Numa mota Zontes 703f, José Paulo Faria Sousa, de 20 anos, concretizou uma viagem que há muito desejava fazer. Membro do Moto Clube de Lousada e apaixonado por motas, percorreu a Estrada Nacional 2 desde Peso da Régua até ao Algarve, numa aventura de dois dias marcada por paisagens e um inesperado desvio por caminhos de terra.
Aos 20 anos, José Paulo Faria Sousa, de Pias, decidiu transformar uma vontade antiga numa aventura de estrada. O jovem de Lousada, apaixonado pelo mundo das duas rodas e membro do Moto Clube de Lousada, lançou-se ao desafio de percorrer a mítica Estrada Nacional 2 (EN2), partindo de Peso da Régua e seguindo rumo ao Algarve.
A viagem, realizada em dois dias, levou-o a atravessar algumas das paisagens mais emblemáticas do interior de Portugal, numa estrada que, ano após ano, tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos entre os motociclistas.
“É uma viagem que eu sempre quis fazer desde que entrei para o Moto Clube de Lousada e por ser apaixonado por motas”, conta José Paulo, explicando a motivação que esteve na origem da aventura.
A EN2 tornou-se uma verdadeira referência para o mototurismo nacional e internacional. Conhecida como a grande estrada longitudinal portuguesa, liga Chaves a Faro ao longo de cerca de 738,5 quilómetros, atravessando o país de norte a sul. Pelo caminho, a rota passa por diferentes regiões, paisagens e ambientes, desde as vinhas e montanhas do Douro às extensas retas alentejanas, terminando nas exigentes curvas da Serra do Caldeirão.
Esta ligação tem atraído motociclistas de todo o país e também do estrangeiro, que encontram na EN2 uma oportunidade para conhecer Portugal de uma forma diferente, ao ritmo da estrada e das duas rodas. Para muitos motards, percorrer a EN2 tornou-se uma espécie de desafio obrigatório.
O reconhecimento internacional da rota tem acompanhado este crescimento. Em 2025, a Rota da Estrada Nacional 2 foi distinguida como Rota Internacional do Ano na IV edição dos Prémios Mototurismo, um dos eventos de referência do setor em Espanha, que distingue iniciativas e destinos ligados ao turismo em duas rodas.
Dois dias de estrada
José Paulo iniciou o percurso em Peso da Régua e precisou de dois dias para completar a viagem, fazendo uma paragem em Montargil para descansar.
A aventura, contudo, não foi totalmente linear. Um dos momentos mais exigentes surgiu na zona de Pedrógão Grande, onde encontrou a EN2 encerrada e foi obrigado a procurar um percurso alternativo.
O desvio acabou por proporcionar uma experiência bem diferente daquela que tinha inicialmente previsto: em vez de asfalto, encontrou estrada de terra no meio do monte.
Para um motociclista, a situação poderia facilmente transformar-se num problema sério. Uma mota de viagem, quando totalmente equipada e carregada, pode chegar a pesar entre 350 e 400 quilos, tornando particularmente exigentes os pisos de terra, com pedras, irregularidades e pouca margem para erro.
“Foi a parte mais complicada”, admite o jovem lousadense.
Apesar do obstáculo, José Paulo conseguiu ultrapassar o troço e prosseguir viagem. A experiência acabou por fazer parte da própria aventura, mostrando também que percorrer uma estrada histórica como a EN2 nem sempre significa encontrar apenas o percurso idealizado nos mapas.
Ao longo da viagem, a mota Zontes 703f revelou-se uma companheira fiável. Segundo José Paulo, o comportamento foi bastante positivo, mesmo perante os diferentes tipos de estrada encontrados pelo caminho.
“Portou-se muito bem. Não gastou muita gasolina, fazendo médias entre 5,5 e 6,0 litros aos 100 quilómetros”, explica.
O conforto foi outro dos aspetos que o jovem destaca, sobretudo nos troços onde o estado do pavimento deixou a desejar.
A EN2 atravessa zonas onde a estrada apresenta buracos, irregularidades e piso degradado, condições que podem tornar uma viagem longa particularmente cansativa. Ainda assim, José Paulo considera que a mota respondeu bem e permitiu completar o percurso com tranquilidade.
Apenas um ano de carta
A aventura ganha ainda maior significado tendo em conta que José Paulo tem apenas um ano de carta de condução.
Para alguém ainda no início da sua experiência como motociclista, enfrentar centenas de quilómetros numa das rotas mais emblemáticas do país representou um desafio considerável, mas também uma oportunidade para ganhar experiência e conhecer melhor as capacidades da própria mota.
“Nunca tinha feito algo assim”, afirma.
A EN2 continua, assim, a afirmar-se como uma das grandes estradas de aventura de Portugal. A sua extensão, a diversidade das paisagens e a possibilidade de atravessar o país praticamente de norte a sul fazem dela um verdadeiro íman para quem gosta de viajar de mota.
Para José Paulo, esta primeira grande experiência representa também o início de um caminho. Aos 20 anos e com apenas um ano de carta, já leva consigo uma das viagens mais emblemáticas que um motard pode fazer em Portugal.













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