por | 11 Ago, 2026 | Juventude

Filipa Vieira, uma lousadense a liderar os estudantes de Engenharia Biomédica

Tem 22 anos, frequenta Engenharia Biomédica na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e preside atualmente à Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica. Filipa Vieira fala da escolha do curso, do percurso no associativismo estudantil e da vontade de regressar a Lousada, desde que encontre oportunidades compatíveis com a sua formação.

Filipa Vieira encontrou na Engenharia Biomédica a forma de unir várias paixões que a acompanham desde o ensino secundário. “Decidi seguir Engenharia Biomédica porque, durante o ensino secundário, sempre tive um grande interesse pelas áreas da Matemática, da Física, da Química e da Biologia. Ao mesmo tempo, sentia uma forte ligação à área da saúde e procurava um curso que me permitisse conciliar todos esses interesses”, explica. A jovem acrescenta que queria também escolher “uma área através da qual pudesse contribuir, de forma concreta, para melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

Embora tenha crescido numa família ligada à Advocacia e à Solicitadoria, Filipa garante que nunca ponderou seguir o mesmo caminho. “Apesar de a Advocacia e a Solicitadoria serem áreas muito presentes na minha família, nunca foram um caminho que tivesse realmente considerado seguir”, afirma. Reconhece que sempre admirou o trabalho dos pais e a dedicação exigida por estas profissões, mas percebeu desde cedo que a sua vocação passava pelas ciências exatas, pela tecnologia e pela saúde. “Senti que a Engenharia Biomédica correspondia melhor às minhas aptidões e àquilo que imaginava para o meu futuro”, refere, destacando ainda que os pais “sempre respeitaram essa escolha e incentivaram-me a construir o meu próprio percurso”.

Quanto ao futuro profissional, Filipa Vieira gostaria de permanecer em Lousada, mas admite que essa decisão dependerá das oportunidades existentes. “Gostaria muito de ficar em Lousada e construir aqui o meu percurso profissional”, diz. No entanto, considera que “o concelho ainda tem pouca capacidade e não se esforça o suficiente, a meu ver, para captar e fixar jovens qualificados, sobretudo em áreas tecnológicas e especializadas como a Engenharia Biomédica”. Na sua opinião, muitos jovens acabam por sair “não por falta de vontade de ficar, mas por não encontrarem oportunidades compatíveis com a sua formação”. Ainda assim, deixa clara a sua preferência: “Se surgir em Lousada uma possibilidade alinhada com os meus objetivos, ficarei com muito gosto, caso contrário, terei de procurar nos grandes centros”.

O envolvimento no associativismo começou ainda no ensino secundário, através de iniciativas de participação cívica. “Foi nessa fase que comecei a perceber a importância de dar voz aos jovens, de representar as suas preocupações e de transformar ideias em projetos concretos”, recorda. Já na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), integrou o Núcleo de Estudantes de Engenharia Biomédica e a Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica (ANEEB), onde foi assumindo responsabilidades crescentes até chegar à presidência da Direção.

Filipa explica que a ANEEB representa cerca de 3.500 estudantes de Engenharia Biomédica em Portugal, promovendo conferências, formações, sessões com empresas e iniciativas de aproximação ao mercado de trabalho. Entre os aspetos que mais valoriza está “a possibilidade de unir estudantes de diferentes instituições e regiões do país”, permitindo a partilha de experiências e de soluções para desafios comuns.

O percurso associativo levou também a ANEEB, pela primeira vez, a integrar os órgãos sociais do Conselho Nacional de Juventude, onde Filipa desempenha funções como vogal do Conselho Fiscal. “Esta participação permite-nos levar a perspetiva dos estudantes de Engenharia Biomédica para debates mais amplos sobre educação, emprego jovem, participação cívica e políticas de juventude, dando também maior visibilidade à nossa área”, sublinha.

Questionada sobre o que a continua a motivar no associativismo, a resposta é clara: “Aquilo que mais me motiva no associativismo é sentir que o nosso trabalho pode ter um impacto real na vida de outras pessoas”. Para Filipa, esta experiência representa “uma escola de liderança, comunicação, trabalho em equipa, responsabilidade e serviço aos outros”. No fundo, acrescenta, “o que verdadeiramente me motiva são as pessoas, os projetos que conseguimos concretizar e a possibilidade de deixar as estruturas mais fortes, mais representativas e com mais oportunidades para quem vier a seguir”.

O seu percurso associativo pode sugerir uma ligação à política, mas Filipa faz questão de distinguir os conceitos. “O associativismo é, efetivamente, uma forma de fazer política, no sentido mais amplo da palavra”, afirma, explicando que representar estudantes e defender os seus interesses é uma forma de participação ativa na sociedade. Apesar disso, esclarece que essa participação não significa, necessariamente, uma futura carreira partidária. “O que me motiva é a participação cívica, a possibilidade de contribuir para decisões mais justas e próximas das necessidades dos jovens e de utilizar os espaços a que tenho acesso para criar impacto positivo.”

1 Comment

  1. Meu Nome: José Manuel Videira

    Desculpem a prgunta: Se a Mãe é Conceição Videira porque a Filha é Filipa Vieira? Desejo-lhe muitas felicdades. Também tenho uma Neta que tem o nome de Filipa Videira. Moramos em Chaves. Um beijinho Menina Filipa.

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