por | 24 Mai, 2026 | Editorial, Editorial

Editorial 164 | Provecta idade

Sim, esta é uma forma um pouco mais erudita de poder referir à idade avançada ou até à velhice de alguém. No entanto, por vezes gosto de acreditar que a forma como nos referimos a algo, poderá ser sinónimo da forma como nos preocupamos com isso.

Se para uns provecta idade pode significar velho, caduco ou estorvo, outros olharão para o termo e irão ver experiência e sabedoria. Haverá sempre dois caminhos: o de desprezo ou despreocupação e o de apreço e (muita) consideração.

E é nestes possíveis dois caminhos que gostaria de refletir, no caminho de deixar os problemas se irem resolvendo e desafiar as famílias a reinventarem-se e até contorcer-se para dar resposta aos desafios dos seus provectos, ou aquele que impele a comunidade a auxiliar na tarefa tão nobre de olhar para aqueles que nos conceberam, com dignidade e consideração.

Sinto que sobre este assunto, há por vezes, muita parra e pouca uva. Muita preocupação com as questões, mas poucas ações concretas e com resultados veneráveis. Olhar para os ancianos não é só promover convívios informais, comemoração de dias especiais com lanches típicos, almoços descontinuados que findam o seu impacto ao levantar da própria mesa. Intervir neste contexto terá que ser mais que promover o envelhecimento ativo, baseado apenas em movimentos voluntariosos e cobertos de informalidade.

É certo que tudo isso é necessário! Tudo isso pode e deve ser um início do caminho! Mas o caminho não pode ficar apenas pelo início e não poderemos andar sempre à volta da mesma solução.

Precisamos de uma visão integrada, responsável e condescendente com a nobreza da situação. É preciso formalidade, empenho, profissionalismo e respostas formais formidáveis, que sejam abrangentes a todos e segmentadas por necessidades mais especificas, quando assim também precisa de ser. Precisamos de mais certezas para aqueles que tanto deram à nossa comunidade e não de passeios e atividades que se encerram em si mesmas.

Há dias ouvi que o valor que damos aos nossos seniores é o reflexo do valor que pagamos a quem cuida e dedica a eles. Acrescentaria que o valor que damos a este passado pode também evidenciar-se pelo investimento que fazemos no futuro para cuidar dele. É necessário intervir na precariedade da situação, na não valorização de quem atua no setor, é preciso investir em equipamentos e infraestruturas diferenciadas.

Mais do que refletir, precisamos de agir, porque o nosso (melhor) passado não tem muito tempo para esperar!

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