Desde 1996 que o número de alunos a candidatar-se ao ensino superior não era tão elevado. No ano letivo presente, 2021-2022, esse número volta a atingir um novo máximo, com 63.878 alunos a candidatarem-se. Joana Machado, Eva Santos e Sérgio Marques são alunos lousadenses, ingressaram este ano na aventura e contam como estão a ser os primeiros dias.
Nunca, em anos anteriores, se viu uma grande afluência de candidaturas ao ensino superior. Na segunda e terceira fase já poucos cursos tinham vagas para novos alunos e, durante a primeira fase e a segunda fase, conseguiram entrar 51.431 novos estudantes nas universidades e politécnicos públicos, sendo um dos números mais elevados de sempre.
As médias de ingresso ao ensino superior atingiram valores mais elevados na segunda fase, face à primeira, e um misto de sentimentos toma conta de alunos e familiares. A ansiedade de entrar no curso pretendido e o receio de não conseguir atingir os objetivos são aliados e todas as milésimas contam na hora de fazer contas.
Joana Machado tem 17 anos e este ano entra na Universidade do Minho, onde se vai licenciar em Optometria e Ciências da Visão, apesar de não ter sido a sua primeira opção. “A área da saúde é uma das que mais me fascina e, por isso, teria de ser um curso nessa área. Optometria surgiu, naquele momento bastante próximo da candidatura, em que era necessário pensar para além da primeira opção”, revela.

Para muitos alunos o processo de candidatura torna-se num processo difícil, principalmente quando chega a hora de escolher o curso. Porém, para Joana, todo este processo foi “bastante tranquilo e prazeroso” sem deixar que os nervos e a ansiedade influenciassem o processo.
“A área da saúde é uma das que mais me fascina e, por isso, teria de ser um curso nessa área.” – Joana Machado
A jovem não gosta de criar expectativa, porque, acredita, “prefiro que as coisas me surpreendam no decorrer do percurso. No meu caso, espero criar laços para a vida e, principalmente, ser feliz no decorrer desta caminhada”.
As primeiras semanas confessa que serão mais difíceis, tendo em conta que vai morar para uma cidade nova e com novas pessoas. As maiores diferenças que Joana sentiu neste novo ciclo de vida foram, nomeadamente, “o tamanho do campus, a quantidade de edifícios e a troca de edifícios de aula para aula.” Quanto aos professores e ao método de ensino, a aluna encontra algumas semelhanças ao que vivenciou no percurso no ensino secundário.
Aos alunos que terminam no próximo ano o ensino secundário, Joana aconselha: “foquem-se no vosso último ano de secundário e continuem a dar o vosso melhor para que consigam entrar no curso que pretendem. Analisem todas as opções, pensem com calma sobre a opção final e não stressem”.
“Se não conseguirem entrar na vossa primeira opção ou entrar na universidade não desanimem, há sempre solução. Acreditem nas vossas capacidades, nem todos os caminhos passam pela universidade independentemente do que a sociedade vos diga. Boa sorte e divirtam-se ao máximo”, termina.
Apesar de haver vários jovens a concorrerem ao ensino superior, o ano de 2021 foi um dos anos em que as vagas foram reduzidas e muitos não conseguiram entrar. Na segunda fase foram colocados 9 154, menos 633 do que na do ano passado, deixando 13.506 por preencher. Destes 13.506, apenas 4441 vagas sobraram para a terceira fase.
Engenharia como primeira opção
Também Eva Santos, de 18 anos, conseguiu ingressar na Universidade, tendo entrado na sua primeira opção, em Engenharia Biomédica, no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Uma das razões que a levaram a escolher este curso foi a elevada taxa de empregabilidade que esta área apresenta, contudo, outros motivos a levaram a colocar como primeira opção este curso: “as disciplinas são bastante interessantes e o Instituto Politécnico do Porto é um dos melhores do país”, acrescenta.
O processo de candidatura foi algo “bastante simples”, contudo, “a única parte que eu achei mais complicada foi a escolha dos cursos”, afirma. Eva descreve este passo através de dois caminhos: “fazer a candidatura e esperar o resultado”.

As expectativas de Eva não podiam ser mais altas, mesmo sabendo que é um curso bastante exigente e com a média mais elevada do ISEP, “mas com bastante trabalho, tudo se consegue. E é esse o meu objetivo. Tirar boas notas e não deixar nenhuma cadeira por fazer”, afirma entusiasmada.
“Com bastante trabalho, tudo se consegue. E é esse o meu objetivo. Tirar boas notas e não deixar nenhuma cadeira por fazer.” – Eva Santos
“Estes primeiros dias foram espetaculares. Os colegas de curso são pessoas bastante simpáticas. Fomos bem acolhidos pela diretora de curso, que nos deu a melhor receção possível e dicas para usar ao longo do curso”, comenta.
Contudo, Eva explicou que na primeira semana de aulas ficou bastante preocupada, começando mesmo a questionar-se se tinha feito a escolha certa em relação ao curso. “Mas, como em tudo na vida, o que custa é a adaptação. Depois da primeira semana, comecei a adorar o curso e a vê-lo com outros olhos”, explana.
Eva sentiu uma maior diferença em relação a Joana, no que toca à transição do secundário para o ensino superior. “Os professores são capazes de dar um capítulo de matéria numa aula teórica de uma hora e meia e não têm muita paciência. Existem outros que nos dão os PowerPoint e nos dizem para estudar e fazer as fichas, simplesmente”, explana.
Aos finalistas, a aluna aconselha a que dêem o seu melhor. Quanto à vida universitária, revela que “não é preciso ter medo, vão acabar por conhecer pessoas fantásticas que vão tornar este percurso menos cansativo”.
Paixão pela tecnologia
Por sua vez, Sérgio Marques, também com 18 anos, ingressou na sua primeira opção, em Engenharia Informática no Instituto Politécnico do Porto, no Instituto Superior de Engenharia do Porto.
O que o motivou a escolher este curso foi a paixão pela tecnologia que nutre desde criança. “Lembro-me de jogar na consola e no computador e imaginar como eram feitos os jogos. A partir daí, suscitou-me um grande interesse por esta área, passei a querer saber como eram programados os jogos e também o software de tudo o que utilizava e desde aí que tudo o que leio e vejo é sobre tecnologia”, revela o jovem.
Acredita que o processo de entrada na universidade não foi difícil, uma vez que se preparou durante vários anos para conseguir atingir o seu objetivo, apesar de todas as adversidades que foram aparecendo.

Mantém as expectativas altas e pretende que este curso lhe proporcione “conhecimentos teóricos, técnicos, métodos e competências práticas que me permitam prosseguir os meus estudos para um futuro mestrado e/ou doutoramento para, posteriormente, contribuir e criar algo novo nesta indústria”, afirma.
“Não foi uma adaptação difícil, em virtude de já conhecer bem a cidade do Porto e também o recinto académico.” – Sérgio Marques
Os primeiros dias têm sido o que esperava, ou seja, “uma boa relação e integração, não só pelos professores e outros profissionais, como também pelos colegas”. O jovem testemunha que “não foi uma adaptação difícil, em virtude de já conhecer bem a cidade do Porto e também o recinto académico. A única coisa que achei mais complicado foi o ter de acordar às seis horas da manhã para apanhar o transporte, quando antes era a 10 minutos de minha casa”.
Como é natural, durante a transição de um ensino para o outro encontrou algumas diferenças como: “alteração das rotinas, a responsabilidade acrescida, a existência de maior liberdade, a presença de uma menor preocupação dos professores com o empenho do aluno e curtos prazos de entrega de trabalhos. Mas tudo isto faz parte da evolução de um aluno”, acrescenta.
Aos próximos alunos a entrarem na universidade, Sérgio Marques alerta para que “nunca desistam, lutem sempre pelo que desejam, estudem bastante e aproveitem ao máximo os tempos livres, porque há tempo para tudo”.












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