por | 20 Ago, 2023 | Sociedade

Refugiados ucranianos deixaram saudade em Lustosa

Um caso de solidariedade

A empresária de Lustosa, Ana Maria Castro, acolheu uma mãe e dois filhos ucranianos, que fugiram da guerra provocada pela invasão da Rússia ao seu país, a Ucrânia. A vontade de ajudar superou as dificuldades, sobretudo de comunicação. Alguns meses depois, quando já estavam inseridos na vida local e o convívio estreitava cada vez mais os laços de amizade, aquela família teve de partir para o Canadá. Este é um caso de humanismo que deixou saudade.

“Quando vi as primeiras imagens da guerra na Ucrânia, senti uma vontade imensa de ajudar de alguma forma”, começa por declarar a lustosense Ana Maria.
Como primeiro passo nesse sentido, inscreveu-se numa plataforma de acolhimento da Câmara Municipal e numa associação de Guimarães. Ao mesmo tempo contribuía com donativos e bens materiais através das campanhas de angariação que foram sendo realizadas.
Passado uns dias foi contactada pela associação de Guimarães, perguntando se havia possibilidade de acolher uma família composta por uma mãe e dois filhos que estavam em Lisboa. E começou aí a vinda para Lustosa de Olena e seus dois filhos, Dimitri e Maxim, de 14 e 16 anos, respetivamente.
“O início foi muito difícil, porque estavam assustados e muito desconfiados, mas com o tempo tudo melhorou, estiveram em telescola com as professoras ucranianas e no tempo livre iam jogar futebol para o clube recreativo 1.º de Maio, em Figueiró (Paços de Ferreira), enfim foram-se inserindo cada vez mais na sociedade e na vida daqui”, afirma Ana Maria Castro.
A língua e o estilo de vida deram alguns problemas: “notei mais isso principalmente na área da saúde, quando o Maxim chegou a estar com 40 graus de febre e a mãe impediu-nos de lhe dar medicamentos ou de o levar ao médico, porque não permitia que os filhos tomassem antibióticos. Preferia o uso de substâncias e remédios naturais”.
Mas a pior parte era o sentimento de saudade e de angústia que eles viviam em relação ao marido e pai, que ficou a ajudar a Ucrânia, “não como combatente, mas trabalhando na área da distribuição de medicamentos e da comida para a linha da frente da guerra. Eles comunicavam sempre que possível com o pai e seguiam as informações sobre a guerra através da rede social Telegram”, explica.

Uma promessa de reencontro
“Aqui, em Lustosa, eles dependiam imenso de nós para irem a qualquer lado, uma vez que Olena não conduzia e foi um dos motivos que os levou a mudarem-se para o Porto, onde além de mais transportes também conviviam com outros ucranianos”, relata a acolhedora desta família. Depois do Porto foram para o Canadá porque a empresa para quem Olena trabalha é americana e foi transferida para uma filial dessa empresa em Toronto.
As saudades ficaram e são atenuadas por comunicações. “Vão fazer sempre parte da minha vida. Falamos todas as semanas e tentamos dar apoio, mesmo de longe sabemos o quanto foi difícil para eles deixar tudo para trás. Já lhes prometi que, quando tudo acabar e eles regressarem à Ucrânia, irei visitá-los. Todos os sorrisos que deram, os abraços e os agradecimentos que recebi da parte deles valeram mais do que tudo”, afirma Ana Maria Castro que, com este testemunho, espera poder “inspirar mais pessoas a fazerem o mesmo”.
Por último, a nossa entrevistada afirmou: “não posso esquecer que nunca estive sozinha nisto e quero agradecer à minha família e amigos, ao clube recreativo 1.º de Maio de Figueiró, e à diretora do agrupamento de escolas Dr. Mário Fonseca, professora Ernestina, que nos emprestou os computadores para eles poderem estar em telescola”.

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