por | 13 Nov, 2022 | Política, Sociedade

Súmula dos últimos assuntos da política em Lousada

A coligação Acreditar Lousada (PPD(PSD-CDS-PP) apresentou na passada terça-feira, dia 25 de outubro, as suas propostas para o Plano e Orçamento Municipal de 2023. Neste sentido, ouviu-se o Presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, e o líder da oposição, Cristóvão Simão Ribeiro acerca destas medidas e de outros temas de pertinência para o concelho. 

As cerca de 70 propostas apresentadas têm impacto no orçamento para 2023 e plano plurianual de investimento. Para mais, apresentam-se num pensamento estratégico para o concelho ao qual foi acrescentada uma preocupação social.

As mesmas assentam em três eixos: + Verde; + Digital; + Social. Além do concelho, existem medidas que que passam pelo âmbito regional aproveitando a sinergia do Presidente da Câmara de Lousada ser também líder do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.

O Louzadense questionou o Presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, sobre determinados assuntos: o seu mandato, a assembleia municipal de 29 de setembro, a opinião sobre as propostas apresentadas, o futuro, entre outros. Além deste, questionou também o líder da oposição, Simão Ribeiro, onde as perguntas incidiram sobre as propostas da Coligação Acreditar Lousada para o Plano e Orçamento Municipal de 2023 e não só. 

Presidente da Câmara de Lousada

Pedro Machado 

Presidente da Câmara Municipal de Lousada, Pedro Machado
  1. Como é que o Sr. Presidente analisa este primeiro ano do seu último mandato?

Tem sido um grande desafio liderar este Município numa fase tão difícil a nível internacional como a que estamos a atravessar. Se por um lado, neste último ano, começamos a dar os primeiros passos no período pós-pandemia, com retoma económica, social e assistencial, nomeadamente no que se refere à Saúde, infelizmente fomos todos confrontados com o impacto brutal de uma guerra no nosso continente e um aumento da inflação para níveis muito preocupantes.

Com esta multiplicidade de variáveis, todas elas muito desafiantes e que influenciam o dia a dia dos nossos concidadãos, temos como objetivo corresponder às necessidades dos Lousadenses. Estou certo que temos correspondido, dentro das nossas possibilidades, e ninguém tem ficado para trás. A par disto, mesmo neste contexto socioeconómico difícil, já temos concretizado um conjunto de compromissos que assumimos para este mandato, porque nunca prescindimos de uma gestão cautelosa e financeiramente sustentável para enfrentar as diversas dificuldades.

Houve um grande aumento nos custos de matérias-primas, materiais, energia e, como todos percebem, os municípios têm sido fustigados com estes aumentos nas obras públicas, faturas energéticas de edifícios municipais, desportivos e escolares, assim como na gestão das nossas frotas automóveis. Apesar destas limitações, temos condições para continuar a garantir o apoio às instituições locais, sem nunca descurar o apoio social aos mais desfavorecidos.

Nunca foi nosso apanágio prometer tudo a todos, porque sempre tivemos um grande sentido de responsabilidade e essa estabilidade económico-financeira permite-nos encarar as dificuldades dos tempos atuais e futuros com muito mais esperança.

2. Em relação à Assembleia Municipal ocorrida no passado dia 29 de setembro, Ana Cristina Moreira, em nome da Coligação Acreditar Lousada (PPD/PSD – CDS-PP), defendeu a promoção de medidas de apoio à habitação para jovens no concelho. Qual o papel da autarquia na emancipação dos jovens?

Tal como referimos na Assembleia Municipal, essas medidas não são novidade. Aliás, é do conhecimento geral que muitas delas, quiçá as mais importantes, já estão a ser implementadas. A autarquia tem vindo a trabalhar para promover uma melhoria contínua das condições de vida dos nossos jovens e isso passa também pelo acesso mais facilitado à habitação.

Estão a decorrer um conjunto de iniciativas para conceção e futura construção de diversas habitações para serem colocadas no mercado de habitação acessível, em diversas freguesias e também no centro de Lousada, com a construção do futuro empreendimento Hans Isler, em frente à GNR de Lousada. Relativamente a este último projeto, da responsabilidade do IHRU e com a colaboração do Município, nomeadamente através da cedência do terreno, estamos a aguardar o encerramento do prazo do concurso para a apresentação dos projetos de arquitetura para este espaço que criará dezenas de respostas habitacionais. Também já estamos a promover estudos de arquitetura, com o nosso pessoal técnico, para a criação das outras habitações em diferentes freguesias de Lousada.

3. Em que medida é que as propostas apresentadas pela Coligação Acreditar Lousada para o Plano e Orçamento Municipal de 2023 vão ser aplicadas?

Entendo que não é oportuno tecer grandes considerações sobre os contributos que a Coligação apresentou para o Orçamento Municipal e PPI 2023, uma vez que a proposta que vamos apresentar para discussão e aprovação da Câmara Municipal ainda não está concluída. Assim, remeto as minhas considerações sobre os contributos da Coligação para depois de 28 de novembro, data da reunião da Câmara na qual será apresentada para discussão e aprovação a proposta de Orçamento Municipal e Plano Plurianual de Investimentos 2023. Neste momento, o que posso dizer é que as propostas da Coligação têm uma falha evidente, pois traduzem-se em menos receita e mais despesa. De qualquer modo, todos esses contributos serão devidamente ponderados.

4. Na conferência de imprensa foram também apresentadas propostas que passam pelo âmbito regional aproveitando a sinergia da sua função enquanto Presidente da Câmara de Lousada e líder do Conselho Intermunicipal do Tâmega e Sousa. Será possível ocorrer a mesma para benefício da região Tâmega e Sousa?

O Município de Lousada sempre soube trabalhar em articulação e estreita parceria com os restantes municípios, nomeadamente no âmbito da Valsousa, Ambisousa e CIM-TS para conseguir excelentes projetos e conquistas para a região. Convém realçar que o exercício da Presidência da Comunidade Intermunicipal não pode ser vista como um meio de privilegiar o concelho A em detrimento do concelho B, porque isso seria o primeiro passo para o fracasso como uma verdadeira comunidade de municípios.

A proposta da Coligação revela alguma inexperiência e isso é manifesto na proposta de “Promover, no âmbito de CIM-TS, a edificação, em Lousada, do Centro de Congressos do Tâmega e Sousa.” É evidente que tem todo o sentido existir em Lousada um Multiusos que possa abarcar aquela valência de centro de congressos e outras, como o acolhimento de eventos desportivos e culturais. Aliás, já temos o terreno para o efeito no Complexo Desportivo. Mas, face à grandeza do investimento desse projeto, a sua concretização apenas será possível quando o Município conseguir o necessário financiamento comunitário, em função das dotações que estiverem disponíveis e prioridades que forem definidas. Só por ingenuidade se poderá pensar que a construção desse equipamento possa ter o eventual apoio da CIM.

Enquanto Presidente do Conselho Intermunicipal do Tâmega e Sousa tenho responsabilidades acrescidas ao nível da articulação e coordenação do Conselho Intermunicipal, trabalhando para que as suas decisões sejam consensuais, procurando sempre o melhor para a nossa região, sem nunca abdicar, obviamente, da defesa dos interesses do Município de Lousada. É neste quadro que se tem de procurar equilíbrios e se tem conseguido projetos importantíssimos para a região e para Lousada, como é o caso do novo Centro de Formação Profissional do IEFP que vai ser construído na Zona de Acolhimento Empresarial de Caíde de Rei.

5. Quais as motivações políticas da autarquia em relação ao futuro?

As transformações sociais que o país e o mundo enfrentam são mais inesperadas que nunca. Vimos isso nos últimos dois anos em que tivemos, em tão pouco tempo, uma pandemia, outrora inimaginável, uma Guerra que ainda decorre e uma Inflação galopante.

Posso garantir que comigo e com esta equipa, o crescimento do concelho, a melhoria contínua da qualidade de vida dos nossos concidadãos, a responsabilidade da gestão e o equilíbrio das contas públicas continuarão a ser o baluarte da nossa gestão. Não vamos de certeza prometer tudo a todos e as pessoas percebem isso. Os tempos são difíceis e temos de tomar opções sensatas e estabelecer prioridades que nos permitam ter segurança para ajudar as pessoas quando é mesmo necessário.

Os tempos futuros serão certamente exigentes e por isso merecem ser tratados com a experiência que detemos e total responsabilidade, com um rumo e estratégia clara. Estou certo de que é isso que os Lousadenses querem acima de tudo. Os Lousadenses confiam em nós e essas expectativas serão correspondidas.

Presidente da comissão política do PSD Lousada e vereador na autarquia

Cristóvão Simão Ribeiro

Presidente da comissão política do PSD Lousada e vereador na autarquia, Simão Ribeiro
  1. A Coligação Acreditar Lousada apresentou medidas que assentam num pensamento estratégico para o concelho. Quais as maiores preocupações?

As nossas propostas assentam sobretudo em três eixos: A vertente da digitalização e simplificação/desmaterialização de processos, com vista a maior celeridade e maior transparência, sobretudo no setor do urbanismo. A Vertente Social, com medidas concretas de apoio às famílias no âmbito do IRS e IMI, Água e Saneamento para fazer face às exigências que atravessamos, fiscalidade jovem, unidade saúde mental, centro de reabilitação integrada. A vertente “verde”, onde exigimos a selagem e ajardinamento do aterro sanitário de Lustosa até dezembro de 2023, entre outras propostas. Apresentamos ainda outras medidas como o melhoramento nos serviços CTT a serem negociados pelo município, entre outras. 

              Propusemos ainda mais 50 medidas para obras concretas em todas as freguesias.

  1. A opção de criar/fomentar/adquirir o transmitido nas propostas altera a gestão financeira da autarquia?

Não. De todo. Fazemos uma oposição positiva, mas sobretudo responsável. Falamos de medidas de extrema importância com impacto financeiro reduzido, facilmente suportável. 

  1. Acerca da crise energética, o que pode acrescentar sobre esta? 

A crise energética advém de fatores externos, incontroláveis pelo Município e, em grande medida, pelo país. Mas face a estas dificuldades adicionais para as famílias, é precisamente neste momento em que se espera dos organismos públicos maior atenção e solidariedade/sensibilidade social. Daí termos apresentado propostas concretas de alívio fiscal para as famílias Lousadenses. 

  1. Na sua opinião, qual o papel que o município deve adotar perante a instabilidade que advém da guerra e da crise inflacionista? 

Ser responsável na sua própria gestão energética, contida em termos de despesa não essencial, e alocar todo o seu esforço financeiro no apoio ao orçamento familiar dos Lousadenses.

  1. Enquanto responsável pela oposição, quais as suas motivações políticas em relação ao futuro?

Continuar a ajudar Lousada. Continuar a contribuir para a melhoria das condições de vida dos Lousadenses e continuar a lutar pelo engrandecimento da nossa terra! Isso faz, naturalmente, com que continue disponível para servir Lousada e, portanto, “não fechando a porta” a nenhum desafio futuro. 

  1. Qual o rescaldo que faz desde há um ano para cá?

De forma sucinta, esta gestão do município continua no caminho que nos habituou a mais de 30 anos de governação socialista. 

– Ausência da suficiente visibilidade externa do nome de Lousada que tanta falta faz para a captação de investimento, diga-se, empregos bem remunerados para os Lousadenses.

– Fraca captação de investimento 

– Fracos salários e fraco rendimento per capita 

– Falta de celeridade e ausência de desmaterialização de processos no pelouro do urbanismo (para além da demora, é usado como ferramenta política do “beija mão para promoção pessoal do vereador”)

– Ausência de uma clara política de transportes públicos ajustada a necessidade dos Lousadenses

– Subalternização do papel dos presidentes de junta

– Falta de respeito institucional pelos lousadenses e pelas instituições públicas – relembre-se a postura da nova líder do PS , Lurdes Castro (AINDA MILITANTE DO PSD) na assembleia Municipal ( órgão ao qual preside)

– Total ausência de políticas que levem a fixação dos jovens Lousadenses, sobretudo os mais qualificados. 

Em suma, mais de 30 anos do mesmo partido à frente dos destinos de Lousada, com o desgaste e os tiques a isso inerentes… este ano, mais do mesmo… 

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