por | 15 Nov, 2021 | Cultura

Lousada, terra de bons bateristas

Por José Carlos Carvalheiras

A bateria é um conjunto de instrumentos (tambores, pratos, etc.), nos quais o baterista bate (geralmente, com o auxílio de um par de baquetas). Normalmente a bateria é colocada em segundo plano, atrás dos outros instrumentos e intérpretes de uma banda. Por isso e regra geral, o baterista é um músico escondido. Mas nem por isso deixa de ter notoriedade, devido à sua importância musical. Nos últimos 50 anos, Lousada teve uma imensidão de bateristas e, mais recentemente, percussionistas, que são bateristas mais versáteis e completos, que além de bateria tocam ouros instrumentos de percussão.

Aos 14 anos de idade Nuno Miguel Almeida destacava-se por ser um dos mais jovens em Portugal na arte da bateria, que começou a praticar aos 10 anos . Tocava no conjunto Baco, do seu pai Manuel Almeida.  O extinto diário O Primeiro de Janeiro, do Porto, viu nisso um motivo de reportagem e o Nuno foi entrevistado para a edição de 18 de maio de 1988. Sob o título “Baco é o conjunto e Nuno o espetáculo”, o baterista lousadense disse: “toco vários instrumentos, mas a percussão é aquilo que mais gosto num conjunto de ritmos modernos (…) e sinto que tenho vocação para isto”.  

Mais recentemente Nuno Almeida referiu ao Louzarock que “ser baterista é ter ao alcance várias vibrações e ritmos, desde o agudo dos pratos até ao grave do bombo” e revelou ter como referências locais “os bateristas do Baco, como Manuel Almeida, Telmo Carvalho, Rui Cenoura e Jorge Porto. Do cenário nacional não esqueço as baquetes dadas pelo Kalu, dos Xutos e Pontapés e da força dele, mas também admiro a técnica de José Salgueiro, dos Trovante. Internacionalmente gosto de Dave Ghrol, Matt Sorum, entre muitos outros”.

Outro prodígio das baquetas lousadenses é Sidónio Nunes: “comecei muito cedo por ter interesse pela música. Os meus irmãos,  Filipe e Vítor já tocavam (baixo e teclado  respetivamente), nos Vacas Loucas, onde substituí o João Paulo Costa. Iniciei-me em guitarra, mas não gostei. Passei para a bateria, que veio a tornar-se o meu instrumento de eleição. Tinha 11 anos quando comecei a tocar. Aos 13 anos tive a minha primeira banda com o Quim, do Sunny Side e o Nelo Terrível, num projeto que nunca chegou a sair da garagem nem ter nome”. Atualmente, Sidónio é baterista dos KA7 Ar de Rock e do conjunto de Michael Vingança.

Estes não são casos únicos em Lousada de bateristas que começaram a tocar muito cedo em bandas rock. Com 12 anos, Nandinho Bragança fazia parte da banda rock de Meinedo intitulada Duros de Roer, com Vítor Bragança na voz e o guitarrista Pedro Cerqueira.

Quase não se vê uma mulher tocar bateria, mas por estas bandas há um caso raro. Embora não seja de Lousada, mas sim de Paços de Ferreira, a jovem Beatriz Cruz faz parte dos Sun Mammuth, uma das bandas mais antigas da atualidade do rock lousadense.

São alguns exemplos de uma vastidão de bateristas que surgiram em Lousada, uma localidade onde esta especialidade musical tem cada vez mais excelentes intérpretes. O inventário efetuado no projeto Louzarock permite até ao momento contabilizar também estes: José António Melo dos Santos (Os Moscas), Rui Mesquita Magalhães (Kriptons), Carlos Sousa e Zé Fernando Rocha (ambos dos Flash), Telmo Carvalho e Nuno Almeida (Baco e Alcatrão), Pedro Ribeiro (Boca Mansa) e o irmão Jorge Nautílio (The Bloom), João Paulo Costa e Sidónio Nunes (ambos dos Vacas Loucas), Cláudio Júnior Soares (Asfixia) e Vítor Pascoal (Asfixia e Serguth’s Tale), Carlos Silva (Entretela), Rui Nunes (Canis Lupus), Francisco Moeira (Zafka, Murkky Hiden e Canis Lupus), Sandro Mota (Mystic Breed e Fulano X), João Cordeiro da Costa (The Blessing), Joaquim Aires (GOBB), Nandinho Bragança (Quebra-cabeças), João Ferreira (Sun Mammuth), Tiago Freitas (ERGO’s Band), Filipe Morais (Zero Positivo), João Nuno Moreira e Tiago Baldaia (ambos dos Touch of God), João Paulo Meireles (Quarta Avenida e Affirmation), Bruno Lacerda (Arcade Nights), Xico Martins (Descendentes da Raiva e Sultura), Zé Miguel Costa (Mombai), Eduardo Moreira (Malpighi), José Silva (Mudha) e José Afonso Stark (Free Monkeys, TNA, etc.), que também é percussionista no Bando das Gaitas, um conjunto de rua ou street band.

Percussionistas da Banda Musical de Lousada

Tiago Ferreira (pratos), Bruno Felix (bombo) e Rui Pedro. 

Hoje em dia já é mais usual chamar percussionista a um músico de bateria. Um percussionista é mais completo, pois abarca uma variedade de instrumentos de batida. 

A propósito disto, vale a pena mencionar o virtuosíssimo naipe de percussionistas da Banda Musical de Lousada e que é composto por Tiago Ferreira (professor na Academia de Amarante), Rui Pedro (ainda é estudante), Bruno Felix Felix  (colabora com o Remix Ensemble da Casa da Música), Paulo Moreira. Paulo Mota (toca na Banda Sinfónica Portuguesa) e Fábio Mota (é percussionista na Banda da Força Aérea). Já agora refira-se que estes dois são familiares de um excelente baterista lousadense, Sandro Mota. 

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES ________________ A UVA — Entre a terra, o trabalho e a memória

A uva, o cacho, a vide, a videira, a ramada, o bardo, o esteio, a vindima, o vinho, o bagaço, a...

Casa do Rio: quando preservar o passado é também preparar o futuro

Há datas que ficam na memória de uma casa. Na Casa do Rio, em Torno, Lousada, a de 22 de agosto de...

Cool Dance levou dança e emoção ao Euro RX em Lousada

O grupo de dança Cool Dance, a convite do Clube Automóvel de Lousada (CAL), marcou presença no...

Chega setembro, regressam as aulas e, com elas, algumas das memórias de infância e juventude desse...

NOVOS BOMBOS EM LOUSADA (1)

Os Magnetenses: a tradição que ganha nova força Um novo grupo de bombos nasceu em Meinedo com 20...

O ESCUDO INVISÍVEL NO CIRCUITO INTERNACIONAL DE LOUSADA

ED4 levou a segurança no desporto automóvel ao patamar mundial Vamos falar de uma equipa que não...

Edifício da Adega nasceu há 70 anos

OBRA CUSTOU “DOIS MIL CONTOS” Assinalam-se este mês 70 anos do início de um dos projetos mais...

Grande Entrevista a LUÍS MARINHO (CAL)

“Não procuro ficar na história, procuro continuar a fazer mais e melhor” Aos 38 anos,...

JULIANA COSTA, UMA ARTISTA QUE SE REVELA FORA DE LOUSADA

Das raízes em Figueiras à afirmação na arte texturizada Natural de Figueiras, no concelho de...

DECATHLON LIGA PRO JÁ COMEÇOU

Lousada e Aparecida entraram com o pé esquerdo num campeonato que se espera espetacular. Os...

Siga-nos nas redes sociais