por | 17 Ago, 2026 | Partidos Políticos

PSD Lousada aponta “falta de ambição estratégica” e abstém-se na votação do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS)

Os vereadores do Partido Social Democrata (PSD) na Câmara Municipal de Lousada abstiveram-se hoje, dia 17 de agosto, na votação da proposta do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), apresentada para discussão pública. A posição do partido foi sustentada pela intervenção do vereador Fausto Oliveira, que, apesar de reconhecer alguns aspetos positivos no documento, apontou graves deficiências, falta de respostas concretas e uma evidente ausência de visão transformadora a médio e longo prazo para o concelho.

Durante a reunião de câmara, o vereador Fausto Oliveira começou por destacar o diagnóstico completo que serve de base ao plano, bem como o reconhecimento da descontinuidade urbana de Lousada, uma realidade que exige respostas diferenciadas para territórios que não são iguais. O PSD congratulou-se também com as estratégias e metas definidas para a segurança rodoviária, incluindo a formação, a sensibilização, a redução de velocidades e a criação de rotundas ou zonas de acalmia em pontos de sinistralidade. No entanto, o vereador lamentou que a utilização de sinalização de velocidade não tenha sido considerada como um dos meios para atingir estes fins e alertou para o facto de os prazos de execução de algumas medidas estarem desajustados, sendo uns excessivamente apertados e outros demasiado dilatados face à urgência das intervenções.

No capítulo das críticas, o PSD Lousada foi contundente ao afirmar que o plano falha no essencial: a mudança de paradigma. “Mudar as estradas, sendo necessário, não é o mesmo que mudar mentalidades“, sublinhou Fausto Oliveira, defendendo que o documento deveria estabelecer uma hierarquia clara que priorizasse o peão, seguido da bicicleta, do transporte público, das cargas/descargas/emergência e, por fim, do automóvel particular.

O PSD apontou sete falhas principais à proposta em discussão:

1.      Dependência do automóvel sem soluções: O documento identifica a forte dependência do automóvel em Lousada, mas é incapaz de apresentar soluções robustas para inverter esta tendência.

2.      Falta de ambição na mobilidade ciclável: Não é proposta qualquer rede ciclável contínua, limitando-se o plano a propostas avulsas. Faltam metas concretas sobre os quilómetros de pista a construir até 2035, os eixos principais e as ligações fundamentais às escolas, entre freguesias e às estações ferroviárias.

3.      Lacunas graves nos transportes públicos: Apesar de reconhecer as coberturas desiguais e a má articulação com a ferrovia, as medidas são vagas. O plano falha ao não prever a criação de parques de estacionamento em Caíde de Rei e erra estrategicamente ao ignorar a estação de Penafiel como uma plataforma de ligação crucial para uma das áreas mais significativas do concelho de Lousada, focando-se apenas em Meinedo e Caíde.

4.      Ausência de visão transformadora: O programa evidencia planeamento técnico, mas carece de uma visão que realmente transforme o território.

5.      Gestão deficiente do estacionamento: O problema do estacionamento é identificado, mas o plano não apresenta estratégias para mudar costumes, como a criação de parques periféricos junto a interfaces modais ou a parametrização do estacionamento em função do tempo, residência e permanência.

6.      Atraso na implementação de vias “Kiss and Go”: A criação destas vias peca por tardia, uma vez que esta medida já constava na rede de transportes do Tâmega e Sousa e já se encontra implementada na maioria dos concelhos vizinhos, com exceção de Lousada.

7.      Incerteza na circulação de veículos pesados: O PMUS reconhece o impacto negativo do tráfego de pesados em certas vias e no centro urbano, mas permanece totalmente omisso e pouco claro sobre a forma como se irá efetivar e fiscalizar a proibição dessa circulação.

Com esta abstenção, os vereadores do PSD Lousada reforçam o seu papel de oposição construtiva, validando o trabalho técnico de diagnóstico, mas recusando passar um “cheque em branco” a um plano que consideram acomodado e incapaz de preparar o concelho para os desafios de mobilidade das próximas décadas.

Nota de Imprensa do PSD Lousada de 17 de agosto de 2026

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