Hoje é Dia Internacional da Juventude. E, como todos os anos, veremos certamente fotografias, vídeos, concertos, atividades e festas a celebrar os nossos jovens.
E ainda bem. Os jovens, e até os menos jovens, têm direito a divertir-se. Mas há uma pergunta que o Presidente da Câmara e o seu executivo deveriam responder:
o que estamos a fazer pelos jovens quando a música acaba?
Porque ser jovem não é apenas ter um palco onde dançar. É querer sair de casa dos pais. Encontrar um emprego que permita viver. Comprar ou arrendar uma casa. Constituir família. Ter tempo para viver. E, sobretudo, ter liberdade para escolher onde construir o futuro.
Em Lousada, o preço anunciado das casas atingiu 1.702 €/m² em junho de 2026, mais 27,3% num ano. E perante isto continuamos a ouvir falar de crescimento, dinamismo e atratividade.
Sim, Lousada cresceu. Há indicadores económicos positivos. Mas crescimento não é sinónimo de oportunidade.
Uma política de juventude não pode ser apenas um calendário cheio de eventos, por muito bons que sejam. Entre uma fotografia num festival e uma casa que um jovem consiga pagar existe uma diferença enorme. Entre um concerto e um emprego qualificado existe outra.
E não é apenas em Lousada.
A nível nacional, esta geração herdou uma especialidade portuguesa: adiar os problemas até deixarem de ser adiáveis.
Habitação? Depois vemos. Pensões? A próxima reforma resolve. Carreira contributiva? Logo se estuda. Salários? É preciso esperar pelo crescimento. Natalidade? Há incentivos. Emigração jovem? É uma oportunidade de conhecer o mundo.
E assim vamos empurrando para a frente problemas que serão pagos, precisamente, por quem hoje tem 20 ou 30 anos.
Pedimos aos jovens que estudem mais, trabalhem mais, sejam mais produtivos, poupem e invistam para garantir a reforma que o sistema público provavelmente não conseguirá assegurar nos mesmos termos. E depois admiramo-nos quando adiam a casa, os filhos e os projetos de vida.
Não é falta de ambição. É falta de previsibilidade.
É aqui que a política local também tem responsabilidade. O executivo municipal não consegue resolver a habitação nacional, reformar a Segurança Social ou aumentar os salários por decreto.
Mas consegue decidir prioridades. Consegue decidir como planeia o território, como promove habitação, como melhora a mobilidade, como atrai investimento e emprego qualificado e como prepara Lousada para a próxima geração.
Por isso, neste Dia da Juventude, a pergunta não devia ser quantas atividades oferecemos aos jovens. Devia ser:
que condições estamos a criar para que um jovem possa escolher ficar, viver e construir aqui a sua vida?
Os jovens não precisam que lhes prometam um futuro cor-de-rosa. Precisam de poder acreditar no futuro porque as políticas lhes dão razões para isso.
As festas acabam. As políticas ficam.













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