Pedro Amaral
Desde a última vez que escrevi para o leitor, Portugal e o mundo entraram num turbilhão.
No Leste, as forças ucranianas, numa extraordinária demonstração de táctica militar ocidental, conseguiram reconquistar importantes regiões do seu território. Enquanto, simultaneamente, o mundo perdeu uma figura internacional incontornável dos Séc. XX e XXI e despede-se emotiva e de forma quase universal de Isabel II.
Em Portugal Marta Temido, que havia persistido estoicamente na pasta da saúde durante crises, pandemia e problemas estruturais e mediáticos, caiu na sequência de uma morte infeliz, mas, aparentemente inevitável sob o ponto de vista médico. Sucede-lhe Pizarro que, ao contrário da antecessora, vem da máquina e para máquina do PS e provavelmente não afrontará Costa, que é coisa que lhe convém.
O fim da época balnear, porque ao Governo não lhe convém deixar de ir a banhos, trouxe finalmente Costa e o seu aguardado “pacotão” de medidas de apoio às famílias e às empresas.
Mas desengane-se quem considerar que Costa, na sua infinita benevolência fiscal e social está a dar alguma coisa a alguém.
Em termos muitos simples, caro leitor, a inflação é, neste momento, a melhor amiga do Governo. Produtos mais caros significam mais impostos para os cofres do Estado, ou seja, levamos por tabela duas vezes, pagamos mais ao produtor e pagamos mais a Costa.
Até os 125€ que a grande maioria dos portugueses vai receber no próximo mês de Outubro são, como aliás quase todas as restantes medidas, uma forma disfarçada de Costa recuperar uma percentagem daquilo que nos dá. Quando quem receber o cheque o for gastar, devolverá aos cofres do Estado, dependendo da taxa de IVA dos produtos que compre, 6% (7,5€), 13% (16,25€) ou 23% (28,75). Quanto a mim caro leitor, que não gosto de andar a toque de caixa dos truques socialistas, vou poupar o cheque de Costa, e guardar também essas percentagens de IVA.
Por sua vez, as empresas, mais habituadas a folhas de cálculo e à matemática, rapidamente perceberam que o “pacotão” de apoio às empresas não passava de um pacote de medidas de incentivo ao endividamento.
O que nos vale, na boa tradição marítima portuguesa, temos um timoneiro como Costa ao leme. Pode não estar habituado a arriscar a navegação em mar alto, mas é o melhor entre os seus pares a desviar-se, junto à costa, das pedras que lhe vão aparecendo.
Bastou a contestação das empresas e a baixa do IRC começou imediatamente a ser ponderada para o Orçamento do Estado de 2023.
O Presidente da República já deixou os seus avisos, resta saber se o Governo os ouviu. Infelizmente creio que o Governo só ouve mesmo o barulho das ondas a bater na Costa.
Pedro Amaral escreve segundo a antiga ortografia.













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