por | 11 Nov, 2022 | Associativismo

União Desportiva de Lagoas

Rogério Morais, presidente da União Desportiva de Lagoas, concedeu uma entrevista onde abordou a história do clube e os seus desafios em quase um século de vida. Inicialmente, apelidada como União Desportiva da Tapada pelas mãos dos funcionários e responsáveis da empresa. Em 1978, mudou-se o nome para o local do campo. Saiba mais sobre o clube mais antigo do concelho de Lousada. 

A U. D. Lagoas nasceu em 1931 pelas mãos dos funcionários e dos responsáveis da Quinta da Tapada. Estes tiveram a iniciativa e criaram o campo para uso próprio e, por esse motivo, foi apelidado de União de Desportiva da Tapada. 

O clube encontra-se fidelizado desde essa altura, porém, em 1978 trocou de nome e passou a chamar-se União Desportiva de Lagoas. Havia, cada vez mais, atletas oriundos de fora e então optou-se por mudar a designação para o local onde o campo se situava. “Um clube criado e dinamizado pelo pessoal da Quinta da Tapada começou a crescer e a vinda de novos jogadores originou a troca”, reforça. 

A U. D. Lagoas é o clube mais antigo do concelho de Lousada. O espaço físico que aufere é o mesmo desde a data de fundação, 1931, e este é um dos temas que mais dores de cabeça tem dado aos responsáveis. Os terrenos não são da associação, visto que pertencem a outros proprietários e há muitos anos que esta tenta chegar a um acordo com os respetivos. 

Há 15 anos o objetivo era sair daquele sítio porque chegou-se a um ponto em que as negociações estavam completamente fechadas e o clube não podia manter-se nas instalações. Ano após ano, adiaram o aumento do recinto desportivo e a situação parecia não ter retorno até que Rogério se tornou presidente e em conjunto com toda a direção decidiu continuar a negociar. “As nossas origens não se podiam perder e não fazia sentido mudar para um campo sem história”, conta. 

À data da entrevista, o presidente afirmou que as negociações estavam conseguidas e encontram-se na fase da empreitada avançar. Para tal, o Município de Lousada foi primordial ao longo de todos os anos e também no fecho do acordo com os proprietários. A U. D. Lagoas poderá, finalmente, ter melhores instalações. 

Rogério Morais, Presidente da União Desportiva de Lagoas

Na tomada de posse do presidente não foi apenas este objetivo delineado e, por conseguinte, conseguido. Através da requalificação do campo e dos balneários, saíram do futebol amador e entraram no futebol federado. 

Rogério encontra-se no clube desde 1991 onde entrou como atleta e há 14 anos atrás após sentir certas dificuldades dos membros diretivos decidiu assumir o cargo de presidente. “Reparei na urgência de injetar sangue novo na direção”, reforça. Posto isto, reuniu pessoas da sua confiança para dar outra dinâmica. 

Como referido, este é o clube mais antigo e com mais história do concelho de Lousada. Há 4 anos atrás foi distinguido pelo Município a nível da formação. “Orgulha-nos o título porque de veteranos e seniores conseguimos albergar todos os escalões de formação e também duas equipas femininas”, afirma acerca da transformação. 

As dificuldades vão aparecendo e, segundo o próprio, o facto de clubes vizinhos apostarem também na formação e reunirem melhores condições faz com que vários atletas saiam. Assim sendo, a direção optou por suspender o escalão de juniores devido à falta de jogadores. Para mais, há dois anos suspenderam também o departamento feminino até possuírem novas condições que permitam às atletas treinarem e jogarem nas instalações. 

Atualmente, albergam todos os escalões exceto os juniores. Jogar em pelado é sempre mais complicado e quem decide ficar é derivado ao afeto pelo clube. Os jogadores que permanecem sobem à equipa sénior e contribuem sempre. 

“Quero enaltecer o trabalho da nossa primeira dama, Patrícia Cunha, e também do nosso coordenador, Rui Lopes, pelo trabalho formidável. Além disso, todos os treinadores que primam pelo exemplo”, afirma. Para a União Desportiva de Lagoas é importante criar um homem, além de um atleta. De acordo com o próprio, o clube dá o apoio necessário para que os miúdos desconectem das novas tecnologias ou de situações menos agradáveis, na medida em que estão ocupados com o compromisso de treinar.  

“Ver que os miúdos incutiram os valores certos e sabem estar na sociedade é prazeroso. Aliás, é mais importante do que muitas vezes ver sair daqui um bom jogador”, declara. Contudo, o presidente realça que o trabalho tem de começar em casa e que o clube depois dá o suporte necessário aos pais. 

A associação procura incutir os valores logo desde cedo nas crianças pois quando são mais velhas é mais difícil absorver. “O processo tem de ser feito de baixo senão é impossível sustentar o mesmo”, sublinha. 

Neste sentido, os escalões com mais adesão são: os petizes, os traquinas e os benjamins. Existe uma procura muito grande nestas idades devido ao trabalho de êxito realizado no passado que permitiu espalhar a informação. 

Ao longo da entrevista, Rogério enaltece várias vezes toda a estrutura que perante todas as dificuldades continuam no clube e a dar tudo. Para mais, menciona o Vereador do Desporto, Dr. António Augusto Silva, por todo o suporte. 

As competições já iniciaram todas, à exceção dos petizes e traquinas que apenas iniciam em Novembro na Liga Carlos Alberto da Associação de Futebol do Porto. Os seniores encontram-se a disputar o Campeonato da 2º Distrital. “O nosso objetivo é disputar pelo melhor lugar na tabela de classificação, independentemente das dificuldades”, salienta. 

Relativamente às dificuldades, o presidente refere a parte financeira. De acordo com o próprio, muitas vezes os patrocinadores querem ajudar e não conseguem com os valores que queriam. Para mais, as condições das instalações é também outra dificuldade pois trata-se de um campo pelado e em épocas de chuva é mais complicado. 

Neste sentido, o objetivo do clube é passar de pelado para sintético. “O Município sabe deste desejo e já foi dito que o merecemos por mérito próprio e não porque todos o vão ter”, conta. Devido à entrave dos proprietários dos terrenos não foi possível, porém, agora está tudo resolvido e será para avançar.  

As perspetivas de futuro passam por evoluir no número de atletas, sendo que neste momento albergam 110. Além disso, quando houver condições será retomado o futebol feminino. “O nosso foco é crescer mais e mais”, finaliza.

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