por | 26 Nov, 2023 | Sociedade, Uncategorized

População pressiona Câmara para reabrir avenida Sr. dos Aflitos ao trânsito

PROBLEMAS DA CIRCULAÇÃO AUTOMÓVEL EM LOUSADA

São várias as reclamações e sugestões que se colhem acerca do (des)ordenamento do trânsito na vila e arredores, tanto por cidadãos comuns como por pessoas entendidas no ordenamento urbano. A área da vila e seus arredores tem alguns pontos críticos que foram registados pelo Louzadense. Um deles é a avenida Senhor dos Aflitos, cujo encerramento à circulação de trânsito nunca foi bem vista pela generalidade da população. O inquérito aos moradores e lojistas daquela artéria permite constatar que há unanimidade no apoio ao regresso de veículos ligeiros a essa artéria histórica. O outro ponto crítico é o acesso a Lousada pela “rotunda das bolas” junto ao eurocircuito. Um novo acesso da via rápida parece faltar naquelas proximidades.

Não são precisos estudos para comprovar que nos últimos anos a Vila de Lousada registou um aumento considerável de trânsito e o fluxo parece adensar-se cada vez mais. A simples observação empírica, sobretudo em hora de ponta, mostra que não há cruzamento ou rotunda que não tenha concentração de veículos. Alguns sítios chegam a ser caóticos, mormente na área da escola secundária. Uma variante na zona sul da Vila seria bem vinda dada a crescente circulação de veículos e pessoas na linha territorial Pias-Boim-Nespereira.

Os atletas e os ciclistas que percorrem as ruas locais são pessoas com uma noção muito concreta e real dos problemas de circulação. Um deles, João Henrique Fernandes, diz que “estamos bem servidos em termos de acessos e temos evoluído bastante bem, no entanto há sempre coisas que podem ser melhoradas e a coisa que deveria mudar urgentemente tem a ver com algo que nunca deveria ter sido feito, que foi retirar o trânsito da avenida do Senhor dos Aflitos”. Justifica que “essa falta tira identidade à nossa vila e deixamos de passar num dos locais mais emblemáticos que temos”.

João Henrique Fernandes

Outra chamada de atenção vai para “a zona da pista da Costilha, onde há bastante trânsito, que tende a aumentar, pois o crescimento da nossa vila tende a ser cada vez maior”. Para essa estrada que liga a rotunda das bolas à rotunda da pista “deviam ser criadas duas vias”, diz aquele lousadense.

Por fim, João Henrique é da opinião que “deveria ser criado uma ciclovia e zona pedonal na proximidade da Costilha, pois tal como eu correm lá dezenas ou centenas de pessoas e por vezes até se torna perigoso”.

Outro lousadense interessado nas temáticas locais, Rodrigo Fernandes, aponta para o trânsito “necessidade de melhorias nas passadeiras para peões, algumas já sem tinta e algumas, por incrível que possa parecer, são do tempo do Dr Joaquim Burmester”. Como sugestão de melhoramento refere que “deviam ser colocados pequenos painéis refletores nas mesmas, e já que estamos a falar da via pública, deviam dar atenção às ruas que não têm nome e às rotundas não sinalizadas”. Merecedor de atenção é também, segundo aquele antigo bombeiro e jornalista, “a necessidade de reparar pavimento degradado em certas ruas e, muito importante, tratar de melhorar a iluminação pública, que é muito pouca no centro da vila”.

Rodrigo Fernandes


MAU ESTADO DOS PAVIMENTOS

Cidadão igualmente atento e com uma palavra a dizer sobre o tema é o técnico de farmácia António Luís Aguiã: “apraz-me constatar que embora a rotunda atrás do Senhor dos Aflitos ter melhorado a fluidez de trânsito no centro da vila, seria benéfico para todos, sobretudo para o comércio local, a abertura do trânsito na avenida do Senhor dos Aflitos, que de avenida nada tem”. Insiste que essa alteração poderia fazer-se “mesmo que acontecesse apenas num sentido, seja de um lado para o outro ou vice-versa”. Também entende ser de considerar uma mudança “no sentido ascendente, na rua Palmira Meireles, ao lado dos Paços do Concelho, é pertinente, e certamente possível, uma solução para a resolução do trânsito que, em determinadas alturas do dia, estendesse até ao Pelourinho e congestiona o centro urbano”.

Luís Aguiã

O antigo comandante da GNR e dos Bombeiros de Lousada, Miguel Pacheco, é bastante cáustico em relação ao piso degradado em certos locais: “preocupa-me o lamentável estado lastimoso das duas importantes entradas na vila, quer seja pela avenida dos Combatentes da Grande Guerra (Cristelos), como também pela Rua Visconde de Alentém” e explicita que “os paralelos desnivelados e as poças que isso cria são uma desgraça, um perigo para a condução e um problema para as mecânicas dos automóveis”. E acrescenta que “até causa mal estar a quem entra por essas vias tal a diferença de piso e a propósito disso, deviam ir a Paços de Ferreira para ver como se faz a transição do pavimento betuminoso, vulgo alcatrão, para o piso em paralelo”.

Miguel Pacheco

Quanto ao atual comandante dos Bombeiros Voluntários de Lousada (BVL), José Carlos Aires, disse ao Louzadense que “em termos de trânsito não temos falado nada nas reuniões da Proteção Civil a não ser uma questão que preocupa bastante os bombeiros, que tem a ver com as ruas estreitas, onde os carros de combate a incêndio não passam”. O líder do corpo ativo dos BVL acrescentou que “está a ser efetuado um levantamento desses arruamentos e quando concluído será entregue à Câmara que também está sensibilizada para esta questão que importa ter em conta e intervir sempre que possível para melhorar as condições de acesso”.

José Carlos Aires

ARQUITETO APONTA SOLUÇÕES

Um dos arquitetos contactados para dar a sua opinião relativamente ao ordenamento do trânsito local, Márcio Moreira não se coibiu de apontar críticas e soluções.

“Como lousadense e arquiteto desta mesma Vila, entendo que as obras realizadas há uns anos na rua em frente ao Tribunal até à fonte luminosa foram pensadas para que houvesse uma grande zona pedonal e uma praça para eventos que as pessoas pudessem usufruir e acontece que em parte foi conseguido, mas para o dia a dia, a situação não é atingida na totalidade”, começou por dizer, adiantando que “ali criou-se uma espécie de praça isenta de vivências e de encontros e desencontros entre os seus habitantes”. O seu encerramento “ajudou a realização de eventos ou um certo tipo de comércio que podia ser explorado através de esplanadas, mas prejudicou outros que necessitam de movimento automóvel e estacionamento”, acrescenta.

Márcio Moreira

Postas estas considerações, Márcio Moreira entende que “como forma de resolver qualquer cruzamento ou entroncamento de trânsito, foram adotadas as rotundas, penso que neste caso, se poderia adotar essa estratégia, criando uma rotunda em frente ao edifício da antiga “Colmeia”, e por conseguinte voltando a abrir uma via de sentido único desde o referido tribunal até à fonte luminosa, criando também estacionamentos públicos gratuitos ao longo de toda a sua extensão, pois o comércio também sobrevive desse pormenor que à vista de muitos tem um aspeto irrelevante mas que é fundamental para os negócios a meu ver”.

Levando a análise para outro ponto da vila, o arquiteto diz que “importa salientar outra questão que passa pelo sentido do trânsito na rua de Santo António que vem da farmácia Fonseca para a zona da rua Afonso Quintela devia ser ao contrário, pois faz com que o trânsito flua para dentro da Vila e não para fora como deveria ser”.

Voltando à análise anterior, acrescenta que ”com estas alterações poderia ser adotada uma solução mista na tal rua do tribunal, onde se poderia ter o trânsito controlado durante o dia e com mais alguns estacionamentos e em caso de eventos, a rua poderia ser encerrada temporariamente mantendo a opção de praça livre”.

Em conclusão, Márcio Moreira afirma que “estas são para mim as duas grandes «deficiências» que foram criadas no tráfego viário no centro da vila, mas que estamos a tempo de as corrigir para melhor, pois a prática e uso diários e evolução dos centros assim nos permite”.

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