por | 8 Jul, 2026 | Desporto

Dois irmãos entre o Basquete e a Engenharia

Num país onde o futebol domina atenções, Francisco e Duarte Nunes encontraram no basquetebol uma paixão capaz de moldar percursos, desafiar limites e criar uma ligação ainda mais forte entre irmãos. Hoje, seguem caminhos diferentes dentro da modalidade, mas continuam unidos pelo mesmo espírito competitivo e dedicação.

Francisco, de 23 anos, joga no Illiabum, em Ílhavo. Duarte, de 19, representa o Clube dos Galitos, em Aveiro. O gosto pelo basquetebol nasceu cedo — e, de certa forma, em família.

Francisco tinha apenas cinco anos quando experimentou a modalidade pela primeira vez. A ideia inicial passava pelo futebol, mas os pais não viam o desporto com entusiasmo. Foi um colega da mãe, Tony Pedro, treinador no Lousada AC, quem sugeriu uma alternativa.

“Fui experimentar e nunca mais parei. O basquetebol já faz parte da minha vida há quase 20 anos”, conta o jogador de 1,93 metros, que atua sobretudo como extremo, embora também possa jogar como base.

O irmão mais novo entrou no jogo por influência direta de Francisco. Duarte tinha apenas quatro anos quando acompanhou a mãe a um treino do irmão, na Escola EB2/3 de Lousada. A treinadora dos minis incentivou-o a ficar no pavilhão e a lançar algumas bolas.

“Lembro-me perfeitamente. Acho que o gosto surgiu mesmo ali, de um momento muito aleatório”, recorda. Desde então, o basquetebol tornou-se uma presença constante na sua vida.

Os dois começaram no Lousada AC, que consideram fundamental no seu crescimento desportivo e pessoal.

Francisco acabou por sair para o Maia Basket e, posteriormente, para Aveiro, numa trajetória marcada também pela presença nas seleções jovens nacionais. Representou Portugal nos Europeus de sub-16 e sub-18, realizados em Montenegro e Israel, respetivamente, assumindo funções de subcapitão em ambas as competições.

A época recentemente terminada trouxe sentimentos mistos. O Illiabum ficou no terceiro lugar da Proliga, falhando a subida ao principal escalão depois da derrota frente ao CAB Madeira nos playoffs.

“Fica uma sensação agridoce por não termos atingido o principal objetivo, mas estou orgulhoso do trabalho da equipa”, admite.

No caso de Duarte, o percurso seguiu as pegadas do irmão. Depois do Lousada, mudou-se para o Maia Basket, onde esteve desde 2018 até ao final da última temporada, antes de ingressar no Galitos. Enquanto atleta do Maia, integrou todas as seleções jovens nacionais e foi capitão de Portugal no europeu de sub16 na roménia em 2023. “Foi um percurso fundamental para o meu desenvolvimento, não só no basquetebol, mas também a nível pessoal”, explica.

ENGENHARIA VS. BASQUETEBOL

A equipa aveirense conseguiu alcançar o principal objetivo da época: garantir a subida à Proliga. Contudo, Duarte viu a sua temporada terminar prematuramente após uma lesão no ombro que obrigou a cirurgia.

“Estou focado na recuperação para voltar ao campo no início da próxima época”, garante.

Os dois irmãos sabem bem o que significa enfrentar contratempos físicos. Francisco regressou recentemente de uma das fases mais difíceis da carreira, após sofrer uma rotura completa do ligamento cruzado anterior do joelho. Entre cirurgia e recuperação, passaram quase dez meses.

“Foi uma época muito complicada. Só consegui voltar a meio da competição e acabou por ser um ano de superação e resiliência.”

Também Duarte atravessa um momento semelhante. Depois de uma deslocação no ombro e de uma extensa rutura do labrum, foi operado e está agora concentrado na recuperação. “Quero aproveitar cada momento, seja em treino ou em jogo, e continuar a evoluir todos os dias”, afirma.

Apesar da ambição dentro de campo, ambos têm consciência das limitações do basquetebol em Portugal e nunca deixaram os estudos para segundo plano.

Francisco assume-o de forma pragmática: “Percebi cedo que tinha o ‘azar’ de viver num país que respira futebol.” Por isso, encarou sempre a formação académica como prioridade. Está atualmente a terminar o mestrado em Engenharia Aeroespacial, na Universidade de Aveiro, e pretende construir carreira na indústria aeronáutica ou aeroespacial.

Duarte segue uma linha semelhante. Frequenta Engenharia Mecânica na mesma universidade e pretende continuar a conciliar os estudos com a modalidade.

“Enquanto for possível compatibilizar o basquetebol com os estudos ou o trabalho, continuarei a fazê-lo”, assegura.

Dentro do campo, os dois têm características distintas. Francisco destaca o lançamento de três pontos, o jogo ofensivo no um para um e a entrega defensiva como marcas do seu estilo. Duarte, enquanto base, aponta a tomada de decisão, a qualidade de passe e o lançamento exterior como pontos fortes.

Vamos ficar atentos a estes dois irmãos ligados pelo talento, mas sobretudo pelo trabalho, pela persistência e pela paixão pelo basquetebol.

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