Opinião de Pedro Amaral
Desde os primeiros passos do desconfinamento que o país entrou num marasmo quase bucólico… Tanto, que foi preciso um “charter de ingleses” para dar cor aos noticiários dos últimos dias.
A verdade é que cada vez mais, Portugal e os portugueses sabem com o que contam do Governo central. Que é o mesmo que dizer poucochinho.
Salvo um Ministro ou outro que vai rabujando a propósito da TAP ou de qualquer outro assunto em voga (como seja a final da Champions), a verdade é que, do lado do Governo, a novidade é pouca, o rasgo é inexistente e a sensação de que o país já se encontra em auto gestão rumo às autárquicas é notório.
António Costa aproveita o eminente embate autárquico para deixar os presidentes socialistas digladiarem-se mediaticamente com a oposição, enquanto se foca no seu novo projecto pessoal, a “sua” presidência europeia, que, parece-me, ainda dará muito que falar cá dentro e lá fora (e não pelos melhores motivos).
Mas, se nos corredores dos Palácio e Palacete de S. Bento as coisas arrefeceram, por cá, nos municípios portugueses (incluindo na nossa querida Lousada), as coisas vão aquecendo. E mesmo que longe da ebulição, já se sentem os primeiros sinais de fervura.
Desde o início do ano que o chamado “pó autárquico” assola toda a região. Admira-me que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera não tenha lançado um aviso de tempestade de poeiras rosadas até finais de Setembro.
Nunca a lógica do “longe da vista, longe do coração” fez tanto sentido. Durante 3 anos as autarquias quase desaparecem do espaço público, tanto que chegamos a desejar a sua presença (mais ou menos como aquele amigo que não vemos desde o tempo de faculdade), mas durante o ano autárquico iniciam obra em Janeiro e tornam-se até Setembro naquele hóspede que vem de férias lá para casa e nunca mais se vai embora.
É o chamado “win-win” que o PS tão bem sabe aproveitar, ora ganha porque as pessoas desesperam por intervenção, ora ganha porque durante um ano não nos sai literalmente da porta.
A política local na região vai, assim, fervilhando, com cada uma das cores a designar os seus oficiais e a galvanizar a força anímica dos seus partidos para os próximos meses de agitação até Outubro.
Por cá, as alianças perfilam-se, os candidatos vão sendo anunciados e as vanguardas de ambos os lados já se embateram publicamente.
Quanto ao desfecho deste animado embate que se avizinha, quem me conhece sabe a propensão que tenho para os paralelismos históricos dos quais, quase sempre, podemos retirar ensinamentos. Durante o dealbar do século XIX, Napoleão também controlava grande parte da Europa, e nem por isso deixou de ser derrotado.
Como costumo dizer: Veremos.
Pedro Amaral escreve segundo a antiga ortografia.












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