Opinião de Pedro Amaral
Esta semana chamo a atenção do leitor mais distraído para o magnífico mundo dos contos de capa e espada que, por vezes na vida real, se desenrolam nos salões do poder bem mais perto do que imaginamos.
Mas não é só o caro leitor que, distraidamente, não tem ouvido o aproximar dos passos nem o tilintar das espadas nos corredores… Como sempre acontece nos estratagemas palacianos, os visados também não vêem o golpe aproximar-se, ou se vêem, vergam-se à vontade do “desembainhar das lâminas” para que, de mal menor, o golpe permaneça dentro de portas.
Do Senado Romano, ao Palácio das Necessidades, ao centro nevrálgico do poder socialista, o método dos golpes palacianos nunca esteve tão em voga.
O leitor já vai percebendo a propensão que tenho para retirar lições da história. E o passado como se vê está cheio de exemplos que podiam ter poupado muitos socialistas aos inevitáveis golpes.
A nível nacional, António Costa é um exímio utilizador do método, sobretudo se isso lhe valer a sua própria popularidade. Aliás, continuará a fazê-lo desde que a manutenção do actual estado de coisas assim o exija. Afinal, assim se vai controlando a nação.
Mas não é o único. Em Lousada, pelo menos nos últimos anos, o método tem servido habilmente para assegurar no município, não só a manutenção do poder, mas também um futuro que, evidentemente, só interessa com vista à eterna sucessão.
Ao contrário do que eventualmente nos queiram dizer, da “sede de campanha” socialista confortavelmente instalada nos Paços do Concelho, ao longo dos últimos anos, foram-se movendo estrategicamente as peças, num infindável jogo de xadrez que, curiosamente, contou apenas com um jogador. E não há melhor analogia caro leitor! Moveram-se peças, utilizaram-se peões, abriram-se caminhos, sacrificou-se a Rainha, despromoveram-se cavaleiros, enquanto se planeiam altas torres que, fora do tabuleiro, possam interessar aos que, para já, ainda permanecem em jogo.
Vem à memória a expressão latina “Timeo Danaos et dona ferentes”, resumo da história do cavalo de Tróia segundo a qual, há que temer os gregos mesmo quando oferecem presentes.
Três décadas de poder ininterrupto e a estagnação a que o nosso Concelho foi deixado nos últimos anos, são, na modesta opinião de quem escreve estas linhas, a prova provada deste jogo implacável que interessa muito localmente ao Partido Socialista, mas que infelizmente não serve o prestígio e a projecção de Lousada e dos Lousadenses, nem hoje, nem para futuro.
Felizmente, para contrariar o método dos golpes palacianos, o sistema democrático concede-nos a dádiva do direito de voto. Exercício da cidadania que devolve às pessoas o poder de optar pela mudança ou perpetuar um sistema cansado que começa a revelar que dura há tempo de mais.
Este ano, o quadriénio político dá-nos a oportunidade de voltar a acreditar em mais do que em esquemas palacianos.












Comentários