por | 25 Mai, 2026 | Opinião, Partidos Políticos

A CDU não pode deixar cair no esquecimento um problema que afeta diretamente a qualidade de vida das populações de Lustosa e das freguesias envolventes. Trata-se de uma questão ambiental, de saúde pública e de respeito pelas populações que vivem, há décadas, com os impactos desta infraestrutura, marcada por um “cheiro nauseabundo” constante e por denúncias de derrames de lixiviados para linhas de água e para a rede de águas pluviais, afetando terrenos agrícolas e poluindo o rio Mesio – situações já anteriormente identificadas em inspeções do Ministério do Ambiente.

O Aterro Sanitário de Lustosa, localizado na Serra de Campelos, na freguesia de Lustosa, concelho de Lousada, entrou em funcionamento em novembro de 1998 para servir os municípios do Vale do Sousa – Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira – tendo sido inicialmente concebido para uma vida útil de apenas 10 anos. A AMBISOUSA, empresa intermunicipal criada em 2002, passou, a partir de 2004, a assumir a responsabilidade pelo tratamento e gestão dos resíduos urbanos da região.

No mesmo local encontra-se instalada outra empresa privada, denominada RIMA – Resíduos Industriais e Meio Ambiente. Em 2020, o aterro da RIMA esteve envolto em forte contestação devido à importação e deposição de milhares de toneladas de lixo provenientes de Itália, situação que apenas terminou perante a contestação das populações e a intervenção do Governo, que aprovou a suspensão da importação de resíduos daquele país.

Ao longo dos anos, foram várias as promessas feitas pelos responsáveis da autarquia de Lousada relativamente ao encerramento da chamada “lixeira de Lustosa”. Recorde-se que, durante a campanha para as últimas eleições autárquicas, o então candidato do Partido Socialista – hoje presidente da Câmara Municipal de Lousada – afirmou, a 29 de setembro de 2025, num debate promovido pela Rádio Vizela com os restantes candidatos, que existia já uma decisão no sentido do encerramento daquele aterro sanitário.

Este foi, aliás, um tema integrado no programa eleitoral da CDU para as eleições autárquicas de outubro de 2025.

Importa, por isso, esclarecer quais são as intenções da empresa responsável, da Câmara Municipal de Lousada e do Governo relativamente ao futuro desta infraestrutura, nomeadamente no que respeita à sua eventual ampliação ou encerramento, bem como às medidas de mitigação ambiental e de proteção da saúde pública.

Apesar de estar previsto um encerramento gradual, com planos de desativação que se prolongam ao longo dos anos, a verdade é que tudo continua praticamente na mesma: sem esclarecimentos públicos, sem um calendário conhecido e sem respostas concretas às preocupações das populações.

O aterro atingiu, no passado, a sua capacidade projetada, mas tem continuado em funcionamento através da construção de novos alvéolos, sucessivamente prolongando a sua vida útil e mantendo a receção de resíduos urbanos provenientes de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira.

É urgente que estas autarquias, em particular a Câmara Municipal de Lousada, em conjunto com o Governo, encontrem soluções definitivas que permitam o encerramento efetivo desta infraestrutura.

Para quando uma solução definitiva que ponha fim ao sofrimento das populações de Lustosa e das freguesias envolventes?

As populações destas freguesias exigem o encerramento e a selagem do aterro de Lustosa, bem como a sua reabilitação ambiental, transformando aquele espaço num pulmão verde, seguro e digno para todos.

A CDU afirma-se como uma força política atenta aos problemas concretos das populações, intervindo em defesa do ambiente, da saúde pública e da transparência nas decisões que afetam o nosso concelho.

Alberto Torres
Membro da CDU/Lousada

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