essência das pessoas de Lousada é diferente, é outra simpatia, outro acolhimento e sinto muito falta disso”, afirma. Também o ritmo de vida é caracterizado como “alucinante”. “Não temos uma vida social igual. De segunda a sexta é casa- trabalho-casa. É muito diferente. É uma cidade grande. Lousada tem uma alma própria, é única”, diz.
O futuro para Patrícia é uma incógnita. Apesar de, quando deixou Lousada, ter na ideia o rápido regresso, os anos vão passando e o regresso definitivo vai sendo adiado: “A vida nem sempre corre como queremos e aconteceram algumas circunstâncias que retardam o meu regresso a Portugal”, explica. Apesar dos obstáculos, continua a desejar o regresso, pois sabe que será mais feliz no seu país, apesar de adorar viver em Genebra: “Tenho de regressar, pois quero ser feliz profissionalmente. Tenho uma ideia e quero conseguir realizar o meu projeto. Quero trabalhar para mim e não para outros”.
Enquanto não puder regressar definitivamente a casa, Patrícia continuará a ter os lousadenses no coração, que são, para si, especiais. “Continuem a ser as pessoas especiais, bem-dispostas, o que é raro. Aqui, temos culturas diferentes, gente de todo o lado, mas nós realmente somos um povo diferente. Quando eu venho de férias, venho recarregada com as minhas energias para continuar a luta”, refere.
Apesar de não falar tanto com os amigos portugueses quanto desejaria, devido ao trabalho, deixa-lhes uma mensagem de saudade. “Eles sabem que estão sempre comigo no meu pensamento”, diz. Para os pais e irmão tem sempre um tempinho quase todos os dias. “Para o resto da minha família, eles sabem que estão sempre comigo no meu coração”, diz, acrescentando que em setembro poderá vir a Portugal, se houver condições para isso.












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