por | 29 Nov, 2021 | Editorial, Editorial, Opinião

Editorial da edição n.º 62 de 25 de novembro de 2021

Hoje dia 25 de novembro foi e será uma data importante para Portugal!

Relembramos alguns dos acontecimentos que poderiam ter provocado uma guerra civil em Portugal. Baseamo-nos num artigo do jornal Expresso de há dois anos. “Portugal viveu, há 46 anos, um momento que opôs militares da extrema-esquerda e “moderados” e que foi fundamental para acabar com período inicial da revolução portuguesa e encetar a normalização democrática do país. De um lado estava a esquerda militar, influenciada pela extrema-esquerda e comunistas, dividida entre “gonçalvistas“, próximos do ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do PCP, e “otelistas“, apoiantes do estratego do 25 de Abril e chefe do COPCON (Comando Operacional do Continente), adeptos da “via revolucionária”. Do outro estavam os “moderados”, congregando militares e forças à direita do PCP — incluindo o PS de Mário Soares e o PSD de Sá Carneiro — e que acabaram por ter o aval do general Costa Gomes. O “rastilho” foi a escolha de Vasco Lourenço, do Grupo dos Nove, os moderados, para comandante da Região Militar de Lisboa, em substituição de Otelo, que os revolucionários viam como um chefe para a revolução socialista. Os acontecimentos precipitam-se a 20 de Novembro. Dias depois do cerco da Assembleia da República por trabalhadores da construção civil, em greve, e do sequestro do primeiro-ministro, Pinheiro de Azevedo, o Governo “entra… em greve”! Fica para a história o desabafo de Almirante Pinheiro de Azevedo, quando questionado sobre como foi ter sido sequestrado, comentando apenas: “Chateia-me”!

E se o “rastilho” do 25 de Novembro foi a substituição de Otelo, a “faísca” foi a entrada em ação dos paraquedistas. A unidade levantou armas em protesto contra a ameaça do chefe de Estado-Maior da Força Aérea, general Morais da Silva, de dissolver o regimento, decisão que os “páras” não aceitam.

O resultado é uma rebelião dos paraquedistas, que ocupam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa. Esta revolta serviu para justificar o avanço do grupo militar dos “moderados”, que, há meses, preparava um plano militar para responder a um eventual golpe da esquerda radical. Além de Melo Antunes e Vasco Lourenço e do operacional Jaime Neves, à frente dos Comandos da Amadora, surge então o nome de um militar que viria a ser Presidente da República (1976-1986): Ramalho Eanes. Seria ele o operacional do plano que deu a vitória aos moderados.

Na tarde de 25 de novembro é decretado o estado de sítio em Lisboa — a única vez que tal aconteceu. Os revoltosos ameaçavam matar o general Pinho Freire, no Comando Aéreo no Monsanto, Lisboa, mas este foi detido numa sala com telefone (situação caricata), que serviu para comunicar o sucedido ao Grupo dos Nove. À noite, os comandos ocupam a base do Monsanto e libertam Pinho Freire. Os confrontos acontecem no dia seguinte, 26 de novembro. Comandos cercam as instalações da Polícia Militar em Lisboa, ocupada pelos revoltosos. Do tiroteio resultaram três mortos – dois comandos e um polícia militar. 

E assim se fez história a bem da democracia portuguesa, por muito que a que temos esteja a ser injusta e nada equitativa com os mais desfavorecidos.

António Marques Pacheco é o nosso “Grande Louzadense”! Oriundo da freguesia de Sousela, desde de novo se tornou um cidadão do mundo. Foi seminarista e padre, professor e escritor. Um homem discreto, intelectual e com uma capacidade de comunicar muito peculiar.

Na rubrica “Cidadania” temos Cristina Baptista. Uma jovem da freguesia da Ordem que é apaixonada pela música. Tem colaborado bastante na divulgação da música através do Bando das Gaitas, bem como na sua participação associativa, contribuído para que a música seja uma ótima forma de promover a cultura.

Edição pós edição, superando algumas “pedras” no caminho, O Louzadense continua aproximar os lousadenses da sua verdadeira identidade.

Continuem a seguir-nos!

Boa leitura!

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